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Teresa Campos
Teresa Campos
28 Out, 2019 - 10:33

Depressão na infância: um problema real a considerar

Teresa Campos

A depressão na infância é uma realidade e, por isso, é um tema que merece ser falado, explicado e divulgado. Fique a saber mais sobre esta patologia.

Criança com depressão

O chamado “mal do século XXI” também afeta as crianças e prova disso é que a depressão na infância é uma realidade. Os estudos e as estatísticas apontam para que esta doença tenha uma prevalência entre 2% a 5%, nas crianças e adolescentes.

Os sinais desta patologia podem, até, passar despercebidos a pais e educadores e, por isso, importa falar sobre eles e expôr em detalhe os sintomas associados à depressão na infância. Fique a perceber esta doença e saiba como agir perante um caso deste género.

Depressão na infância: sintomas e tratamento

Menina isolada e triste

A depressão na infância é uma perturbação psiquiátrica que pode provocar nas crianças alterações ao nível do humor, irritabilidade, instabilidade, agitação psicomotora, comportamentos de oposição, queixas somáticas (dor de cabeça ou dor abdominal) e desenvolvimento de sentimentos de autodesvalorização. Estes sintomas podem trazer consequências para o jovem, assim como para a sua integração no meio.

Sinais de alerta

Algumas vezes, a depressão na infância é confundida com a Perturbação da Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), por isso é importante estar atento aos principais sinais de alerta da depressão nos mais novos, tais como:

  • Humor depressivo, tristeza e/ou choro frequente;
  • Humor instável, com aumento da irritabilidade;
  • Perturbações do sono (insónia ou hipersónia);
  • Alterações do apetite (diminuição ou aumento);
  • Diminuição do rendimento escolar;
  • Falta de concentração;
  • Isolamento social (especialmente na escola);
  • Baixa autoestima e sentimentos de culpa constantes;
  • Extrema sensibilidade à rejeição e ao fracasso;
  • Fadiga, falta de energia;
  • Apatia (perda de interesse por tudo);
  • Queixas somáticas;
  • Agitação psicomotora.

Sintomas, de acordo com a idade

6 meses a 2 anos

  • recusa do alimento;
  • pouco peso;
  • estatura pequena;
  • atraso da linguagem;
  • distúrbios do sono.

2 a 6 anos

  • birras constantes;
  • muito cansaço;
  • pouca vontade para brincar;
  • falta de energia;
  • urinar na cama;
  • eliminação de fezes involuntariamente;
  • muita dificuldade em separarem-se da mãe ou do pai;
  • evitar a comunicação e o convívio com outras crianças;
  • isolamento;
  • crises intensas de choro;
  • pesadelos e/ou muita dificuldade em adormecer.

6 a 12 anos

  • dificuldade em aprender;
  • pouca concentração;
  • isolamento;
  • sensibilidade exagerada e irritabilidade;
  • apatia;
  • impaciência;
  • dores de cabeça e de estômago constantes;
  • alterações no peso;
  • sentimento de inferioridade.

Nota: Naturalmente que muitos destes sintomas são comuns, pelo que o sinal de alerta é quando a manifestação destes comportamentos é persistente e continuada.

Mulher com sinais de depressão
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Causas

A depressão infantil pode acontecer por várias razões e ter diversas causas. Habitualmente, ela surge na sequência de um acontecimento que foi traumático para a criança, como em situações de separação parental, abandono, mudança de escola, doença ou morte de alguém próximo. Há ainda pesquisas que indicam a genética como um fator que pode influenciar a propensão para o desenvolvimento desta patologia.

Contudo, é também importante referir que, nestas idades, a depressão é, muitas vezes, multifatorial, ou seja, pode ser provocada por diversas causas e motivos e não por um só acontecimento, em concreto.

Diagnóstico

Tendo em conta que esta é uma doença delicada e que os pacientes são jovens, o diagnóstico nem sempre fácil e precisa de se socorrer de várias estratégias e informações. É necessário observar e avaliar os sintomas verificados e ponderar  a sua duração, frequência e intensidade.

Além disso, é fundamental ouvir os pais e cuidadores. Em alguns casos, ainda podem ser necessários exames complementares de diagnóstico, como testes psicológicos para despiste de outras patologias (problemas de desenvolvimento, perturbações de comportamento, entre outras).

Tratamento

Em situações mais graves, o recurso a antidepressivos, estabilizadores de humor ou outros psicofármacos pode ser indispensável. Todavia, no geral, opta-se pela psicoterapia individual, a intervenção com a família, com a escola e com outras pessoas e/ou entidades que contactem com a criança.

Como lidar com uma criança deprimida

Quem lida com uma criança a passar por depressão deve adotar alguns comportamentos e atitudes que poderão ajudar o jovem a ganhar confiança, a evitar o isolamento e a aumentar a autoestima, de forma a superar melhor esta fase, tais como:

  • respeitar e mostrar que compreende os sentimentos da criança;
  • incentivar a criança a desenvolver atividades que sabe que ela gosta;
  • elogiar a criança e não a corrigir à frente de outros;
  • estar atento à criança e mostrar-se sempre disponível para ajudar;
  • promover situações em que a criança brinque e interaja com outros miúdos;
  • evitar que a criança brinque sozinha ou se isole no quarto;
  • incentivar refeições ou snacks de 3 em 3 horas;
  • manter o quarto da criança confortável, limpo e arrumado.
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