Miguel Pinto
Miguel Pinto
21 Mai, 2026 - 11:00

Google muda e já não é um mero motor de busca. É outra coisa

Miguel Pinto

25 anos depois, o Google procedeu à maior atualização alguma vez feita na sua barra de pesquisa. Conheça toda as novas capacidades.

barra de pesquisa Google

Algumas coisas na internet pareciam imutáveis. O Google e a sua barra de pesquisa são uma delas. Durante mais de duas décadas, o ritual era abrir o browser, escrever duas ou três palavras-chave, carregar Enter e folhear os resultados. Simples e previsível.

Mas essa era acabou ou pelo menos está em vias de terminar. Durante a conferência anual Google I/O, realizada em Mountain View, na Califórnia, a empresa anunciou a maior transformação da sua barra de pesquisa desde que o motor de busca foi lançado há mais de 25 anos. É uma mudança de fundo na forma como interagimos com a informação.

O novo nome dado pela Google ao que antes era uma simples caixa de texto é agora Intelligent Search Box, ou Caixa de Pesquisa Inteligente. A nova caixa foi redesenhada para dar espaço a perguntas mais longas e complexas, expandindo-se dinamicamente à medida que o utilizador escreve.

Em vez do clássico autocomplete, aquelas sugestões baseadas em termos populares, passa a existir um sistema de sugestões alimentado por inteligência artificial que antecipa a intenção do utilizador e ajuda a formular melhor a pergunta.

A outra grande novidade é a multimodalidade. A nova barra de pesquisa aceita não apenas texto, mas também imagens, ficheiros, vídeos e até separadores abertos no Chrome como ponto de partida para uma pesquisa.

Quer saber mais sobre uma imagem que tem no computador? Basta arrastá-la. Quer pesquisar a partir de algo que está a ver num vídeo? Também é possível.

O motor por detrás da mudança: Gemini 3.5 Flash

barra da Google

Por baixo desta nova experiência está o Gemini 3.5 Flash, o mais recente modelo de inteligência artificial da Google, que se torna o padrão para o modo de pesquisa com IA (AI Mode) a nível global.

Este modelo foi concebido especificamente para tarefas agênticas, ou seja, tarefas que implicam encadear raciocínios e agir de forma autónoma em nome do utilizador, e para programação. Segundo a Google, é significativamente mais rápido do que outros modelos de referência no mercado e tem um custo de processamento mais reduzido.

O AI Mode chegou a mil milhões de utilizadores

Para perceber a dimensão desta mudança, vale a pena olhar para os números. O AI Mode, a funcionalidade que permite conversas mais longas e aprofundadas dentro da pesquisa do Google, foi lançado há apenas um ano, mas já ultrapassou os mil milhões de utilizadores mensais.

As pesquisas neste modo têm duplicado a cada trimestre desde o lançamento. O número total de pesquisas no Google atingiu um máximo histórico no trimestre anterior. Estes dados mostram que os utilizadores não estão a abandonar o Google para usar ferramentas de IA como o ChatGPT ou o Claude.

Pelo contrário, estão a pesquisar mais do que nunca, mas de uma forma diferente, com perguntas mais longas, mais contextualizadas, mais próximas da linguagem natural.

Agentes de informação: pesquisa que trabalha por si

Uma das novidades mais ambiciosas anunciadas no Google I/O 2026 são os chamados Information Agents, agentes de informação que funcionam em segundo plano, de forma contínua, sem que o utilizador precise de fazer nada.

A ideia é em vez de ter de pesquisar repetidamente pelo mesmo tema, o utilizador configurar um agente que monitoriza automaticamente tópicos à sua escolha.

Está à procura de apartamento e tem requisitos muito específicos? O agente verifica constantemente os anúncios disponíveis e avisa quando surge algo que corresponde ao seu perfil. Quer saber quando o seu atleta favorito anuncia uma colaboração com uma marca de sapatilhas? O agente notifica-o assim que houver novidades.

Estes agentes analisam blogs, sites de notícias, publicações em redes sociais e dados em tempo real sobre finanças, compras e desporto. A funcionalidade será lançada primeiro para subscritores dos planos Google AI Pro e Ultra, ainda durante o verão de 2026.

tabs na vertical no Chrome
Veja também Google Chrome já permite tabs na vertical: melhore a produtividade

Experiências personalizadas e interface generativa

pesquisa no google

Outra mudança de fundo é a introdução de interfaces geradas dinamicamente pela própria IA, o que a Google chama de Generative UI.

Para perguntas complexas, o Google Search passa a construir em tempo real uma apresentação visual personalizada de tabelas interativas, dashboards e visualizações gráficas. Tudo criado especificamente para a pergunta do utilizador, em vez de uma lista genérica de links.

Para tarefas de longa duração, como planear um casamento ou organizar uma mudança de casa, o Search poderá criar painéis persistentes que o utilizador pode revisitar ao longo do tempo. O Generative UI será disponibilizado gratuitamente a todos os utilizadores ainda este verão; os painéis persistentes chegarão primeiro aos subscritores premium nos Estados Unidos.

O carrinho de compras universal Google

No campo do comércio eletrónico, o Google anunciou o Universal Cart, um carrinho de compras unificado que funciona através do Search, do Gemini, do Gmail e do YouTube.

O utilizador pode adicionar produtos a partir de qualquer um destes serviços e deixar que a IA trate de monitorizar descidas de preço, comparar históricos de preços, verificar disponibilidade de stock e sugerir a forma de pagamento mais vantajosa através do Google Wallet.

A empresa garante que o utilizador tem total controlo sobre o que partilha e que a funcionalidade foi desenhada com transparência e privacidade como princípios centrais.

Veja também