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David Afonso
David Afonso
31 Mai, 2021 - 15:11

Rampa da Falperra: de Braga para o mundo

David Afonso

Falar da Rampa da Falperra é falar de história automóvel. Conheça os dados mais marcantes desta prova que encanta e acelera corações.

carros a correr na rampa da falperra

A Rampa da Falperra, em Braga, é um traçado histórico que atrai anualmente milhares de espetadores, mais de 100 pilotos e, um parque automóvel do mais diverso e espetacular que existe na Europa.

Após o cancelamento da edição de 2020, Braga e a Falperra voltam a receber o FIA Hill Climb Masters que terá lugar de 8 a 10 de outubro de 2021. Sim, a mítica rampa vai voltar a receber os melhores pilotos mundiais da categoria de montanha, vencedores dos vários campeonatos nacionais e internacionais.

Com efeito, conheça agora um pouco da histórica por detrás deste local tão especial e que para muitos é o grande evento do ano automobilístico.

Rampa da Falperra: 5,2 Kms de história

A Rampa Internacional da Falperra é uma verdadeira festa popular, atraindo anualmente milhares de adeptos a um percurso emblemático. Com a 41ª edição a chegar em outubro, a Falperra consta do Calendário de Eventos do Campeonato Europeu de Hill Climb da FIA. Para além disso consta também dos Campeonatos Nacionais de Portugal e Espanha.

São 5,2kms, sempre a subir, com um desnível de cerca de 272m, desde a largada no 39 km da EN 309, até o final do 44,20 km, com declives médios de 5%.

O seu traçado tem zonas onde se atingem mais de 220 km/h e algumas curvas emblemáticas. São ela, por exemplo, a “Curva da Morte” e a “Curva do Papa”, um “gancho” à direita, poucos metros antes da meta.

A subida que termina no cume do Santuário do Sameiro.

Mas quando é que começou esta loucura?

A Rampa da Falperra é a mais antiga prova de automóveis que ainda hoje se realiza em Portugal. A primeira corrida ocorreu em 1927 e foi promovida por uma associação local de Braga.

A 2.ª edição ocorreu em 1931, mas já com o selo do Automóvel Clube de Portugal (ACP). Devido à falta de apoios e acordos entre entidades, a competição só foi retomada em 1950, também com a chancela da ACP. Nessa mesmo edição batizou-se como Falperra First Hill Climb.

Oficialmente, todas as edições são contabilizadas a partir dessa edição.

Contudo, em 1976, a Clube Automóvel do Minho (CAM) assumiu a organização da prova e candidatou-se a um concurso internacional para integrar as provas internacionais. Foi também em 1976 que se adotou o traçado que ainda hoje se usa.

Deste ano para a frente, realizou-se anualmente, por tradição em maio, com exceção de 1984, quando se disputaram duas edições no mesmo ano. A primeira foi em maio, apenas ‘nacional’ e a segunda para o Europeu. A FIA integrou a Rampa da Falperra no Campeonato Europeu apenas em 1978.

Entre 2002 e 2009, por falta de entendimento entre as autoridades locais para fazer melhorias na segurança da pista, a corrida não se realizou. Só se voltou a realizar em 2010, quando foram feitas as melhorias.

Em 2013, a prova corria o risco de não se realizar, mas devido à pressão dos amantes da Falperra, a Câmara Municipal de Braga fez o novo pack de melhorias de segurança solicitado pela FIA no mesmo ano.

Daí para a frente, o resto tem sido história, com exceção de 2020, onde a pandemia da COVID-19 obrigou a cancelar a prova, devido às restrições impostas.

carro a correr na rampa da falperra
Foto: Eurico Silva

Pilotos que marcaram a Falperra

Relativamente a pilotos, a lista é extensa e conta com muitos ilustres do automobilismo de Hill Climb. Vejamos alguns feitos:

  • Alfredo Marinho Júnior é o nome do vencedor das duas primeiras edições da prova que se realizaram com quatro anos de diferença;
  • Quando a edição de 1950 foi nomeada de 1ª edição, o vencedor foi José Cabral em Allard.
  • No ano seguinte, o mais rápido pertencia à ‘realeza’: Conde de Monte Real conduziu um Ford até à meta;
  • Nova paragem e o regresso em 1960 teve José Lampreia em Triumph como vencedor;
  • Entre 1985 e 1988, Mauro Nesti fez o tetra. Com a equipa da Osella, levou o seu BMW à vitória;
  • Andrés Vilariño conta com 5 vitórias. Quatro pela equipa Lola T298 e um pela equipa Norma M20;
  • Simone Faggioli, pela Norma e pela Osella é o recordista de títulos, último dos quais em 2018. Ao todo, o piloto italiano conta com 6 vitórias na Rampa da Falperra;
  • Último dado, mas não menos importante, fazer uma referência a Christian Merli (Osella FA30). Em 2018, apesar de ter ficado a escassos 0,472s de Faggioli, bateu o recorde da rampa, com o tempo de 1m47,890s.

O que esperar da prova em 2021?

Esta edição promete trazer muitas emoções aos aficionados do desporto automóvel. Ainda para mais depois do cancelamento de 2020.

Quando foi assinado um protocolo de cooperação entre a FIA – Federação Internacional do Automóvel, a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) e o CAM – Clube Automóvel do Minho, para viabilizar a realização da prova em Braga, a promessa foi feita.

Através de Ricardo Rio, presidente da Câmara de Braga, o otimismo era claro:

Braga é uma cidade amante do desporto automóvel e que, ao longo dos últimos anos, se habituou a receber grandes eventos desportivos nacionais e internacionais. Infelizmente, fruto da pandemia, tivemos de suspender muitas realizações no último ano e meio, como foi o caso desta prova que estava prevista para o ano transato.

O presidente acrescentou, ainda,

O Município continua empenhado em garantir todas as condições para que Braga continue a ser um espaço de referência a nível nacional e internacional. Sendo que temos a profunda convicção de que este será um ano de retoma no acolhimento de novos eventos.

Com efeito, a Rampa da Falperra é mais uma prova que Portugal consegue organizar e proporcionar eventos automobilísticos que marcam o panorama europeu e mundial.

É uma festa do povo e uma adrenalina para quem participa!

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