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Ana Graça
Ana Graça
29 Ago, 2018 - 15:31

Alimentos transgénicos: qual o seu impacto na saúde?

Ana Graça

Os alimentos transgénicos, frutos da engenharia genética, têm sido alvo de muita contestação. É possível modificar plantas e animais, mas a que custo?

Alimentos transgénicos: qual o seu impacto na saúde?

A alimentação é uma necessidade básica do ser humano, determinante para a nossa sobrevivência, saúde e bem-estar, portanto, todos os assuntos que lhe estão relacionados são de grande interesse e a discussão acerca dos alimentos transgénicos não é exceção. Os alimentos transgénicos têm sido muito discutidos e têm despertado muita controvérsia e muitas dúvidas acerca dos riscos que podem acarretar para a saúde humana.

O que são alimentos transgénicos?

A engenharia genética é um conjunto de técnicas bioquímicas que permitem isolar material genético, separá-lo e inseri-lo dentro do genoma de outro organismo. Os engenheiros genéticos são capazes de retirar ou inserir genes de forma a alterar os genomas de diferentes organismos, que após estas manipulações se designam por organismos transgénicos.

Há quem considere a engenharia genética um instrumento importante para melhorar as características das plantações, fundamental na melhoria do rendimento, redução dos danos causados por pestes e melhoria da qualidade e utilidade dos produtos finais. Alguns exemplos de melhoramentos de plantas são: tomates com amadurecimento retardado; plantas de arroz resistentes a bactérias; batateiras resistentes a vírus; entre outros.

Em suma, os organismos transgénicos são organismos cujo código genético tem inserido um ou vários genes de outras espécies. São alimentos cujos genes foram modificados ou manipulados pelos humanos para que exibam características que não teriam no seu estado natural. Essa modificação é feita por meio de manipulação genética e viabiliza o aparecimento de organismos que nunca existiram na natureza.

O que são alimentos transgénicos?

Quais os malefícios apontados aos alimentos transgénicos?

Não se têm realizado ou publicado estudos suficientes sobre os potenciais efeitos adversos ou benefícios dos alimentos transgénicos para a saúde dos animais e dos humanos, daí que grande parte da população não sinta confiança em relação a estes alimentos.

Muitas questões têm sido levantadas. Os riscos de contaminação biológica, a potencial ameaça à biodiversidade, a eventual criação de novos vírus e os impactos na saúde das pessoas e animais, são questões que têm originado um amplo e aceso debate.

A resistência aos antibióticos por parte de bactérias situadas no intestino é um dos riscos que preocupa a comunidade médica. Também as alergias têm sido apontadas como um dos principais riscos diretos derivados do consumo de alimentos transgénicos.

Que alimentos transgénicos existem atualmente no mundo?

De acordo com dados relativos a 2011, nesse ano cultivaram-se 160 milhões de hectares de culturas transgénicas. De acordo com esses dados, a soja é o transgénico mais produzido no mundo, seguida pelo milho transgénico, pelo algodão transgénico e pela colza transgénica (espécie de couve usada sobretudo para extrair óleo das sementes). No entanto, há dados que indicam que estão em desenvolvimento numerosas variedades de alimentos, desde trigo, a batata-doce, abóbora, beringela e muitos outros.

Um dos alimentos transgénicos mais conhecidos é o “arroz dourado”, resultado da engenharia genética para combater a deficiência de vitamina A de algumas populações do mundo, como a chinesa. Nos países onde o arroz é a base da alimentação de grupos populacionais mais carenciados, a deficiência em vitamina A constitui um grave problema de saúde. Com as descobertas da engenharia genética, foi possível enriquecer este cereal com um percursor da vitamina A.

No entanto, a grande maioria dos transgénicos parece estar a ser utilizada nas rações animais, inclusive no nosso país, já que a grande maioria das rações para animais contém soja e milho transgénicos.

Em suma

O tema dos alimentos transgénicos continua a ser muito controverso e a discussão acerca dos seus riscos e benefícios está longe de estar terminada. A indústria que produz estes alimentos tenta convencer os consumidores dos seus benefícios, promete acabar com a fome no mundo e aumentar a qualidade de alguns alimentos.

Por outro lado, há muitas vozes dentro da comunidade científica que alertam para os possíveis danos para a saúde humana, embora exista ainda um escasso número de estudos sobre a toxicidade, efeitos adversos e riscos para a saúde.

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