Share the post "300 anos e as primeiras obras: Palácio de Mafra reabre em julho"
O Palácio Nacional de Mafra, erguido por ordem de D. João V no século XVIII, nunca tinha passado por uma intervenção de conservação e restauro à escala do que está agora a acontecer.
Financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), estas obras de 7,3 milhões de euros devolvem cor, segurança e dignidade a um dos maiores monumentos barrocos do mundo e preparam-no para as comemorações dos seus 300 anos, em 2030.
Os trabalhos estão alinhados com o propósito de terminar em julho, apesar de alguns atrasos provocados pelo mau tempo do último inverno.
A empreitada abarca a basílica (encerrada ao público há dois anos), a biblioteca, as coberturas e as fachadas.
Não é apenas uma obra de restauro, é uma oportunidade que, segundo os técnicos envolvidos, não tem precedente registado na história do palácio.
Palácio de Mafra: o que foi feito dentro da basílica

A intervenção na basílica é essencialmente conservativa. O objetivo foi valorizar os espaços e mitigar situações de risco, nomeadamente fragmentos que estavam em queda, juntas abertas e infiltrações.
Também nunca houve uma obra de limpeza. E agora o ‘timing’ era certo, não só pelo financiamento, mas também porque já havia problemas que inviabilizavam o usufruto normal da igreja.
E o perigo era real. A pedra do encarnadão (um calcário fossilífero muito utilizado na construção) quando exposta à água e a infiltrações, desfaz-se. Os fósseis soltavam-se a 60 metros de altura.
Tinha-se chegado a um ponto em que a segurança dos visitantes estava comprometida.
A cor que D. João V sempre quis
Há aqui um detalhe histórico que merece atenção. No século XVIII, D. João V mandou construir o palácio em pedra de vários tons (amarelo e encarnado do lioz) precisamente para dar cor ao interior sem recurso a pinturas.
Uma opção arquitetónica deliberada e sofisticada para a época.
Com o tempo, séculos de pó e de ausência de limpeza apagaram essa intenção. As superfícies tornaram-se “cinzentas”, indistintas.
O restauro que agora se concluiu devolveu literalmente essa cor e o amarelo e o encarnado voltaram a existir tal como o rei os concebeu.
Quem visitar o palácio em julho verá uma basílica mais próxima do que D. João V idealizou do que qualquer geração viva alguma vez viu.
O que foi intervencionado
- Limpeza e restauro das superfícies pétreas da basílica;
- Eliminação de fragmentos em queda e selagem de juntas abertas;
- Tratamento de infiltrações que colocavam em risco visitantes e estrutura;
- Conservação da biblioteca do palácio;
- Intervenção em coberturas e fachadas exteriores;
- Obras de preparação para a instalação do Museu Nacional da Música (7 milhões de euros adicionais do PRR).
O que ainda fica por fazer
Pela dimensão do palácio, estas obras não vão resolver todos os problemas. Ficam por intervir as fachadas exteriores da basílica, as cornijas, os sistemas de drenagem e as caixarias. Há janelas que aguardam ainda a sua vez.
É que estamos perante um dos maiores conjuntos monumentais da Europa. As obras atuais foram a abertura necessária de um processo que, espera-se, continuará.
Museu Nacional da Música encontra casa em Mafra

A par das obras de conservação e restauro, o Palácio Nacional de Mafra receberá também o Museu Nacional da Música.
Este museu possui uma das coleções de instrumentos musicais mais ricas da Europa, com cerca de mil instrumentos datados entre os séculos XVI e XX, de tradição erudita e popular.
A escolha do palácio como sede não é acidental. Mafra alberga o maior conjunto sineiro do mundo (dois carrilhões e 119 sinos) e seis órgãos históricos. É, pela sua própria natureza, um monumento com o som inscrito na pedra.
Um marco para as comemorações de 2030
Estas obras vêm também preparar o monumento para a comemoração dos 300 anos da sagração da basílica”, que se celebrará em 2030.
Em julho, quando as portas da basílica voltarem a abrir, os visitantes verão um monumento que não estava assim há três séculos. Para quem já conhece Mafra, valerá a pena voltar. Para quem ainda não foi, este é o momento certo para ir.