Miguel Pinto
Miguel Pinto
05 Jan, 2026 - 09:30

Tapada da Ajuda: segredo verde de Lisboa já tem 400 anos

Miguel Pinto

Um passeio na Tapada da Ajuda é não só relaxante, como também uma lição de história sobre Lisboa. Há quanto lá não vai?

pavilhão na Tapada da Ajuda

Há um sítio em Lisboa onde o tempo parece abrandar e que nem toda a gente conhece. Ou não valoriza como devia ser. E a verdade é que não é preciso sair da capital para encontrar 100 hectares de verde, história e sossego.

A Tapada da Ajuda está ali, entre Monsanto e Alcântara, à espera de quem procura um programa diferente, mesmo que paredes meias com a azáfama da grande cidade.

Estamos a falar de um parque botânico murado que já foi Tapada Real. Sim, aquela onde os reis iam caçar. Hoje pertence ao Instituto Superior de Agronomia e está aberta ao público. E o melhor é que a entrada é grátis.

A porta principal fica na Calçada da Tapada e está aberta todos os dias. Pode entrar a pé ou de bicicleta sem pagar nada. E há espaço suficiente para não se cruzares com multidões, mesmo aos domingos.

Tapada da Ajuda: uma história de quase 400 anos

Tudo começou em 1645, quando D. João IV criou oficialmente a Tapada de Alcântara. Era uma zona de caça privada para a família real, cheia de coelhos, lebres e perdizes.

Depois do terramoto de 1755, quando a corte se mudou para o Alto da Ajuda, o espaço passou a chamar-se Tapada da Ajuda. O nome que tem até hoje.

No século XIX, as coisas mudaram. Em 1841 acabou a caça e começaram as plantações de olivais, vinhas, pomares e hortas. A tapada deixou de ser só um parque de lazer e passou a ter uma função agrícola.

Em 1884 aconteceu ali a terceira Exposição Agrícola Nacional. Para o evento construíram o Pavilhão de Exposições, um edifício enorme de ferro e vidro que ainda hoje é um dos ex-líbris do local.

Foi projetado por Luís Caetano de Ávila e continua a ser usado para eventos.

E em 1917 instalou-se ali o Instituto Superior de Agronomia, que ainda hoje gere o espaço e mantém aqui as suas atividades de ensino e investigação.

Caminhar pelos percursos

banco na Tapada da Ajuda

Há três percursos diferentes para explorar a Tapada da Ajuda.

  • Percurso da Tapada. Foca-se na história e arquitetura do lugar
  • Percurso da natureza. Para quem quer ver a flora e fauna
  • Percurso agronómico. Passa pelas zonas de cultivo e vinhas

Pode fazer a vizinha sozinho ou em grupo. Se juntar 15 pessoas, dá para marcar uma visita guiada. Mas, honestamente, andar à solta com um mapa também tem a sua piada.

Descobrir a Reserva Botânica

No Alto da Casa Branca há uma reserva delimitada desde 1923, batizada em 1951 com o nome do botânico António Xavier Pereira Coutinho. É um outeiro calcáreo com uma floresta única de zambujeiros, aquelas oliveiras bravas típicas do Mediterrâneo.

A reserva tem mais de 200 espécies de plantas. Para quem gosta de botânica, é fascinante. Para quem só quer respirar ar puro debaixo de árvores antigas, também funciona.

Ver Lisboa de Cima e fazer um piquenique

Outro ponto de interesse é, obviamente, o miradouro no ponto mais alto da Tapada, a 134 metros de altitude. Dali é possível ver a cidade, o Tejo, tudo. Vale o esforço da subida.

Para repor energias, o Jardim da Parada tem mesas, churrascos e uma zona relvada gigante. É perfeito para um almoço em família. Há até patinhos nos lagos pequenos, o que funciona sempre bem com miúdos.

É verdade que por estes dias está frio, mas nada como ficar com esta sugestão na agenda.

Visitar os edifícios históricos

O Pavilhão de Exposições é impressionante, mas só abre para eventos. Mesmo visto de fora, a estrutura de ferro e vidro é digna de se ver.

Há também um anfiteatro de pedra ao ar livre, semelhante aos anfiteatros romanos, com capacidade para 400 pessoas. Está rodeado de árvores e tem uma atmosfera especial. Às vezes há concertos e peças de teatro.

O Observatório Astronómico também está aqui desde 1861, mas não é de visita livre.

Andar de bicicleta

O terreno é extenso e alguns troços têm subidas puxadas. Mas se tem pernas para isso, de bicicleta consegue cobrir muito mais terreno. É permitido e há ciclistas todos os fins de semana.

Tapada da Ajuda: para famílias ou casais

pormenor de edifício na Tapada da Ajuda

A Tapada funciona bem para miúdos. Há espaço para correrem, animais para observarem (cavalos garranos, esquilos, pássaros), e a possibilidade de fazerem piqueniques sem estarem presos a um restaurante.

O Instituto organiza às vezes atividades de educação ambiental para escolas e grupos. Se tem interesse, é melhor contactar com antecedência.

Se procura um programa diferente para um sábado de manhã ou um fim de tarde, a Tapada oferece sossego. Não é um jardim romântico à antiga portuguesa, mas tem os seus cantos calmos.

O Jardim da Rainha tem bancos forrados a azulejos da década de 1940 com cenas históricas. É um bocado escondido e tranquilo. O tipo de sítio onde se senta e fala sem pressas.

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Dicas úteis para visitar a Tapada da Ajuda

O local está aberto todos os dias, mas os horários mudam. Assim, de segunda a sexta é entre as 8h00 às 18h00, nos fins de semana e feriados no verão das 10h00 às 19h00 e para os fins de semana e feriados no inverno o horário vai das 10h00 às 17h00.

O ideal é ir durante a semana se quiser evitar muita gente. Aos domingos fica mais cheio, mas nada comparado com outros parques de Lisboa.

Localização: Calçada da Tapada (entrada principal), Ajuda, Lisboa

Como chegar

  • Autocarro: várias carreiras da Carris param perto (714, 727, 732, 742, 751, 760)
  • Carro: há estacionamento nas ruas à volta, mas pode ser complicado aos fins de semana

Entrada: Grátis para peões e ciclistas

Acessibilidade: Alguns percursos têm subidas acentuadas, o que pode ser difícil para pessoas com mobilidade reduzida

Levar: Água, roupa confortável para caminhar

Contactos úteis

Para informações sobre visitas guiadas, eventos ou aluguer de espaços, use estes contactos.

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