Miguel Pinto
Miguel Pinto
16 Jan, 2026 - 15:30

Ainda vale a pena fazer os tradicionais depósitos a prazo?

Miguel Pinto

Os depósitos a prazo ainda compensam? Descubra como as taxas dos bancos se comparam com alternativas seguras de poupança.

depósitos a prazo valem a pena?

Depósitos a prazo. O nome soa familiar a quem viveu as últimas décadas a ver os juros crescerem como se fosse uma maratona económica sem fim.

Hoje, porém, a pergunta que muitos fazem é simples e direta. Ainda vale a pena aplicar dinheiro num depósito a prazo perante as taxas que os bancos praticam em Portugal em 2026?

A resposta, como costuma acontecer em finanças pessoais, não cabe numa frase curta. Sabe-se que há alternativas seguras e muitos produtos que fazem (ou não fazem) sentido à luz dos rendimentos reais e da inflação.

Mas a verdade é que cada vez menos portugueses optam por depósitos a prazo tradicionais e aventuram-se noutros instrumentos de poupança.

Depósitos a prazo: rentabilidade e expectativas

Há um tempo não muito distante, os depósitos a prazo prometiam retornos que, mesmo sem entusiasmar, pelo menos protegiam o poder de compra.

Hoje, com taxas de juro nominais algo elevadas comparadas com a década passada, surge outro fenómeno, ou seja, a inflação reduz substancialmente o ganho real.

Taxas de juro mais altas parecem boas notícias à primeira vista. Porém, se o aumento dos preços ao consumidor cresce a um ritmo semelhante ou superior, o juro nominal acaba por não traduzir-se em ganho real de poder de compra.

A partir daqui, surge a grande questão para quem quer fazer uma escolha informada. Afinal vale a pena sacrificar liquidez (a capacidade imediata de levantar o dinheiro) e rendimento líquido (o que sobra depois de impostos) por um depósito que só “parece” oferecer retorno?

O que pesa contra os depósitos a prazo

Primeiro, é importante entender que nem todos os depósitos a prazo são iguais. Alguns bancos oferecem condições um pouco mais atraentes para novos clientes ou para capitais elevados, mas a regra geral em Portugal em 2026 é que as taxas são modestas e raramente superam a inflação esperada. O que isso represneta?

  1. Rendimento real negativo ou marginal quando se considera inflação e IRS sobre os juros.
  2. Perda de liquidez durante o prazo contratado, com penalizações se o dinheiro for levantado antes.

Por isso, apesar de os bancos ainda publicitarem depósitos a prazo, a pergunta que muitos poupadores fazem é se será que vale a pena, ou existem alternativas mais inteligentes e seguras?

Alternativas seguras aos depósitos a prazo

Quem procura alternativas aos depósitos a prazo, mas quer manter segurança e preservação de capital, pode considerar várias opções com características distintas.

Aqui ficam algumas das mais relevantes, organizadas por tipo de objetivo financeiro e perfil conservador.

Certificados de Aforro e Certificados do Tesouro

Para quem quer continuar com solidez e garantias do Estado português, os Certificados de Aforro e os Certificados do Tesouro Poupança Mais representam alternativas interessantes. Estes títulos públicos apresentam algumas vantagens claras.

  • São garantidos pelo Estado português.
  • Pagam juros acima de muitos depósitos tradicionais.
  • Têm regras de resgate mais flexíveis em alguns casos do que um depósito a prazo bancário.

O rendimento também deve ser analisado face à inflação e ao prazo, mas em muitos cenários estes instrumentos acabam por oferecer uma taxa líquida mais confortável do que depósitos semelhantes em bancos.

Obrigações (bonds) de alta qualidade

Outra opção segura são as obrigações de elevada qualidade creditícia, emitidas por governos ou por empresas com rating forte. Aqui, a lógica muda um pouco.

  • Podem pagar juros mais altos do que depósitos a prazo,
  • Têm maior ou menor risco consoante o emissor,
  • Mas ainda assim permanecem relativamente seguros se escolhidos com critério.

No caso de obrigações, a volatilidade no mercado secundário (quando se compram e vendem antes da maturidade) pode influenciar o retorno, pelo que há que ponderar horizonte de investimento e tolerância ao risco.

Fundos de mercado monetário

Os fundos de mercado monetário são outra alternativa que muitos investidores conservadores consideram.

Estes fundos investem em ativos de curtíssimo prazo e tendem a oferecer liquidez diária, com menor risco do que ações ou fundos de obrigações de maior duração.

Embora o rendimento não vá “tirar o fôlego”, estes fundos podem render mais do que alguns depósitos a prazo, sobretudo quando as taxas de juro de curto prazo sobem, sem sacrificar segurança.

Depósitos estruturados (com cuidado)

Há ainda instrumentos chamados depósitos estruturados ou produtos financeiros com ligação a índices ou ativos subjacentes. Estes produtos podem oferecer retornos superiores, mas têm o seu risco.

  • Nem sempre garantem o capital (dependendo da estrutura),
  • Podem ter condições complexas que exigem leitura cuidadosa.

Não são depósitos a prazo típicos e merecem uma avaliação cuidadosa, idealmente com orientação de um consultor financeiro.

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Como escolher entre estas alternativas

A escolha entre depósitos a prazo e estas alternativas seguras passa por responder, com honestidade, a três perguntas.

  1. Qual é o objetivo da poupança? (curto prazo para uma compra específica, fundo de emergência, aposentação etc.)
  2. Qual é o prazo previsto? (meses, anos, décadas)
  3. Qual é a tolerância ao risco? (nenhuma, pouca, moderada)

Por exemplo, quem precisa de um fundo que se torne acessível em poucos meses tende a preferir liquidez imediata (fundos monetários e contas remuneradas), enquanto quem poupa a médio prazo pode encontrar mais vantagem em certificados de aforro ou títulos do tesouro.

Ainda vale a pena fazer depósitos a prazo?

A resposta curta é que pode valer a pena num contexto específico, mas já não é a escolha óbvia e automática que foi no passado.

Para quem valoriza segurança e preservação do capital, opções garantidas pelo Estado ou instrumentos de curtíssimo prazo podem render mais sem expor o investidor a riscos desnecessários.

Porém, como sempre em finanças, a melhor solução depende das circunstâncias individuais, do prazo da poupança e da necessidade de acesso ao dinheiro.

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