Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
21 Jul, 2020 - 12:16

Pandemia por COVID-19: qual o impacto no mercado imobiliário?

Mónica Carvalho

O Governo decretou algumas medidas durante o Estado de Emergência. Mas agora que estamos em período pós-confinamento, qual o impacto no mercado imobiliário?

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Em altura de pandemia devido à doença COVID-19, foram criadas inúmeras medidas de proteção aos cidadãos, quer ao nível dos serviços, deslocações, emprego e área social. Mas qual o seu impacto no mercado imobiliário agora que o período de desconfinamento se desenrola, ainda que a diferentes ritmos em determinadas zonas do país?

Para o Governo, a prioridade era

“conter a pandemia, salvar vidas e assegurar que as cadeias de abastecimento fundamentais de bens e serviços essenciais continuam a ser asseguradas.”

Como tal, proteger a habitação era, igualmente, uma prioridade.

Impacto da pandemia no mercado imobiliário

A compra de uma casa é, provavelmente, o maior investimento que cada pessoa ou família fará ao longo da vida, pelo que é natural que este assunto seja alvo de preocupação por parte dos portugueses. Não só pelas repercussões que a pandemia possa ter nas condições dos créditos habitação, como também pela perda de rendimento decorrente das situações de layoff e de desemprego que se tem registado nos últimos meses.

Mas como será, afinal, o mercado imobiliário pós-pandemia? As pessoas procuram diferentes tipos de habitação? As casas ficarão mais baratas? Tome nota do que já se sabe.

mulher na casa nova

Novas necessidades de habitação

Semanas e semanas fechados em casa levou muitos portugueses a repensarem na sua casa de sonho, que permita dar resposta às necessidades e estilos de vida emergentes: nomeadamente ter mais qualidade e mais espaço, inclusivamente exterior, para aproveitar ao máximo o tempo passado em casa, seja por obrigação, seja por vontade.

Ter apartamentos com varandas amplas ou terraços, casas com jardim para relaxar e viver ao ar livre e até a possibilidade de ter um espaço específico para criar um home office são requisitos que praticamente toda a gente coloca na checklist para a casa perfeita.

Mas estas novas características consideradas fundamentais não se refletem só na casa: também os escritórios poderão ter de se adaptar à nova realidade que vivemos e que nos foi imposta.

Com a pandemia, o teletrabalho provou ser uma ferramenta eficaz e menos sorvedora de recursos, nomeadamente ao nível da redução da pegada ecológica, menos tempo passado no trânsito, menos carros a circularem na rua e, como tal, menos confusão e poluição, principalmente nas cidades. Nesse sentido, alguns postos de trabalho poderão mesmo tornar-se definitivamente virtuais, pelo que os escritórios poderão ser mais pequenos no futuro.

Por outro lado, poderá verificar-se a tendência na aposta de espaços de coworking, quer para as empresas que criem horários de trabalho alternados, quer para os que preferem continuar a ter uma rotina fora de casa.

Mercado imobiliário em crescimento após confinamento

De acordo com o portal Confidencial Imobiliário, as vendas de casa crescem pelo segundo mês consecutivo e os preços voltam a resistir, após o período de confinamento. Assim, as vendas no setor, que registou quebras a rondar os 50% durante fevereiro, março e abril, têm vindo a recuperar desde maio: “o mercado imobiliário manteve um padrão de elevada resiliência”.

Para tal, poderão ter contribuído as taxas de desconto, “que se situaram em cerca de 8%, ou os preços de venda que, por exemplo no caso de Lisboa, se posicionaram em torno dos 6 mil euros/m2 no segmento de novos e de 3.400/m2 nos usados, em linha com o padrão pré COVID-19”.

De acordo com a mesma fonte, o mês de junho continua a mostrar a boa saúde do mercado imobiliário residencial, altura em que as “vendas de habitação voltam a crescer e os preços confirmam o seu registo de estabilidade.”

APEMIP: “Casas devem ficar mais baratas, mas será apenas um acerto” diz APEMIP

Sobre o impacto no mercado imobiliário, a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária (APEMIP) acredita que as casas vão ficar mais baratas devido à COVID-19. Porém esse decréscimo não deverá ser significativo, antecipando-se, antes “um acerto de preços e não uma desvalorização semelhante à crise de há 12 anos.”

Tal fator deve-se ao facto de não haver “excesso de casas à venda, nem há pressão sobre os créditos à habitação”, defende Luís Lima, presidente da associação.

contas orçamento

Portugal continua a ser atrativo

Apesar de não se verificarem muitas das expetativas criadas, principalmente, para quem procura casa, visto que o valor das casas e das rendas se tem mantido relativamente estável e não sofreu um decréscimo acentuado, o setor imobiliário em Portugal continua a ser atrativo por vários motivos.

Em primeiro lugar, o país tem um clima agradável, é seguro e pacífico, pelo que o investimento estrangeiro deverá manter-se nos níveis a que estamos habituados. Até porque, ainda que as viagens não estejam repostas a 100% e não haja previsão de quando tal acontecerá, a possibilidade de comprar e vender imóveis à distância é hoje uma forte realidade.

Desde visitar casas online, através de fotografias e vídeos que se criam com elevada qualidade, ao facto de os notários e as agências imobiliárias passarem a ter acesso direto à informação predial dos imóveis, atualmente, existem novas formas de adaptação a esta realidade e ajudam a manter a boa saúde do setor.

Além disso, o que pode ser menos positivo para os portugueses, para os estrangeiros é um fator atrativo: os preços do imobiliário em Portugal são altamente competitivos face ao de outros países europeus.

Medidas criadas durante o estado de emergência

No decreto-lei que procedeu à execução da declaração do estado de emergência pedida pelo Presidente da República, o artigo 10º fazia referência aos “Efeitos sobre contratos de arrendamento e outras formas de exploração de imóveis”.

Nesse sentido, o Governo proibiu a

“resolução, denúncia ou outra forma de extinção de contratos de arrendamento” habitacional ou comercial. Na prática, verificava-se, assim, a suspensão dos prazos dos contratos de arrendamento ou das suas renovações, protegendo os inquilinos e “garantindo o seu direito à habitação”.

Logo, ninguém podia ser despejado, nem nenhum contrato de arrendamento poderia terminar enquanto vigorava o estado de emergência, nem mesmo quem tinha o parque de campismo como morada de residência, ainda que este fosse um dos locais obrigados a encerrar durante o confinamento.

Além disso, questões relacionadas com contas bancárias, créditos, aquisição de imóveis e realização de escrituras, entre outros temas de interesse e associados a estes serviços, puderam continuar a ser desenvolvidos e tratados.

Fontes

  • Despacho n.º 3547/2020 – Regulamenta a situação dos utentes dos parques de campismo e de caravanismo e das áreas de serviço de autocaravanas
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