Miguel Pinto
Miguel Pinto
08 Jan, 2026 - 12:30

Habitação para jovens: Governo reforça garantia pública

Miguel Pinto

O programa de garantia pública para a aquisição de habitação por parte dos mais jovens, foi reforçado com 275 milhões de euros.

garantia pública para comprar casa

O Governo anunciou um novo reforço da garantia pública destinada a facilitar o acesso dos jovens até aos 35 anos ao crédito habitação.

A medida contempla um aumento de 275,8 milhões de euros, distribuídos pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) e pelo Banco CTT, reforçando o apoio estatal à aquisição da primeira habitação própria e permanente.

De acordo com o despacho n.º 237/2026, publicado em Diário da República, a CGD receberá um reforço de 250 milhões de euros e o Banco CTT de 25,8 milhões de euros.

Este ajuste surge na sequência de pedidos apresentados pelas duas instituições, que esgotaram os limites inicialmente atribuídos devido à elevada procura da medida.

Este é já o segundo reforço aprovado pelo executivo de Luís Montenegro. Em setembro de 2025, tinha sido aprovado um aumento de 350 milhões de euros, elevando o valor total da garantia para 1.550 milhões de euros.

Como funciona a garantia pública do Estado

A garantia pública para o crédito habitação foi criada para ajudar os jovens a ultrapassar uma das principais barreiras no acesso à casa própria, a entrada inicial exigida pelos bancos.

Condições principais

  • O Estado garante, enquanto fiador, até 15% do valor da transação
  • Permite que os jovens obtenham financiamento até 100% do valor de avaliação da casa
  • Contrasta com o limite de 90% que vigora para a generalidade dos clientes
  • Aplica-se a contratos assinados até 31 de dezembro de 2026

Requisitos de elegibilidade

  • Ter entre 18 e 35 anos (inclusive) no momento da compra
  • Adquirir a primeira habitação própria e permanente
  • O valor do imóvel não pode exceder 450.000 euros
  • Rendimentos anuais não superiores ao 8º escalão do IRS (cerca de 81.000 euros de rendimento coletável)
  • Não ser proprietário de outro imóvel habitacional

A garantia tem uma vigência de 10 anos a contar da data de início do contrato, extinguindo-se antes se todas as obrigações do mutuário forem cumpridas.

Números revelam forte adesão à medida

Os bancos portugueses utilizaram até novembro 52,8% do montante total atribuído pelo Estado, num total de 626 milhões de euros através de 22.933 contratos com um valor acumulado de 4.544 milhões de euros.

A procura tem sido particularmente elevada. De acordo com dados do Banco de Portugal a compra de casa por jovens com garantia pública representou 26,5% do montante dos novos créditos à habitação e 23,2% dos contratos nos primeiros 11 meses de 2025.

O valor médio dos empréstimos concedidos ronda os 200.000 euros e na CGD, cerca de 40% dos jovens elegíveis optaram pela garantia. No caso do Santander, por exemplo, a percentagem ultrapassa os 50%.

Isenções fiscais reforçam apoios

Para além da garantia pública, o Governo criou em 2024 um conjunto de isenções fiscais que complementam o apoio aos jovens.

IMT Jovem e Imposto de Selo

  • Isenção total de IMT na compra da primeira habitação própria e permanente
  • Isenção de Imposto de Selo
  • Mais de 70.000 jovens já foram abrangidos pelas isenções fiscais, e cerca de 23.000 beneficiaram da garantia pública

IRS Jovem

  • Programa que visa atrair e reter capital humano qualificado
  • Benefícios fiscais adicionais para jovens trabalhadores

O reforço da garantia pública surge num contexto de pressão crescente no mercado imobiliário português, onde os preços elevados e as exigências de entrada inicial têm constituído barreiras significativas para os jovens que pretendem adquirir casa.

Atualmente, 18 instituições bancárias estão autorizadas a conceder crédito habitação com garantia do Estado.

É importante sublinhar que a garantia pública apenas se aplica a contratos formalizados até 31 de dezembro de 2026. Os jovens interessados devem, portanto, planear a sua compra dentro deste período para poderem beneficiar do apoio estatal.

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