Luana Freire
Luana Freire
10 Nov, 2021 - 12:58

Paracetamol na gravidez: estudo traz alerta

Luana Freire

É isento de receita médica e utilizado no quotidiano por milhares de pessoas. Mas o paracetamol na gravidez é uma escolha segura?

paracetamol na gravidez

É commumente recomendado, mesmo durante a gestação, para tratar febres e dores, mas um novo estudo traz um alerta: o paracetamol na gravidez deve ser administrado com cautela. De acordo com 91 cientistas, dos Estados Unidos e Europa, a prescrição da droga pode induzir a riscos no desenvolvimento fetal.

A avaliação final dos especialistas teve como base estudos científicos publicados nos últimos 25 anos e avisa: o paracetamol na gravidez só deve ser administrado com indicação médica, pelo menor tempo e na menor dose.

Saiba tudo sobre este tema.

Paracetamol na gravidez: tratar dor e febre com cautela durante a gestação

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Um grupo internacional de cientistas defende uma lista apertada de condições para o uso do paracetamol por mulheres grávidas e pede que as autoridades de saúde de todo o mundo revejam as regras para a toma do medicamento.

No estudo coletivo, publicado na revista Nature Reviews Endocrinology, lê-se que o apelo feito agora resulta da avaliação de diversos estudos científicos realizados sobre os efeitos da droga em contexto de experimentos laboratoriais.

Os autores da publicação avisam que os dados são claros: há sinais evidentes de que o paracetamol pode ser sinónimo de risco à saúde do feto. O mesmo estudo pede que mais análises à prescrição destes medicamentos continuem na agenda do dia – e alerta que a sua toma por mulheres grávidas esteja em foco.

Os efeitos negativos na saúde do feto incluem alteração do desenvolvimento, como danos urogenitais (sistemas reprodutivos e trato urinário) e neurológicos.

“Essas descobertas epidemiológicas são apoiadas por estudos laboratoriais que mostram efeitos adversos em modelos animais e celulares”, lê-se na publicação científica.

O paracetamol, também chamado de acetaminofeno, é uma opção de fácil acesso para tratar quadros clínicos de dor e febre. Isto porque as agências regulatórias consideram o seu uso adequado, mesmo sem prescrição médica. Para as mulheres grávidas não é diferente.

Na declaração assinada pelos cientistas, os dados podem ser alarmantes: mais de 50% das gestantes de todo o mundo utilizam o paracetamol.

O que dizem os médicos sobre o assunto

Para a comunidade médica, é cedo para tomar como certos os dados do estudo internacional, especialmente porque os seus testes foram realizados em animais. Especialistas dizem, ainda, que o medicamento, quando usado de forma controlada, é seguro e destacam: a partir das 10 semanas de gestação o feto já está praticamente formado, o que reduz os riscos da toma do paracetamol, por exemplo, a partir daí.

O que todos defendem e estão de acordo é que qualquer medicamento, antes de ser prescrito a mulheres grávidas, deve ser ponderado através da avaliação entre riscos e benefícios – e isso inclui, também o paracetamol, apesar da sua compra ser livre.

Os médicos dizem que situações de febre e dor trazem riscos à gestação e que, por isso, têm de ser tratadas corretamente. Para os especialistas, o paracetamol é ainda é a forma mais segura de tratar essas situações. 

Uma coisa é certa e é a mensagem final da ciência: grávidas não devem fazer a toma desnecessária de qualquer medicamento e devem, sempre, pedir uma opinião ao médico que realiza o acompanhamento da gravidez.

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