Durante anos, o nome Toyota MR2 foi sendo sussurrado em fóruns, eventos e conversas de café entre entusiastas. Agora voltou à superfície. Outra vez. E como sempre acontece com o MR2, o assunto mistura esperança, especulação e alguma desconfiança saudável.
Um pequeno vídeo publicado pela Gazoo Racing fez soar as campainhas. Nas imagens, em japonês, Akio Toyoda (chaiman da marca japonesa) confirma estar a trabalhar num carro de dois lugares com motor central.
Carro esse que pretende apresentar já no Tokyo Auto Salon, a arrancar a 9 de janeiro.
O ponto de partida é simples. A Toyota tem mostrado vontade clara de recuperar modelos com identidade forte. Já o fez com o GR Supra. Fê-lo com o GR86.
E continua a investir numa gama GR que olha para quem gosta mesmo de conduzir. Dentro desse contexto, a ausência do MR2 começa a parecer estranha.
Por que é que o Toyota MR2 continua a ser falado
O MR2 nunca foi um carro de massas. E nunca tentou ser. Motor central, tração traseira, tamanho compacto e foco no equilíbrio. Era um desportivo sem excessos e sem filtros. Algo que hoje parece quase fora de época.
Mas é precisamente isso que o mantém relevante. Num mercado cheio de SUVs rápidos e elétricos pesados, a ideia de um desportivo leve volta a fazer sentido. Pelo menos no papel.
Os rumores mais recentes surgem ligados a patentes, declarações vagas de executivos da Toyota e conceitos apresentados em eventos. Nada confirmado. Nada desmentido. O suficiente para alimentar conversas.
Elétrico, híbrido ou algo pelo meio?

Aqui começa a parte menos consensual. Um MR2 novo dificilmente seria um modelo puramente a combustão como os antigos. As regras mudaram. As emissões também. E a própria Toyota tem apostado forte em soluções híbridas.
Uma das hipóteses mais faladas é um MR2 híbrido leve, com motor a combustão associado a apoio elétrico, mantendo o foco no peso e no centro de gravidade.
Outra hipótese, menos popular entre puristas, aponta para um desportivo elétrico compacto.
Aqui está o problema. Um MR2 elétrico teria de ser muito bem afinado para não perder aquilo que sempre definiu o modelo. Leveza, resposta imediata e ligação direta ao condutor. Não é impossível. Mas não é simples.
Onde encaixaria o MR2 na gama atual?
A Toyota tem hoje três nomes fortes no segmento desportivo. GR Yaris, GR86 e GR Supra. O MR2 teria de encontrar espaço sem canibalizar nenhum deles.
A lógica mais apontada coloca o MR2 abaixo do Supra e ao lado do GR86, mas com uma abordagem diferente. Motor central em vez de dianteiro. Menos potência bruta. Mais foco no equilíbrio.
Seria um carro para quem gosta de estradas secundárias. Não para números de aceleração. E isso, curiosamente, é uma lacuna real no mercado atual.
Produção real ou exercício de imagem?
Outra dúvida importante. Mesmo que o MR2 regresse, em que moldes o faria? Produção limitada? Série regular? Modelo global ou apenas para alguns mercados?
A Toyota tem usado a marca GR também como laboratório de imagem. Mostrar que sabe fazer carros interessantes, mesmo que não vendam milhões. Um MR2 moderno encaixa bem nessa estratégia.
Mas há sempre a questão do custo. Desenvolver um carro de nicho não é barato. E o mercado para desportivos compactos continua reduzido, sobretudo na Europa.
O que dizem os sinais oficiais
Até agora, a Toyota nunca confirmou um novo MR2. Mas também nunca fechou a porta. Em várias ocasiões, responsáveis da marca referiram interesse em manter viva a herança de modelos desportivos clássicos.
Além disso, o foco recente da Toyota em plataformas flexíveis e partilha de componentes pode facilitar um projeto destes. Um MR2 moderno não teria de ser desenvolvido do zero. Isso muda muita coisa.
O entusiasmo faz sentido, mas com cautela. O MR2 representa uma ideia que quase desapareceu. Um desportivo simples, compacto e focado na condução. Não no estatuto. Não no ecrã maior.
Mas convém manter os pés no chão. A maior parte dos rumores nasce de interpretações e desejos. Não de planos oficiais.