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20 Dez, 2018 - 05:00
Três em cada dez adolescentes dizem não gostar da escola

Três em cada dez adolescentes dizem não gostar da escola

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Cerca de 30% dos adolescentes dizem não gostar da escola, apontando que “o pior” é a comida do refeitório e as aulas e, o “menos mau”, os intervalos, revela estudo.

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O estudo Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) 2018, uma iniciativa da investigadora Margarida Gaspar de Matos, da Universidade de Lisboa, e da Equipa Aventura Social, é realizado em colaboração com a Organização Mundial de Saúde e conta com a participação de 44 países. Em Portugal, o primeiro estudo foi realizado em 1998, celebrando agora 20 anos.

No estudo, que será apresentado esta quarta-feira, dia 19 de dezembro, em Lisboa, foram aplicados questionários online, em 42 agrupamentos de escolas, num total de 387 turmas, havendo um estudo complementar nos Açores, sendo a amostra constituída por 6.997 jovens do 6.º, 8.º e 10.º ano, a maioria (51,7%) raparigas, com uma média de idades de 13,73 anos.

O estudo pretende estudar os estilos de vida dos adolescentes em idade escolar nos seus contextos de vida, em áreas como o apoio familiar, escola, amigos, saúde, bem-estar, sono, sexualidade, alimentação, lazer, sedentarismo, consumo de substâncias, violência e migrações.

O que dizem os resultados do estudo?

Três em cada dez adolescentes dizem não gostar da escola - Estudo

De acordo com o estudo, 29,6% dos jovens não gostam da escola, considerando que o pior é “comida do refeitório” (58,3%) e as aulas (35,3%) e o “menos mau” são os intervalos/recreios (8,3%).

Os alunos sugerem que, para melhorar a comida do refeitório, esta “ser melhor cozinhada (57,2%)” e “mais variada (44,2%)”.

A grande maioria (80,3%) dos alunos sente-se sempre ou quase sempre segura na escola, enquanto 13,7% referem que sentem muita pressão com os trabalhos da escola.

Já 85,6% disseram que só faltam às aulas quando estão doentes ou têm algum imprevisto, refere o estudo, indicando ainda que 14,2% dos jovens considera-se, na opinião dos professores, “muito bom aluno” e 51,8% avalia-se como um aluno com pouco ou nenhum sucesso académico.

As dificuldades apontadas na escola são que, às vezes ou sempre, a matéria é demasiada (87,2%), aborrecida (84,9%), difícil (82%) e a avaliação “um stress” (77%). Mais de metade aponta a pressão dos pais pelas boas notas.

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A maioria (54,8%) disse que pretende prosseguir os estudos universitários e cerca de um terço dos alunos do 8.º e 10.º anos tem fracas expectativas face ao seu futuro profissional, ou não sabe.

O estudo realça a importância de estarem disponíveis na família, na escola e na comunidade/autarquia “ações com crianças e adolescentes, que promovam o gosto e o usufruto na e pela escola, uma alimentação saborosa e saudável, o aumento de expectativas face à escola, às matérias escolares e ao seu impacto no futuro profissional”.

“O afastamento dos alunos portugueses da escola tem sido referido em relatórios anteriores e estes resultados merecem uma continuidade/incremento de ações de revisão curricular no que diz respeito à adequação, relevância e extensão das matérias escolares”, defende o HBSC.

Sublinha ainda que “o aspeto da gestão da ansiedade relacionada com as avaliações e os trabalhos da escola, bem como a pressão dos pais face às classificações, fica a merecer reflexão”.

O estudo revela também que 79,3% dos adolescentes têm três ou mais amigos, embora 26,4% confessem ser difícil fazer novos amigos. Quase dois terços disseram conhecer pessoalmente todos os seus amigos, enquanto 34,1% referem que têm um ou mais amigos que só conhecem “virtualmente”

Nos tempos livres, 56,6% usam o telemóvel, 46,9% ouvem música e 35,7% dormem, em todos os casos várias horas por dia, e 50,7% afirmam que é a “falta de tempo” que os impede de desenvolver mais atividades de lazer.

Metade dos inquiridos disse que raramente ou nunca lê, 80% raramente ou nunca fazem atividades de voluntariado, 65,7% raramente ou nunca frequentam atividades religiosas e 86% raramente ou nunca têm intervenção associativa ou política.

Nesta área, o estudo defende a importância de “ações com crianças e adolescentes, que promovam a gestão do tempo, o convívio entre pares à volta de atividades de caráter cultural, artístico ou desportivo e ainda, a participação social e exercício da cidadania ativa”.

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Mais de oito em cada dez adolescentes consideram-­se felizes

Três em cada dez adolescentes dizem não gostar da escola - Estudo

Mais de oito em cada dez adolescentes (81,7%) consideram-­se felizes, revela o mesmo estudo, que aponta ainda que 27,6% se sente preocupado “todos os dias, várias vezes por dia”.

De acordo com o estudo HBSC, 21,8% dos adolescentes afirma que quando tem uma preocupação intensa, esta “não o larga” e “não o deixa ter calma para pensar em mais nada”.

Segundo o inquérito, 16,2% dos jovens refere que, “sempre ou quase sempre, não é capaz de controlar coisas importantes da sua vida” e 17,1% afirma que “sempre ou quase sempre, sente que as suas dificuldades se acumulam de tal modo que não as consegue ultrapassar”.

Quase 28% diz que nunca ou quase nunca sente que as coisas lhe correm como queria, e 26,2% nunca ou quase nunca se sente confiante com a sua capacidade para lidar com problemas pessoais.

Os autores do estudo defendem a importância de, na família, na escola e na comunidade/autarquia, “estarem disponíveis ações com crianças e adolescentes que promovam a gestão e autorregulação das emoções, a resolução de problemas, a autoconfiança.

A nível familiar, o estudo revela que, apesar da situação ter melhorado nos últimos anos, apenas 22,5% das mães dos adolescentes têm um curso superior (e 15,5% dos pais).

Outra conclusão aponta que 85,5% dos pais e 85,1% das mães têm um emprego. A maioria considera ser fácil falar com os pais, especialmente com a mãe (85,5%) e um quarto dos jovens confessa ter dificuldades em falar com o pai.

De acordo com HBSC, 71,7% vive com os pais na mesma casa. Dos que não vivem com ambos os pais, 36,3% vive com a mãe e raramente ou nunca está com o pai.

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Mais de dois terços (68,8%) faz todos os dias refeições com os pais e 34,4% todos os dias toma o pequeno-­almoço com os pais. A grande maioria (83,7%) considera que o sítio onde vive é um sítio bom para viver.

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