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Um guia para tempos complicados
Teresa Campos
Teresa Campos
26 Jan, 2021 - 10:11

Surdez súbita, congénita e adquirida. Fique a saber mais

Teresa Campos

A surdez súbita, congénita e adquirida são diferentes tipos de surdez, com causas distintas e tratamentos que também podem variar de caso para caso.

problemas de surdez

A surdez pode ser definida como uma limitação na capacidade auditiva. Este problema pode atingir pessoas de qualquer idade, género e raça. Esta condição prejudica não só a audição, como a linguagem e a capacidade de comunicação.

Esta incapacidade auditiva pode ter diferentes graus, nomeadamente ligeiro, moderado, severo e profundo. Há dois tipos principais de surdez: a hipoacusia de transmissão e a neurosensorial.

Na primeira tipologia, não existe uma boa propagação do som do exterior para o ouvido interno; enquanto na neurosensorial o problema está no ouvido interno, no nervo auditivo e no próprio cérebro. Em alguns doentes, coexistem os dois tipos de surdez.

Surdez: sintomas a que deve estar atento

Geralmente, o sintoma mais evidente de surdez está relacionado com a diminuição ou alteração da audição, dificultando a perceção dos sons e a compreensão das palavras.

Já nas crianças, o sinal de alerta de surdez pode ser o facto da criança registar um atraso na fala, não dizendo qualquer palavra antes dos 15/18 meses. Quando há casos de surdez em crianças com idades entre os 2 e os 5 anos, a causa mais frequente é a otite serosa. Esta situação deve ser diagnosticada e tratada por um médico o mais depressa possível, de modo a evitar infeções agudas e otites crónicas.

Níveis de deficiência auditiva

  • Limiares entre 0 a 24 dB: Audição Normal
  • Limiares entre 25 a 40 dB: Deficiência Auditiva Leve
  • Limiares entre 41 e 70 dB: Deficiência Auditiva Moderada
  • Limiares entre 71 e 90 dB: Deficiência Auditiva Severa
  • Limiares acima de 90 dB: Deficiência Auditiva Profunda
homem a fazer exames auditivos

Causas dos vários tipos de surdez

A surdez tem várias causas possíveis.  Ela pode ser súbita, congénita ou adquirida.

Surdez súbita

Um quadro de surdez súbita traduz-se, como o nome indica, numa perda auditiva repentina, normalmente unilateral. Ela pode ser acompanhada de zumbidos e vertigens e é mais frequente em pessoas entre os 40 e os 60 anos de idade.

Entre as causas deste quadro podem estar:

  • tumor benigno do nervo auditivo;
  • problemas genéticos;
  • doenças auto-imunes;
  • doenças vasculares;
  • doenças infeciosas;
  • doenças tóxicas;
  • doenças traumáticas.

O tratamento deste problema pode passar, entre outras coisas, pela toma de medicação com corticóides sistémicos ou pela injecção trans-timpânica. Em alguns casos, pode ser recomendado o recurso a anti-víricos, trombolíticos e vaso-ativos e vasodilatadores.

Nestas situações, é fundamental a consulta de um médico, capaz de diagnosticar e tratar este problema o mais rapidamente possível.

Surdez congénita

A surdez congénita manifesta-se logo ao nascimento e pode ter origem hereditária, em malformações do ouvido ou estar associada a problemas durante a gestação ou o nascimento, de que é exemplo a infeção da grávida por citomegalovírus. Mais de metade dos casos de surdez congénita estão relacionados com causas hereditárias.

Eis algumas das suas causas possíveis:

  • síndrome de Down;
  • síndrome de Usher;
  • síndrome de Treacher Collins;
  • síndrome de Crouzon;
  • síndrome de Alport;
  • infeções intra-uterinas, como rubéola, citomegalovirus e herpes simples;
  • complicações associadas com o factor Rh do sangue;
  • prematuridade;
  • diabetes materna;
  • toxemia durante a gravidez;
  • anoxia.

Surdez adquirida

A surdez adquirida diz respeito à surdez posterior ao nascimento.

Em algumas situações, ela pode estar relacionada com bloqueios na entrada do ouvido, os quais podem estar associados à presença de cerúmen (cera), corpos estranhos (especialmente no caso das crianças) ou otites externas (infeção da pele à entrada do ouvido, muito comuns em quem frequenta praias ou piscinas).

Outra causa possível da surdez são as otites. Alguns sinais de alerta deste problema são: saída de pus do ouvido; paralisia do nervo facial; meningites ou outras afeções intracranianas.

A osteoespongiose também pode provocar surdez, sendo uma causa normalmente genética e mais comum em mulheres a partir dos 30/40 anos de idade.  Na origem deste problema, está uma alteração do metabolismo ósseo na articulação entre o estribo (um dos ossículos que transmite o som) e a janela oval (membrana interna que comunica para o interior do ouvido).

O neurinoma do acústico é um tumor benigno que também pode provocar uma surdez progressiva, normalmente unilateral.

O envelhecimento ou a presbiacúsia também pode causar surdez, já que se traduz na degenerescência do ouvido interno e de outras partes do sistema auditivo. Neste caso, a perda auditiva é progressiva e atinge, principalmente, as frequências mais elevadas.

Entre outras causas possíveis de surdez, estão:

indivíduo com mão na orelha porque ouve mal

Diagnóstico e tratamento

A surdez deve ser devidamente diagnosticada por um médico que terá de recorrer a alguns exames, como: otoemissões acústicas, potenciais evocados, audiometria, impedanciometria, entre outros.

Em termos de tratamentos, eles vão variar bastante, em função da causa da surdez.

Em quadros mais ligeiros, pode ser suficiente proceder à remoção do cerúmen, aplicar algumas gotas e/ou tomar determinados antibióticos.

Noutras situações, pode ser necessário recorrer a uma intervenção cirúrgica. Em caso de otite média com derrame, otite média crónica, otosclerose, exostoses e osteoespongiose, pode ser recomendado fazer uma cirurgia, como miringocentese com colocação de tubos transtimpânicos, timpanoplastia, timpanomastoidectomia técnica aberta ou fechada, cirurgia de exostoses e de otosclerose.

Em determinados pacientes, pode ser aconselhado o recurso a equipamentos específicos, como implantes osteo-integrados e implantes cocleares.

Nas pessoas mais velhas, uma solução para atenuar as consequências negativa da perda auditiva continua a ser o uso de aparelhos auditivos.

indivíduo com mão na orelha porque ouve mal
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Prevenção

Para evitar a surdez congénita, é essencial ter algumas precauções como:

De modo a prevenir a surdez adquirida, é importante tomar algumas medidas, tais como:

  • evitar a exposição ao ruído e aos sons de alta intensidade;
  • controlar os valores tensionais e os níveis de gorduras e açúcar no sangue;
  • não tomar substâncias e/ou medicamentos tóxicos para o ouvido;
  • fazer rastreios auditivos.
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