Share the post "Vilar de Mouros 2026: quem toca, quando e o preço dos bilhetes"
Fundado numa pequena aldeia do Alto Minho, à beira do rio Coura, o Festival de Vilar de Mouros tem mais de seis décadas de história e a reputação de “Woodstock português” bem ganha. Não por empréstimo, mas por direito próprio.
Em 2026, o festival regressa alargado a cinco dias, entre 18 e 22 de agosto e já revelou os cinco cabeças de cartaz que prometem marcar o verão musical luso.
E este festival tem algo que é difícil de definir com precisão. É a aldeia que recebe o mundo com sorriso e que, durante uns dias de agosto, se transforma num ponto de encontro entre gerações, sonoridades e formas de estar na vida.
À beira do Coura, com o verde do Minho a enquadrar os palcos, o CA Vilar de Mouros é, antes de mais, uma experiência humana. A música é o pretexto. O que fica é a memória.
Festival de Vilar de Mouros: o alinhamento
O alinhamento cobre um espectro sonoro amplo, da energia punk-celta ao blues intimista, passando pelo rock alternativo e pelo metal com sotaque hip-hop.
18 de agosto: YUNGBLUD
O festival abre com o britânico YUNGBLUD, um dos nomes mais energéticos do rock contemporâneo para as novas gerações.
Dominic Harrison (o verdadeiro nome deste artista de Doncaster) regressa a Portugal para apresentar Idols, o seu álbum de 2025, descrito como o projeto mais pessoal e ambicioso da sua carreira.
Será a sua segunda passagem por Portugal, depois da estreia no Campo Pequeno, em Lisboa, em 2022.
19 de agosto: Dropkick Murphys
No segundo dia, os Dropkick Murphys chegam ao Minho pela primeira vez em 16 anos.
A banda de Boston, uma das referências incontornáveis do punk com influências celtas, regressará a Portugal quase duas décadas depois da última atuação no então Optimus Alive.
Trazem consigo For the People, o 13.º álbum de estúdio, lançado em 2025.
20 de agosto: Kasabian

O terceiro dia pertence aos Kasabian, que não atuam em Portugal desde 2014. A banda britânica de Leicester chega a Vilar de Mouros num momento particular, já que a 17 de julho lança Act III, o seu nono álbum de estúdio.
O concerto em Caminha será, portanto, uma das primeiras oportunidades para ouvir ao vivo esse novo capítulo de uma das bandas mais consistentes do rock alternativo europeu das últimas duas décadas.
21 de agosto: Ben Harper & The Innocent Criminals
O quarto dia tem um sabor especial de regresso. Ben Harper volta a Vilar de Mouros 25 anos após a sua primeira passagem pelo festival, um dos concertos mais aguardados da edição para quem conhece a força ao vivo deste músico americano.
Acompanhado pelos The Innocent Criminals, Harper apresentará o seu universo sonoro onde o blues, o soul, o folk e o rock se cruzam de forma orgânica e profunda. O álbum mais recente, Wide Open Light, é de 2023.
22 de agosto: Body Count
A fechar o cartaz principal, os Body Count sobem ao palco para o que promete ser um dos concertos mais intensos do festival.
Liderada por Ice-T e Ernie C, formada em Los Angeles em 1990, esta banda fundiu desde o início o heavy metal com o hip-hop de uma forma que ainda hoje soa visceral e provocatória.
Regressam a Portugal quase três décadas depois da última atuação no país, em 1997, e apresentarão Merciless, o álbum de 2024, numa noite de encerramento que tem tudo para ser memorável.
Vilar de Mouros: o mais antigo festival ibérico
O CA Vilar de Mouros é considerado o festival de música mais antigo da Península Ibérica.
O recinto, instalado junto ao rio Coura, tem uma atmosfera que poucos festivais conseguem replicar, misto de intimismo e capacidade de receber dezenas de milhar de pessoas.
A edição de 2025 recebeu cerca de 55 mil pessoas ao longo dos vários dias, um número que confirma a vitalidade de um evento que já viveu altos, baixos, interregnos e ressurreições.
Uma história com mais de 60 Anos

Tudo começou com um médico e um sonho. António Augusto Barge, natural de Vilar de Mouros, queria colocar a sua aldeia no mapa.
Em 1965, organizou o primeiro festival com o objetivo de divulgar a música popular do Alto Minho e da Galiza e atrair turistas àquele recanto minhoto que ele tanto amava.
Em 1968, o evento ganhou uma dimensão inesperada. Barge conseguiu reunir no mesmo palco a Banda da Guarda Nacional Republicana e cantores de intervenção como Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, uma proeza notável num Portugal ainda sob a sombra do Estado Novo.
A PIDE não ficou indiferente, mas o festival aconteceu.
Foi, porém, em 1971 que tudo mudou. Durante três fins de semana, de 31 de julho a 15 de agosto, Vilar de Mouros recebeu mais de 30 mil pessoas, num festival eclético que misturou música clássica, fado, pop e rock.
O ponto alto foi o segundo fim de semana, dedicado à juventude, com Elton John e Manfred Mann a subirem ao palco.
Hippies de toda a Europa acamparam nas margens do Coura, as hortas locais foram “visitadas” pela multidão esfomeada, e a pequena aldeia minhota transformou-se, por alguns dias, num símbolo de liberdade e contracultura.
A imprensa da época foi imediata na analogia e o Woodstock português tinha acontecido.
A edição resultou num desastre financeiro para a família Barge, que não voltaria a organizar o festival. Mas a semente estava plantada.
De 1982 à modernidade

Em 1982, a Câmara Municipal de Caminha retomou a iniciativa, com uma edição de nove dias que ficou na história.
Os U2, os Echo & The Bunnymen e os Stranglers estiveram em Vilar de Mouros numa altura em que ainda não eram os gigantes que viriam a ser.
Nos anos 1990 e 2000, o festival conheceu períodos de grande fulgor internacional, com nomes como Bob Dylan, Peter Gabriel, Neil Young, Iron Maiden, The Cure, Rammstein e Robert Plant a passarem por Caminha.
Houve também paragens forçadas, disputas entre organizadores e câmara, e uma longa pausa entre 2006 e 2014. Desde 2016, o festival voltou a ser regular, consolidando a sua identidade sob a organização da Surprise & Expectation.
Em 2020, a pandemia cancelou a edição. Em 2021, numa edição especial e limitada a 400 pessoas, festejou-se o 50.º aniversário da mítica edição de 1971. O festival sobreviveu, como sempre.
Bilhetes e informações práticas

Os bilhetes e passes para o CA Vilar de Mouros 2026 já estão disponíveis nos locais habituais.
- Passe de 5 dias (18 a 22 de agosto): 160€
- Passe de 4 dias (19 a 22 de agosto): 130€
- Bilhete diário: 55€
- Entrada gratuita para crianças até aos 6 anos (à data de início do festival)
Os passes de 4 e 5 dias incluem acesso gratuito ao campismo, mediante lotação disponível. Quem adquirir apenas bilhete diário pode comprar um bilhete de campismo por 5€ na bilheteira local.
Para mais informações, consulte o site oficial do festival em festivalvilardemouros.pt.