Inês Silva
Inês Silva
14 Nov, 2018 - 10:43
Salário emocional: quando o dinheiro não é tudo

Salário emocional: quando o dinheiro não é tudo

Inês Silva

O salário emocional não vem no recibo de vencimento. Há cada vez mais empresas a apostarem na valorização do talento através das mais diversas formas.

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O salário emocional nada tem a ver com pagamentos extra, prémios ou qualquer outro valor numerário. Este tipo de salário pode ter as mais diversas formas e é, no fundo, um conjunto de ajudas que a entidade empregadora disponibiliza aos seus trabalhadores.

Horário flexível, o trabalho à distância, seguros de saúde, benefícios sociais em relação à educação dos filhos, espaços de lazer dentro das empresas, ajudas com pagamento de formação, entre outros benefícios, são exemplos das retribuições não financeiras que não aparecem na folha de vencimento, mas fazem parte do salário emocional.

Se em tempos eram os salários generosos que garantiam às empresas atrair e manter os melhores talentos, hoje em dia, a remuneração deixou de ser o único item avaliado pelos profissionais. As organizações passaram, assim, a oferecer uma série de benefícios adicionais, como ajudas em despesas médicas, creche para os filhos dos funcionários e subsídios para formação, entre outras regalias.

O conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB), que avalia o índice de bem-estar da população, defende a ideia de salário emocional como um complemento ao salário que é oferecido pela empresa.

As emoções são responsáveis por tudo aquilo que o dinheiro não pode comprar e, por isso, são as situações que despertam as emoções positivas, o bem-estar e promovem satisfação pessoal que atraem cada vez mais as pessoas.

Manter a motivação, estimular o envolvimento e conseguir um bom desempenho dos colaboradores, é o objetivo das empresas quando apostam em formas de reconhecer e premiar os funcionários através de ações que façam surgir estas emoções positivas.

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Cabe às empresas, principalmente, conduzir o processo de desenvolvimento dos seus colaboradores e isso irá resultar num ambiente organizacional positivo. Naturalmente, os profissionais também devem fazer a sua parte, demonstrando interesse e procurando melhorar o seu desempenho e aumentar as possibilidades de progressão na carreira. A regra é que as possibilidades de desenvolvimento e crescimento sejam oferecidas a todos, sem distinção.

O que é, afinal, o salário emocional?

bom ambiente trabalho

Falamos de salário emocional quando nos referirmos às vantagens que as empresas oferecem aos seus funcionários para melhorar os seus níveis de satisfação no trabalho sem que isso signifique realmente um aumento salarial.

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Vários fatores, direta ou indiretamente, influenciam o bem-estar no trabalho, mas há dois que são de particular importância: o ambiente de trabalho e a atenção dada ao funcionário pela empresa.

Este tipo de salário reduz a rotatividade dos profissionais, aumenta a sua eficiência e é também um fator fundamental na retenção e captação de talentos.

No fundo, é conjunto de fatores emocionais e motivacionais que fazem com que as pessoas queiram manter-se numa empresa, destacando-se, por exemplo, as oportunidades de progressão na carreira, o reconhecimento do trabalho; o ambiente de trabalho positivo; sentir-se parte da organização, entre outros.

Calcular o salário emocional: 5 aspetos a ter em conta

1. Equilíbrio entre carreira profissional e vida familiar

Poder usufruir de um horário flexível para trabalhar, ou até executar as suas tarefas a partir de casa, permite-lhe mais disponibilidade para, por exemplo, acompanhar os seus filhos.

2. Compensações para além do salário

Compensações que, ainda que não sejam monetárias, podem contribuir para o seu bem-estar e podem até mesmo ajudá-lo a poupar dinheiro na aquisição de serviços.

Seguros de saúde, inscrições em ginásios, creche, infantário ou atividades durante as férias escolares, formação profissional ou cheques-desconto são algumas das compensações que deve ter em conta ao calcular o seu salário emocional.

3. Progressão na carreira

A cultura organizacional vai ao encontro, em termos profissionais, à sua ambição. Ou seja, a empresa oferece oportunidades reais de progressão de carreira.

4. Formação contínua

Há um plano de formação contínua para melhorar as competências técnicas adequadas à sua função e, por consequência, ter melhores condições de trabalho. Também é fomentada a aprendizagem de coisas novas que o vão enriquecer em termos pessoais.

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5. Bom ambiente de trabalho

Acreditar na missão da empresa e todos partilharem da mesma cultura empresarial, faz com que sejam criados laços de confiança entre colegas e fazer parte de uma boa equipa de trabalho é um fator determinante para que se sinta realizado no seu emprego.

10 formas de promover o salário emocional

As empresas têm várias formas de promover esta remuneração emocional junto dos seus colaboradores. Listamos aqui alguns exemplos de incentivos que podem ser colocados em prática pelos empregadores:

  1. Facilidade de comunicação entre colaboradores e superiores;
  2. Programas de desenvolvimento de carreira;
  3. Atividades de teambuilding;
  4. Programas de lazer que incluam as famílias dos colaboradores;
  5. Transparência em relação aos objetivos da empresa;
  6. Flexibilidade na rotina organizacional;
  7. Atividades em datas comemorativas;
  8. Programas de formação;
  9. Avaliações objetivas e diretas;
  10. Reconhecimento e feedbacks positivos.
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