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Márcio Matos
Márcio Matos
28 Mai, 2020 - 15:40

Castro Laboreiro: porta de entrada no fantástico Gerês

Márcio Matos

A aldeia de Castro Laboreiro guarda uma série de atrações naturais e históricas para quem a visita. Agende já a sua escapadinha e deixe-se encantar.

Caminho rural em Castro Laboreiro

Castro Laboreiro fica em Melgaço, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, no Alto Minho. Banhado pelo rio Laboreiro, este é um destino mais do que indicado para quem adora História, nomeadamente ficar a conhecer vestígios pré-históricos.

Porém, há muito mais para ver em Castro Laboreiro. A aldeia possui um património arquitetónico muito rico, com destaque para as construções castrejas. Além disso, há todas as práticas e costumes locais que fazem parte desta cultura castreja que tem sabido conservar os seus saberes ao longo dos tempos.

Castro Laboreiro: história e costumes

Ponte velha de Castro Laboreiro

Vestígios pré-históricos

Como já dissemos, este é um destino essencial para quem posta de ficar a saber mais sobre os antepassados e os tempos pré-históricos. Aqui, encontram-se reunidas gravuras e pinturas rupestres, mais de uma centena de dólmenes, datados de há 5000 anos, e monumentos megalíticos funerários como as cistas.

Construções castrejas

O património arquitetónico local é, essencialmente, composto por um tipo de construções tradicionais, as castrejas. Merecem também uma visita o Castelo de Castro Laboreiro (monumento nacional); a Igreja Matriz; o Pelourinho (século XVI) e, ainda, as igrejas medievais, os fornos comunitários, os espigueiros e os moinhos que espelham a história e a cultura desta região.

Além deste exemplares arquitetónicos, importa destacar as muitas pontes representativas das épocas romana ou medieval existentes nesta região, caso das pontes da Dorna, da Capela, Nova ou da Cava Velha e a Velha.

Inverneiras e brandas

Convém recordar que, durante muito tempo, a aldeia de Castro Laboreiro sofreu de um forte isolamento, fruto da sua localização no cimo da montanha, a mais de 1000 metros de altitude. Se, por um lado, esta circunstância pode ter ajudado a conservar muito património material e imaterial, o que é certo é que obrigou a população a unir-se e a proteger-se, nomeadamente dos duros e rigorosos invernos.

Por essa razão, ainda, hoje, em meados do mês de dezembro, por altura dos nevões, as populações de Castro Laboreiro (cerca de 500 pessoas) reúnem as suas roupas, utensílios caseiros e de lavoura e migram em massa para os vales, onde habitualmente têm uma segunda casa e que funciona como segunda habitação, até ao mês de março. São as inverneiras, ou seja, as casas-abrigo para os meses de mais frio.

O que ver e fazer em Castro Laboreiro

cascata de Castro Laboreiro

Núcleo Museológico

Para ficar a saber ainda mais sobre esta aldeia, nada como ir até ao seu museu (sediado na antiga Fábrica de Chocolates Caravelos). Aí são dados a conhecer os hábitos, costumes e tradições desta terra e suas gentes. Esta localidade chegou a ser conhecida como terra das “viúvas dos vivos”, referindo-se às mulheres dos muitos homens que haviam emigrado em busca de melhores condições de vida.

O Núcleo possui um centro de documentação e uma sala audiovisual, além de uma Casa Castreja anexa, onde estão expostas peças de mobiliário, louças, alfaias agrícolas, entre outros objetos.

Trilhos

Hoje em dia, não há terra que não tenha o seu trilho e, afinal, não há melhor maneira de explorar um povoado, enquanto se pratica algum exercício físico. O trilho interpretativo de Castro Laboreiro tem 3 kms e pode ser feito em todo-o-terreno ou a pé. A paisagem é deslumbrante e composta por uma fauna bem rica e viva, composta nomeadamente por javalis, veados, texugos, lontras, águias-reais, lobos, corços e garranos.

Outro trilho pedestre disponível tem cerca de 2 kms e 1h30/2h de duração e liga a povoação ao Castelo. Escusado será dizer que o cenário é encantador, com a sua paisagem rochosa e muralhas medievais.

Igreja Matriz

A Igreja Matriz local tem como orago Santa Maria da Visitação. Ela está datada do século IX, do período pré-românico. Porém, há marcas e caraterísticas de várias fases, a pia batismal românica e a campanha e os contrafortes exteriores góticos. Este imóvel de interesse público tem, no geral, uma aparência barroca, fruto da sua reconstrução no século XVIII.

Castelo de Nossa Senhora da Visitação

Castelo

Um castelo é sempre uma atração e este não é exceção. Imponente e histórico, trata-se de um monumento nacional incontornável. A sua origem remonta ao reinado de D. Afonso Henriques e à defesa das fronteiras do reino. Ao longo dos anos sofreu alterações, também fruto dos ataques a que esteve sujeito.

Moinhos e rio

Ao longo do rio Laboreiro, há um conjunto de moinhos que testemunham a arte da moagem caraterística deste povoado. Dois deles estão bem conservados e situados junto à Ponte Velha. O rio é outro atrativo, repleto de magníficas cascatas que o animam até desaguar na albufeira do Lindoso.

Centro histórico

Uma visita a Castro Laboreiro não fica completa sem um passeio pelo seu centro histórico. Descubra ruas antigas e perdidas no tempo, adornadas por belíssimas casas construídas em pedra de cantaria.

Canil da Raça do Cão Castro Laboreiro

Para quem é fã de patudos, nada mais oportuno do que ir até este canil e ficar a saber mais sobre a raça local (mas com fama internacional!), o Cão de Castro Laboreiro. Neste espaço, pode ficar a saber mais sobre as medidas de preservação e valorização desta raça. E, ainda, contactar com alguns exemplares da espécie.

Gastronomia

Como em qualquer terra portuguesa que se preze, Castro Laboreiro tem produtos saborosos e de qualidade para oferecer a quem por lá passa. É o caso do fumeiro e dos enchidos, ex-líbris da região, feitos de forma tradicional e, por isso, com um gosto e aroma muito próprios.

Mas há mais para comer. Acompanhe tudo com broas centeia e de milho e delicie-se com a carne de cabrito e os bifes de presunto. Para sobremesa, tem protagonismo o bucho doce e a sopa seca de pão duro.

Artesanato

O melhor souvenir que pode trazer desta terra é um símbolo do seu artesanato que é rico e diversificado. Nesta zona trabalha-se cestaria, tamancaria, peças de linho e bordadas e artigos manufaturados com lã pura. Tudo feito à mão, respeitando as técnicas tradicionais e usando matéria-prima de elevada qualidade.

porta do gerês em castro laboreiro

Estrada no Gerês

Uma das portas de entrada do paradisíaco Parque Nacional da Peneda-Gerês é a Porta de Lamas de Mouro. Inaugurada em 2004, foi a primeira das cinco portas do Parque, possuindo várias infraestruturas de apoio aos visitantes.

Assume-se como um espaço privilegiado para o primeiro contacto do visitante com o Parque, denotando também uma vertente mais formativa que visa um turismo sustentável e a preservação da natureza. Por último, afirma-se ainda como um importante polo de desenvolvimento regional, promovendo produtos locais.

Percorra os seus três edifícios e diversos espaços ao ar livre, que abrangem um total de cerca de dez hectares. Na receção pode recolher informação privilegiada sobre todas as vertentes do parque, com destaque para os percursos pedestres. No mesmo edifício, aproveite para merendar no seu café ou para assistir a alguma palestra no seu auditório.

Na Oficina Temática existe um espaço mais vocacionado para atividades lúdico-pedagógicas, com salas dedicadas à pintura, desenho e reutilização de materiais.

Visite também a interessante exposição permanente intitulada “Ordenamento do Território”.

Para finalizar, descontraia na ampla área de lazer exterior, onde pode encontrar belos recantos verdejantes, parques de merendas, balneários e até um parque de campismo. Um bom ponto de partida para partir à descoberta desta magnífica área protegida.

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