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Valdemar Jorge
Valdemar Jorge
11 Set, 2020 - 12:22

Anos 80 e 90: a febre dos GTI

Valdemar Jorge

Os anos 80 e 90 do século passado foram ricos no que diz respeito a automóveis desportivos, principalmente aqueles que ostentavam na traseira a sigla GTI.

Volkswagen GTI

Houve uma época em que possuir um automóvel com a sigla GTI era sinónimo de aventura com uma pitada de rapidez.

O objetivo era o prazer de condução em estrada aberta, acompanhado ou sozinho, num automóvel confortável, mas com motor mais potente. Hoje, a febre dos GTI está popularizada, devido ao sucesso do modelo que com ela mais é identificado: o Volkswagen Golf GTI.

GTI: 3 simples letras que tanto significado têm no mundo automóvel

GTI

A sigla GTI, também vemos grafado por vezes GTi, significa Gran Turismo Iniezione. Mas também: Gran Turismo Injection ou Gran Turismo International.

Em alemão a sigla surge como GTE. Isto é. A letra “I” refere-se à injecção Bosh Jetronic; como em alemão a palavra ‘injecção’ escreve-se ‘einspritzung’ a sigla altera para GTE – Gran Turismo Einspritzung –, que encontramos, por exemplo nos automóveis da Opel.

GTI significa um automóvel Gran Turismo, com motor de injeção eletrónica de combustível, algo que não era comum até meados dos anos 1980. Embora a sigla esteja associada ao Volkswagen Golf que a popularizou, a verdade é que a primeira vez que surgiu foi nos anos 60, mais precisamente em 1961, pela mão da italiana Maserati.

Itália: o berço dos GTI

A classificação Gran Turismo Iniezione foi verdadeiramente usada pela primeira vez, em Itália, caraterizando o modelo mais potente da marca de luxo italiana, Maserati 3500 GTI (1961).

Segundo a história este foi o primeiro automóvel de produção a usar aquela designação, ao ser apresentado oficialmente no Salão Automóvel de Genebra, na Suíça.

O Maserati 3500 GTI estava equipado com motor 3.5 litros, pela primeira vez associado a caixa manual de cinco velocidades, e alimentado por sistema de injeção electrónica, ao inverso de carburador. A potência anunciada pela marca era de 235 cv às 5.500 rpm.

Volkswagen popularizou a designação GTI

GTI
A paixão pelos GTI ainda é real e está bem presente na comunidade Volkswagen

Após a apresentação do Maserati 3500 GTI foram precisos cerca de 16 anos para se começar a ouvir o som dos GTI nas estradas. E a marca responsável por esse feito é a Volkswagen que em 1976 apresenta as três letrinhas mágicas ‘GTi’ associadas ao VW Golf GTi, o seu atual “ex-libris”. Na construção do motor utiliza sistema de injeção eletrónica K-Jetronic, desenvolvido pela Bosh.

Mais tarde, em 1984, desponta para o universo GTi uma outra marca. Trata-se da francesa Peugeot com o 205 GTi, que rapidamente alcançou o estatuto de ícone, tal o sucesso que conquistou no mercado Europeu.

Com o êxito deste sistema de injeção, que ao longo dos anos conquista mais e mais adeptos no que respeita à construção de motores, ao ponto de tornar-se um padrão na indústria automóvel, a sigla GTI dá lugar à mais abrangente designação Gran Turismo Internacional.

O que caracterizava os “GTI”?

Embora possam existir diversas definições para definir os GTI, a verdade é que estes resultavam da conjugação de quatro fatores: carroçaria ‘hatchback’, com apenas três portas; motor enérgico de quatro cilindros, a magia da injeção de combustível e leveza do chassis, que deverá rondar a tonelada.

Estes são os ingredientes necessários para construir um GTI de sucesso, mas a que teremos de juntar, sem dúvida, uma carroçaria apelativa, espaço para dois e bagageira q.b.. Os GTI da era moderna associam a estes fatores um outro: longo capot do motor, com habitáculo mais recuado e traseira curta. Estética e elegância de linhas a ditarem a moda na indústria automóvel.

Alguns dos GTI mais populares em Portugal

Fruto da ação das campanhas de publicidade automóvel, as décadas de 1980 e 1990 ficaram marcadas pela comercialização de alguns modelos que ainda hoje suscitam o virar de cabeça, ao som dos seus motores.

Volkswagen, Citroën, Ford, Nissan, Suzuki ou Rover ajudaram a que sigla se popularizasse no final do século XX e contribuíram, definitivamente, para a ‘febre dos GTI’. Importa referir que os modelos GTI, à época, tinham como caraterísticas comuns estar equipados com motores com caixa manual de cinco velocidades; travões com discos ventilados à frente e tambores atrás e apresentarem consumos a rondar os 10 litros/100 km, numa condução desportiva. Acresce a sonoridade dos motores libertada pelos escapes fator que denunciava, a presença destes pequenos ‘desportivos’.

O ícone: Volkswagen Golf GTI

Golf GTI

É com este modelo, em 1976, que a marca alemã faz (re)nascer a sigla GTI, que passou a usar, mais tarde, por exemplo, no pequeno citadino Polo. O popular VW Golf vendeu 6,99 milhões de unidades tornando-se um sucesso e até um ícone da marca alemã. A versão GTI deste modelo chegou ao mercado com duas motorizações distintas: 1.588 cc e 110 cv e 1.780 cc, com 115 cv. A primeira pesava apenas 810 kg. Ajudou sobremaneira ao êxito do modelo que hoje é um marco na história da marca alemã.

A alternativa: Opel Kadett GTE

Opel Astra GTE

À semelhança do VW Golf GTI, nascido na Alemanha, o Opel Kadett GTE marcou também uma época e posicionou-se como o GTI alternativa ao pioneiro Golf. Com um design muito ao gosto da época o Kadett GTE manteve-se no ativo até ao final dos anos 90, nesta altura já em declínio, principalmente no habitáculo que era austero.  Este modelo da marca alemã, que na Inglaterra foi comercializado sob o símbolo da Vauxhall, estava equipado com motor 1.796 cc, produzia 113 cv e pesava 980 kg. Mesmo mais pesado que o rival da VW reivindicava  9 segundos dos 0-100 km/h e uma velocidade máxima de 187 km/h.

O enérgico: Peugeot 205 GTI

Peugeot 205

A francesa Peugeot também trilhou a estrada do sucesso dos GTI ao apresentar em 1984 o 205 GTi. O modelo caracteriza-se pelo pioneirismo de uma geração de pequenos automóveis com carácter acentuadamente desportivo. A primeira geração recebeu motor 1.580 cc com 105 cv e muito potencial evolutivo. Tanto, que a marca aprimorou o produto e passa a disponibilizar versões mais potentes. 115 cv e, mais tarde, salta para um interessante motor 1.9 litros que debitava 126 cv (bloco sem catalisador). Tendo em conta que o 205 GTi marcava apenas 830 kg na balança não é preciso dizer mais nada. Rapidez e agilidade caracterizavam o GTi francês que cumpria o tradicional 0-100 km/h em 9 segundos e anunciava, a plenos pulmões, 190 km/h de velocidade máxima. Foi um dos modelos mais apetecidos para desfilar a sua rapidez pelos mais diversos campeonatos desportivos, vulgo ralis. A Peugeot utilizou ainda a sigla GTi em outro modelo de grande sucesso, o pequeno 106.

O endiabrado: Citroën AX GTI

Citroen AX

Eis mais um clássico dos GTi. Outro francês que apareceu de mansinho e de repente conquista meio mundo. 1990 marca o seu “nascimento” e logo atrai os adeptos da condução desportiva, dos ralis e os amantes de condução desportiva. Chassis bem elaborado (partilhado com o Peugeot 106 GTi), curta distância entre eixos, motor potente (1.360 cc que debitava 100 cv) e peso a atirar para os 795 kg. Estava dada a receita para o sucesso do endiabrado AX GTi. A velocidade máxima era de 200 km/h.

O outsider: Suzuki Swift GTI

Suzuki Swift

Do outro lado do Mundo chegou o Suzuki Swift GTI. Muito diferente no que toca a design do que a Europa estava habituada. Não esquecer que estamos nos anos 1980,  e que o Swift, mesmo assim, impôs algum respeito aos GTI alemães e franceses. Compacto e ágil era senhor de uma dinâmica fora do comum. Equipado com motor 1.3 litros Twin Cam, a debitar 100 cv a marca anunciava o 0-100 km/h em apenas 8 segundos. Ao contrário dos rivais estava equipado com suspensão McPherson e possuía uma pequena, grande diferença: tinha travões de disco às quatro rodas.

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