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Gal Costa: a icónica artista brasileira que fez vibrar a Casa da Música

No dia 23 de Janeiro, Gal Costa fez vibrar a sala-coração da Casa da Música com o seu timbre único e energia exuberante num espectáculo muito seu.

Gal Costa: a icónica artista brasileira que fez vibrar a Casa da Música
A energia e o timbre único que puseram o público português a cantar

Conhecida pela sua ousadia e energia – em estúdio e em palco –, Gal Costa é uma das maiores vozes da música brasileira, de timbre singular e jeito inconfundível. Uma mulher baiana, tropicalista, índia, estratosférica que viaja no tempo para se reinventar, para encontrar, nos confins de si mesma e do mundo que a rodeia, novos projectos, novos devaneios melódicos que fazem mexer o corpo e, sobretudo, o espírito.

Com setenta e três Primaveras e mais de cinquenta anos de carreira marcados por uma liberdade e ecletismo extraordinários, Gal regressou esta semana a solo lusitano para apresentar o seu quadragésimo álbum, intitulado A Pele do Futuro – nome que escapou de um dos versos da canção “Viagem Passageira”, escrita por Gilberto Gil.

Inspirado na disco music da década de 70, este é um disco que surge para levantar o astral ao som de canções inéditas como “Palavras no Corpo”, de Silva e Omar Salomão, “Sublime”, de Dani Black, e outras tantas escritas por gigantes da cultura brasileira, como Gilberto Gil, Djavan, Adriana Calcanhotto, Nando Reis, Jorge Mautner e Marilia Mendonça.

Gal Costa: um ícone da música no Brasil e no mundo


concerto gal costaFonte: E-Konomista

O nome deverá ser familiar a muitos mas nunca é demais percorrer o imenso baú dos feitos de Gal Costa, um ícone no Brasil e no mundo pelo seu incrível contributo para a música. Com mensagens revolucionárias, de amor e alto astral, as suas canções e os quarenta álbuns já lançados fazem-nos recordar tempos diferentes por entre versos melódicos de um malabarismo singular.

Nascida em Salvador em 1945, Maria da Graça Costa Penna Burgos – é esse o seu nome completo – lançou o seu primeiro álbum, Domingo, em 1967 e, a partir de aí, o universo da música, como o conhecíamos, nunca mais seria o mesmo.

Cantou ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia, absorveu influências de Janis Joplin e Jimi Hendrix, juntou-se ao movimento do Tropicalismo, consagrou-se musa da MPB, contagiou públicos por todo o planeta. Gal Costa moveu em 73 anos de vida a vida de milhões de pessoas e não parece querer parar por aqui – nós agradecemos e, no Porto e em Lisboa, celebramos com ela o seu percurso fora da caixa e tão cheio de tudo.

Gal Costa: um concerto que fez levantar o astral

concerto gal costaFonte: E-Konomista

O concerto estava marcado para as 21.30 do dia 23 de Janeiro na Casa da Música do Porto. Gal Costa subiria ao palco da Sala Suggia, âncora de todo o edifício, e presentearia o público, ansioso por imergir no Universo da cantora, com temas do novo álbum e alguns dos muitos sucessos da sua carreira, como “Oração de Mãe Menininha”, de Dorival Caymmi, e “Sua Estupidez”, de Roberto e Erasmo Carlos.
Assim aconteceu. A Sala Suggia, elogiada por Gal, encheu-se de pessoas de diferentes gerações, movidas pela mesma vontade – eléctrica – de pertencer a um espectáculo da cantora.

Com a inquietude que a caracteriza, Gal apresentou-se num longo vestido magenta, combinado com acessórios vistosos – um look que a fazia sobressair no palco e elevava a sua aura de diva da música brasileira. A voz de sempre, que a tornou famosa, nada pareceu ter mudado apesar de serem já mais de cinquenta os anos que colecciona em palco e de, segundo a própria, estar com rinite alérgica.

Por entre músicas do novo disco, A Pele do Futuro, fez vibrar a sala com a interpretação de “Palavras no Corpo”, com um arranjo inspirado no estilo de Amy Winehouse, de quem se revelou fã. Perambulou por canções de outros artistas brasileiros, como Roberto Carlos, Fábio Júnior e Maria Bethânia, e pôs a cantar, a uma só voz, o público em “Que Pena”, o clássico de Jorge Ben Jor.

O concerto, que arrancou num registo intimista a meia luz, terminou com um jogo eléctrico de luzes, alusivo à dance music – celebrada no seu quadragésimo álbum e em plena Casa da Música – , mas não sem um encore com sabor a samba, que fez a plateia dançar, relembrando que o Carnaval está à porta.

Sempre com uma postura informal e conversa ligeiras, Gal Costa fez a delícia de todos os que tiraram o serão de quarta-feira para uma viagem inesquecível pelas canções da artista brasileira, que não lhes poupou um elogio – “quente”, foi assim que adjectivou o público que a viu dominar o palco na Casa da Música.

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