Escondida num vale verdejante em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, a Aldeia de Pontes é hoje um testemunho vivo de resistência, tradição e amor à terra.
Esta pequena inverneira de Castro Laboreiro, que esteve desabitada durante mais de 15 anos, renasceu e é agora um ponto turístico da região e ponto de passagem para trilhos e caminhadas como só o Alto Minho proporciona.
A Aldeia de Pontes integra o sistema único de povoamento de Castro Laboreiro, uma das características mais marcantes desta freguesia que inclui 19 inverneiras, 18 brandas e 9 lugares fixos.
Este sistema ancestral de transumância refletia a adaptação das populações ao clima rigoroso da serra. Antes da Páscoa, os agregados familiares deslocavam-se com os seus pertences e animais para as brandas de Campelo e de Formarigo, onde encontravam vizinhos vindos de outras inverneiras, regressando a Pontes por altura do Natal.
As inverneiras, como Pontes, situavam-se nas zonas mais baixas dos vales, protegidas dos ventos gélidos do inverno. Aqui, as famílias castrejas viviam nos meses mais frios, cultivando pequenas hortas e criando gado. Quando chegava o calor, subiam com os rebanhos para as brandas, nos planaltos mais frescos e férteis.
Aldeia de Pontes: do abandono ao renascimento
Como tantas outras aldeias do interior de Portugal, Pontes foi vítima do êxodo rural para as grandes cidades e para o estrangeiro, assim como do envelhecimento e desaparecimento das populações que ficaram.
Durante mais de uma década, as casas de granito ficaram entregues ao abandono, os telhados desmoronaram-se e a vegetação tomou conta dos caminhos. Até que um projeto turístico ali nasceu, reavivando a aldeia, ao mesmo tempo que recuperava práticas agrícolas ancestrais, como a pastorícia com vacas da raça cachena, a apicultura, com mais de 40 colmeias, e as hortas tradicionais.
O que fazer na Aldeia de Pontes

A Aldeia de Pontes é ponto de partida para sete trilhos pedestres, com distâncias entre os 2 e os 22 quilómetros e diferentes graus de dificuldade.
Não há nenhum especialmente difícil, a não ser o Trilho da Cabra Montês, mas é aconselhável levar calçado adequado, uma vez que alguns troços são húmidos e pedregosos.
- Trilho Circular de Pontes (2 km): percurso leve ao longo do Rio Laboreiro, passando por antigos moinhos e pelo Poço do Contador
- Trilho da Cascata de Pontes (1,8 km ida e volta): leva à fotogénica cascata que convida a mergulhos refrescantes
- Trilhos de longa distância: até 22 km, para os mais aventureiros
Mergulhos e natureza
As águas cristalinas do Rio Laboreiro são um convite irresistível nos dias mais quentes. O Poço do Contador e o Poço do Moinho são locais ideais para mergulhos revigorantes. A Cascata de Pontes é outra jóia natural a visitar e fotografar.
Nas imediações da aldeia, não perca o aqueduto de Pontes, formado por um canal aberto com cerca de 60 metros sobre pilares de granito, que dão origem a 23 vãos retos, usado antigamente para rega.
O que visitar em Castro Laboreiro

A Aldeia de Pontes é também uma excelente base para explorar Castro Laboreiro e o Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Castelo de Castro Laboreiro (4 km)
As ruínas do Castelo de Castro Laboreiro são classificadas como Monumento Nacional e oferecem vistas panorâmicas de 360º sobre o território castrejo.
A estrutura principal remonta aos tempos de D. Afonso Henriques e testemunha a importância defensiva desta região fronteiriça.
Ponte da Cavada Velha (3 km)
Uma ponte romana que atravessa o Rio Laboreiro, transformada na época medieval numa ponte com tabuleiro em cavalete e dois arcos, classificada como Monumento Nacional desde 1986. O enquadramento natural é absolutamente deslumbrante.
Núcleo Museológico de Castro Laboreiro (4 km)
Instalado na antiga Fábrica de Chocolates de Caravelos, o museu promove a preservação e promoção da história e etnografia de Castro Laboreiro, com destaque para a informação sobre brandas e inverneiras e a necrópole megalítica do planalto.
Planalto de Castro Laboreiro
Castro Laboreiro possui um dos mais ricos patrimónios pré-históricos do país que reúne gravuras e pinturas rupestres, 120 dólmenes datados de há 5000 anos e cistas. O Trilho do Megalitismo (13 km) permite descobrir este património único.
Património religioso
A Igreja Matriz de Castro Laboreiro, construída primitivamente no século XII em estilo românico, e as numerosas capelas espalhadas pelos lugares da freguesia merecem visita.
Gastronomia castreja a não perder
A gastronomia de Castro Laboreiro é considerada património nacional. Os enchidos e o presunto curado são reis, produzidos de forma tradicional nos fumeiros das casas.
Outros pratos típicos incluem a posta da cachena, o cabrito assado no forno a lenha, os rojões, as papas de sarrabulho e a broa de milho. Os queijos de cabra são igualmente notáveis.
Aos domingos, a Feira Típica Castreja realiza-se no Centro Cívico de Castro Laboreiro, oferecendo produtos agrícolas, fumeiro, mel, artesanato e outros produtos regionais.
O cão de Castro Laboreiro
Também imperdível é conhecer o famoso cão de Castro Laboreiro, uma raça canina autóctone reconhecida como Património Genético Nacional, conhecida pela sua robustez, inteligência e lealdade.
Tradicionalmente usado como cão de guarda de rebanhos, distingue-se das restantes raças nacionais por conseguir acompanhar os rebanhos no pastoreio ao longo de todo o dia, sem deixar de perseguir eficazmente predadores como os lobos.
Como chegar a Castro Laboreiro
Castro Laboreiro é bem lá em cima, no cume do Alto Minho. A partir do Porto, a viagem de automóvel demora cerca de duas horas e meia a três horas, consoante o tráfego e o itinerário escolhido.
O percurso mais comum passa pela A3 até Braga e, a partir daí, pela A7 ou pela N201 em direção a Melgaço, seguindo depois por estradas regionais mais estreitas até Castro Laboreiro. Depois pela EM 1160, são 6 quilómetros até a Aldeia das Pontes.
Não existe ligação direta por comboio ou autocarro público eficiente até à freguesia, daí que o automóvel seja a opção mais prática.