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André Freitas
André Freitas
06 Ago, 2020 - 11:05

Mild Hybrid: um sistema híbrido, que não é bem um híbrido

André Freitas

Saiba como funcionam os novos sistemas Mild Hybrid que melhoram os consumos de combustível e reduzem as emissões de gases, sem tornar o carro num híbrido.

carro híbrido

Os combustíveis fósseis estão em vias de extinção e a eletrificação total dos automóveis parece mesmo ser o futuro. Atualmente, existem várias tecnologias que querem reduzir o uso dos combustíveis fósseis. Desde carros elétricos, carros híbridos, híbridos plug-in e agora, carros com tecnologia Mild Hybrid.

Contudo, algumas destes tecnologias são bastante recentes ainda há bastantes consumidores confusos. Com nomes tão parecidos, caso não esteja informado, torna-se complicado perceber quais são as diferenças entre elas.

Estas tecnologias são excelentes alternativas para as fabricantes automóveis cumprirem as novas normas impostas. Porém, para os fabricantes há um outro desafio: oferecer um veículo apelativo para o consumidor e que atinja os objetivos de vendas, e que não “assuste” o consumidor menos informado.

Saiba como funciona a tecnologia mild-hybrid, conheça as suas vantagens e entenda o porquê de estar a ser tão utilizada.

O que é o sistema Mild hybrid?

Honda CR-V 2019

Os mild hybrid ou MHEV (Mild Hybrid Electric Vehicle) são veículos constituídos por um motor de combustão, mais uma máquina elétrica que funciona como uma espécie de gerador.

Este sistema é classificado como mild hybrid porque a máquina elétrica funciona como um gerador de energia, e não como um motor. Caso contrário, seria um “full hybrid”.

O sistema mild hybrid não pode funcionar exclusivamente com um motor elétrico. Em contrapartida, o full hybrid tem 3 modos de funcionamento: exclusivamente elétrico, em modo híbrido ou só com o motor a combustão.

Qual é a função da máquina elétrica?

A máquina elétrica de um mild hybrid, com um sistema elétrico de voltagem inferior a 60V, serve apenas para auxiliar o motor a combustão e não necessita ser ligado a uma fonte de energia para carregar.

A grande inovação deste sistema elétrico é que permite que o motor a combustão (diesel ou gasolina) se desligue quando o veículo circula abaixo de 17 km/h, ou quando estiver em desaceleração (abaixo também desta velocidade).

Este novo sistema pode ser considerado, na realidade, como um sistema start and stop mais avançado.

O desligar do motor não compromete qualquer outra função do automóvel (rádio, ar condicionado, entre outros), apresentando, até, uma maior suavidade no arranque do motor. 

Como funcionam os motores mild hybrid?

Para perceber o funcionamento, de forma básica, deste sistema é necessário conhecer estes três conceitos:

  • BiSG (Belt Integrated Starter Generator): sistema integrado motor elétrico-gerador ligado através de uma correia. Atua como gerador durante a travagem, como motor de arranque e como motor elétrico em acelerações;
  • Bateria de iões de lítio inferior a 60V: armazena a energia elétrica gerada durante as desacelerações e travagens, para depois ser utilizada na aceleração;
  • Transformador de corrente contínua DC-DC: ao substituir-se o alternador pelo sistema BiSG, incorpora-se um transformador para carregar a tradicional bateria de 12 V, que aciona sistemas auxiliares como luzes, rádio, etc.

Porque este sistema está a ser tão usado na indústria automóvel?

Novo Ford Puma

Este sistema foi a forma mais barata, fácil e rápida que os fabricantes encontraram para apresentar um veículo que cumpre as novas normas relativamente aos limites de emissão de gases poluentes.

Utilizando este sistema, é possível obter uma redução a nível de consumos na ordem dos 10 a 15%.

Projetar e construir um automóvel do zero ficaria bastante mais caro. Ao utilizar a tecnologia mild hybrid, os fabricantes não necessitam fazer grandes alterações aos modelos já existentes no mercado. 

Os automóveis atualmente no mercado com esta tecnologia são, por exemplo, o novo Ford Puma e o novo Range Rover Evoque.

Híbrido plug-in vs Mild hybrid

As necessidades do consumidor definem as suas preferências, mas, de uma forma genérica, é possível apontar aquelas que são as vantagens ou desvantagens de um sistema MHEV, por oposição a um sistema PHEV.

Vantagens:

  • o fabrico de um MHEV é ​​mais barato do que o fabrico de um híbrido plug-in;
  • os MHEV tendem a ser mais leves por terem baterias mais pequenas, o que ajuda a reduzir os consumos;
  • ao adquirir um MHEV beneficiará de um desconto de 40% no Imposto Sobre Veículos (ISV).

Desvantagens:

  • não funcionam apenas com energia elétrica;
  • apresentam, geralmente, maiores emissões de CO2 que os híbrido plug-in;
  • ao adquirir um PHEV beneficiará de um desconto de 75% no Imposto Sobre Veículos (ISV) e, ainda, uma redução no Imposto Único de Circulação (IUC);
  • não é possível deduzir o IVA.

Outras tecnologias “elétricas”

carros eletricos a carregar

Como referido inicialmente, existem vários e diferentes tipos de tecnologia. Já lhe explicamos como funciona o mild-hybrid, resta agora apresentar-lhe e explicar-lhe como funcionam as restantes.

100% elétrico

Esta é a tecnologia mais simples de compreender. Os automóveis 100% eléctricos são isso mesmo: 100% elétricos.

Movidos, na sua totalidade, através de energia elétrica, não possuem qualquer motor de combustão.

Podem ter uma autonomia maior ou menor, mas todos requerem carregamentos regulares.

Os modelos 100% elétricos mais vendidos em Portugal, em 2019, foram o Nissan Leaf e o Tesla Model 3.

Híbrido plug-in (PHEV)

O sistema híbrido plug-in, ou PHEV (Plug-in Hybrid Electric Vehicle) combina o motor elétrico com o motor a combustão.

O motor elétrico permite percorrer cerca de 50 quilómetros apenas recorrendo a este tipo de energia, o que significa que, durante esse percurso, o veículo está a circular em modo 100% elétrico e não há lugar a emissões poluentes.

Este tipo de automóveis podem circular de três formas distintas: utilizando apenas o motor elétrico, utilizando apenas o motor a combustão, ou combinando as duas tecnologias.

É o próprio automóvel que faz a gestão de qual a tecnologia a utilizar.

Quando em circulação, o motor elétrico é carregado através da regeneração realizada na travagem e desaceleração do veículo, e até mesmo através do motor a combustão, caso necessário.

Por este motivo, a bateria deste tipo de veículos é também maior.

Exemplos de híbridos plug-in são o Mercedes Classe E plug-in, BMW 530e, o Mitsubishi Outlander PHEV ou o Volvo XC60 PHEV.

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