Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
18 Mai, 2026 - 19:00

Mundial 2026: o maior torneio de futebol da história arranca em junho

Cláudia Pereira

Mundial 2026 expande para 48 seleções e 104 jogos em três países. Saiba datas, sedes, impacto económico e quanto custam os bilhetes.

A 11 de junho de 2026, o Estádio Azteca na Cidade do México recebe o pontapé de saída para o maior Campeonato do Mundo de futebol de sempre. Esta será a primeira edição com 48 seleções, distribuídas por 16 cidades em três países da América do norte (Estados Unidos, Canadá e México) e disputará 104 jogos ao longo de 39 dias. Para os adeptos portugueses e para a economia global, o impacto promete ser histórico.

Os Estados Unidos receberão a maioria das partidas com 78 jogos, incluindo todas as fases eliminatórias a partir dos quartos de final. O México e o Canadá ficarão com 13 jogos cada. Mas as diferenças vão além do número de partidas: o impacto económico global do evento poderá ultrapassar os 80 mil milhões de dólares, com um contributo de 40,9 mil milhões de dólares para o PIB mundial. É dinheiro a circular em hotéis, restaurantes, transportes e comércio durante seis semanas ininterruptas.

Três países, 16 cidades e um formato inédito

A escolha tripla foi aprovada em 13 de junho de 2018, durante o 68.º Congresso da FIFA, tornando-se a primeira vez que três países organizam conjuntamente uma Copa do Mundo. Nos Estados Unidos, as cidades-sede incluem Nova Iorque, Los Angeles, Miami, Dallas, Seattle, Atlanta, Boston, Houston, Kansas City, Filadélfia e São Francisco. No México, os jogos decorrerão na Cidade do México, Guadalajara e Monterrey, enquanto o Canadá utilizará Toronto e Vancouver.

A final está marcada para 19 de julho de 2026 no MetLife Stadium, em East Rutherford (Nova Jérsia), com capacidade para mais de 82 mil espectadores. Este será o terceiro Mundial a jogar-se no Estádio Azteca, que já acolheu as aberturas de 1970 e 1986, mas o primeiro a envolver cerimónias de abertura simultâneas nos três países.

O novo formato divide as 48 seleções em 12 grupos de quatro equipas. Passam à fase seguinte os dois primeiros de cada grupo, mais os oito melhores terceiros classificados, totalizando 32 seleções na fase eliminatória. Mais jogos, mais estádios, mais equipas e uma janela de oportunidades sem precedentes para quem quer viajar, investir ou simplesmente assistir ao espetáculo.

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Quanto custa assistir a um jogo de Portugal?

Os bilhetes para os jogos da seleção nacional tornaram-se tema de conversa e não por bons motivos. Portugal integra o grupo de seleções com os bilhetes mais caros da fase de grupos, ao lado de Argentina, Brasil, Inglaterra e dos três países anfitriões. Os preços variam entre 225 euros (categoria 3) e 600 euros (categoria 1) para os três jogos da fase de grupos.

Mas há um jogo que dispara todas as previsões: Portugal-Colômbia, agendado para 27 de junho em Miami, é um dos jogos mais procurados do torneio. No mercado de revenda, os bilhetes mais baratos rondam os 2.500 dólares (cerca de 2.125 euros), ultrapassando o preço médio da Super Bowl. Para quem se questiona sobre o motivo, a resposta tem três ingredientes: ambas as seleções estão no top 15 do ranking FIFA, quase 500 mil colombianos vivem na Flórida e existe a possibilidade ou o receio de este ser o último Mundial de Cristiano Ronaldo.

A FIFA respondeu às críticas criando o bilhete adepto, com preço fixo de 60 dólares (cerca de 51 euros) para todos os 104 jogos da competição. Mas o número é limitado: entre 400 e 750 bilhetes por jogo, distribuídos pelas federações nacionais. Com 20 milhões de pedidos já recebidos, as probabilidades de conseguir um destes ingressos são reduzidas.

Impacto económico: turismo, emprego e receitas bilionárias

O Mundial de 2026 deverá atrair cerca de 6,5 milhões de adeptos aos estádios, sendo que 40% serão turistas internacionais. Muitos viajarão acompanhados, ampliando o efeito multiplicador nas economias locais. As projeções indicam que os visitantes permanecerão, em média, 12 dias nos países anfitriões, com um gasto diário estimado em 416 dólares por pessoa.

As estimativas apontam que a edição de 2026 pode gerar 10,9 mil milhões de dólares em receitas diretas para a FIFA, acima dos 7 mil milhões registados no Catar 2022. Os direitos de transmissão devem ultrapassar os 4,2 mil milhões de dólares, os contratos de patrocínio cerca de 2,8 mil milhões e as receitas de dia de jogo como ingressos e hospitalidade, podem atingir os 3 mil milhões.

Os hotéis, restaurantes e transportes preparam-se para picos de procura. Em cidades como Los Angeles, as tarifas médias diárias de hotéis, normalmente à volta dos 227 dólares, devem subir 90% durante o evento, chegando a 480 dólares. É dinheiro a circular, mas também inflação de serviços que pode afastar o turismo tradicional durante o período do Mundial.

Portugal em campo: onde e quando

Portugal estreia-se a 17 de junho em Houston, frente à República Democrática do Congo, no NRG Stadium. A equipa regressa ao mesmo estádio para defrontar o Uzbequistão a 23 de junho, antes de fechar a fase de grupos contra a Colômbia a 27 de junho, no Hard Rock Stadium em Miami.

Caso vença o grupo K, Portugal enfrentará um dos melhores terceiros classificados nos 16 avos de final, em Kansas. Os oitavos de final serão em Vancouver, os quartos novamente em Kansas, as meias-finais em Atlanta e a final em Nova Jérsia. Cada fase tem o seu preço: os quartos de final variam entre 455 e 1.076 euros, as meias-finais entre 770 e 2.586 euros e a final exige um mínimo de 3.561 euros, podendo chegar aos 7.387 euros nas melhores categorias.

Um torneio entre a ambição e a acessibilidade

O Mundial 2026 promete ser um marco na história do futebol, pelo número de seleções, pela dispersão geográfica, pelo impacto económico e pela controvérsia em torno dos preços. Para os adeptos portugueses, há vantagens e desafios: mais jogos significam mais oportunidades de ver a seleção jogar, mas também custos elevadíssimos para quem quer estar presente.

Para as economias locais, o desafio passa por transformar o evento num legado duradouro, em vez de um pico isolado de receitas seguido de elefantes brancos. A rentabilidade real da Copa de 2026 dependerá menos do faturamento bruto e mais da eficiência operacional de cada sede.

Enquanto isso, os adeptos fazem contas, procuram bilhetes e planeiam viagens. Uns terão de escolher entre assistir ao jogo ou visitar o país da seleção favorita. Outros contarão os dias até 11 de junho, quando o Estádio Azteca voltar a receber o arranque de um Mundial, desta vez com 48 seleções, 16 cidades e uma pergunta por responder: será este o formato do futuro?

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