Elsa Santos
Elsa Santos
22 Set, 2021 - 10:50

Perda do subsídio de desemprego: quando ocorre e como evitar?

Elsa Santos

O incumprimento dos deveres pode levar à perda do subsídio de desemprego. Entenda o que deve ter em conta para evitar que isso aconteça.

perda do subsídio de desemprego

Se está desempregado e a beneficiar de apoio da Segurança Social, há deveres e obrigações que deve mesmo respeitar, caso contrário sujeita-se à perda do subsídio de desemprego.

Perder o trabalho é sempre uma fase difícil da vida de qualquer pessoa e as prestações sociais podem constituir a única forma de subsistência até surgir uma nova oportunidade de regressar ao mercado. Se é o seu caso, tenha muita atenção a todas as regras. Entre as sanções impostas em caso de incumprimento está a perda do subsídio de desemprego.

Saiba o que deve ter em conta para evitar que isso aconteça.

COMO EVITAR A PERDA DO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO?

A atribuição do subsídio de desemprego implica o cumprimento de deveres para com as duas instituições envolvidas no processo: a Segurança Social e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

perder apoio emprego

Deveres perante a Segurança Social

De acordo com o Guia Prático – Subsídio de Desemprego, o desempregado beneficiário de prestações de desemprego tem o dever de comunicar à Segurança Social, no prazo de 5 dias úteis, desde que toma conhecimento, das seguintes situações:

  • Qualquer situação que leve à suspensão ou ao fim do subsídio;
  • A decisão judicial do processo contra a entidade empregadora (caso o trabalhador tenha terminado o contrato com justa causa e a entidade empregadora não tenha concordado).

Note que para fazer este tipo de comunicação à Segurança Social, deve preencher o formulário Modelo GD 63 – DGSS – Declaração de alterações, disponível no portal da Segurança Social, no menu “Documentos e Formulários”.

O beneficiário tem, ainda, o dever de devolver o subsídio de desemprego que lhe tenha sido pago indevidamente.

Deveres para com o IEFP

Ao ficar desempregado, o primeiro passo para poder solicitar o subsídio de desemprego é a inscrição no centro de emprego. Assim, assume um conjunto de deveres para com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), nomeadamente:

  1. Aceitar e cumprir as ações previstas no Plano Pessoal de Emprego (PPE);
  2. Aceitar emprego conveniente;
  3. Aceitar trabalho socialmente necessário;
  4. Aceitar formação profissional do IEFP;
  5. Aceitar outras medidas ativas de emprego, ajustadas ao seu perfil;
  6. Aceitar as medidas de acompanhamento, avaliação e controlo que lhe forem definidas;
  7. Comparecer nas datas e locais determinados pelo Serviço de Emprego;
  8. Procurar ativamente emprego pelos seus próprios meios e efetuar a respetiva prova junto do Centro de Emprego;
  9. Comunicar, com a antecedência mínima de um mês, a intenção de usufruir do período anual de dispensa de 30 dias do cumprimento das obrigações definidas para os beneficiários das prestações de desemprego;
  10. Comunicar ao Serviço de Emprego, no prazo de 5 dias úteis, a contar da data de conhecimento do facto, sempre que: 
    1. Mudar de morada (mesmo que já tenha efetuado a alteração de residência no Cartão do Cidadão); 
    1. Se ausentar do país, indicando o respetivo período; 
    2. Começar ou terminar o período de duração da proteção na maternidade, paternidade e adoção.
    3. Ficar de baixa por doença — tem de apresentar o Certificado de Incapacidade Temporária para o Trabalho por estado de doença (CIT) inicial e prolongamentos; 
    4. Ficar em situação de incapacidade temporária para assistência inadiável e imprescindível em caso de doença ou acidente, a filhos, adotados ou enteados menores de 12 anos, ou a deficientes — mediante a apresentação do CIT.
    5. Começar a trabalhar (por conta de outrem ou por conta própria).

O que justifica estes deveres?

Os deveres do desempregado para com a Segurança Social justificam-se pelo facto de beneficiar do subsídio de desemprego, um apoio do Estado, com o objetivo de colmatar temporariamente a perda de rendimentos do beneficiário.

Por sua vez, o IEFP promove a reinserção no mercado de trabalho, nomeadamente através de orientação e formação.

Em contrapartida, por estes apoios o desempregado compromete-se a respeitar determinadas regras, sob pena de sofrer sanções, no limite, a anulação da inscrição no centro de emprego e a perda dos subsídio de desemprego.

Dispensa de deveres

Apesar da importância que os deveres assumem para o beneficiário de subsídio de desemprego, de acordo com a lista de direitos e deveres do IEFP, o mesmo pode “usufruir da dispensa do cumprimento das obrigações definidas para os beneficiários das prestações de desemprego, até ao limite de 30 dias consecutivos, por ano.”

Para isso, só tem de comunicar ao centro de emprego da sua área de residência, com a antecedência mínima de 30 dias seguidos, qual o período em que pretende gozar a respetiva dispensa. Dessa forma, estará, temporariamente, livre de quaisquer deveres.

PERDA DE SUBSÍDIO DE DESEMPREGO E OUTRAS SANÇÕES

O incumprimento dos deveres perante o IEFP e a Segurança Social, pode resultar na anulação da inscrição no centro de emprego, assim como à perda do subsídio de desemprego.

Antes disso, há outras sanções previstas.

No caso dos deveres de procura ativa de emprego, de comparecer nas datas e locais determinados pelo serviço de emprego e de aceitar as ações previstas e contratualizadas no Plano Pessoal de Emprego (PPE), o primeiro incumprimento injustificado dá apenas lugar a uma advertência. Já o segundo incumprimento injustificado implica a perda do subsídio de desemprego.

Para todos os outros deveres, a primeira falta injustificada basta para que o desempregado perca todos os direitos e benefícios.

Saiba, no entanto, que tem até 5 dias seguidos, a contar do dia da falta, para justificar perante o IEFP qualquer incumprimento e situação de doença. Se não o poder fazer, a anulação da inscrição determina que só poderá voltar a inscrever-se após 90 dias (seguidos).

Quanto ao incumprimento de deveres perante a Segurança Social, esse pode implicar o pagamento de uma coima entre 100 e 700 euros.

A penalização é ainda mais severa se arriscar trabalhar enquanto está a receber o subsídio de desemprego, mesmo que não se prove que recebeu um salário. A coima pode ir de 250 a 1.000 euros.

Se não comunicar à Segurança Social que começou a trabalhar (a contrato ou a recibo verde), de modo a suspender as prestações de desemprego, pode ficar impedido de beneficiar de subsídio de desemprego ou subsídio social de desemprego até 2 anos.

DESEMPREGO E PANDEMIA

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos à fase mais critica da pandemia mostram um aumento da taxa de desemprego em Portugal, desde o início da crise.

Se a taxa de desemprego em maio de 2021 era de 7,2%, em fevereiro de 2020, imediatamente antes do primeiro confinamento, a taxa fixava-se nos 6,4%. Isso traduziu-se num aumento dos pedidos de subsídio de desemprego.

Segundo números da Segurança Social, em junho deste ano havia 241 687 beneficiários de prestações por desemprego. Em fevereiro de 2020, eram 183 734.

Prolongamento excecional

Caso o seu subsídio de desemprego termine durante o ano de 2021, será excecionalmente prolongado por mais seis meses (artigo 154º da Lei nº 75-B/2020). Este prolongamento é uma medida de apoio aos efeitos da COVID-19 e é feito de forma automática.

Se aguarda uma nova oportunidade de trabalho e beneficia de apoio social, aproveite a oportunidade para se reinventar e evite a perda do subsídio de desemprego. Ele pode ser-lhe tão essencial para sobreviver quanto para dar forma ao seu próprio negócio.

Apoios à criação do próprio emprego
Veja também Apoios à criação do próprio emprego: saiba com o que pode contar
Veja também