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11 factos sobre a saúde mental em Portugal

A situação da saúde mental em Portugal tem vindo a alterar-se ao longo dos anos com a criação de novas respostas especializadas mas há ainda muito a fazer.

11 factos sobre a saúde mental em Portugal
Portugal tem uma elevada prevalência de doenças mentais

A investigação tem mostrado, de forma consistente, que os problemas de saúde mental constituem uma das principais causas de incapacidade para a atividade produtiva e uma das principais causas de morbilidade e morte prematura em todo o mundo e, naturalmente, Portugal não é exceção. Vamos conhecer qual a realidade da saúde mental em Portugal.

11 factos sobre a saúde mental em Portugal


Entre as 10 principais causas de incapacidade para a atividade produtiva e psicossocial em todo o mundo, encontramos 5 perturbações psiquiátricas: a depressão; os problemas ligados ao álcool; as perturbações esquizofrénicas; as doenças bipolares e as demências. Estes dados são alarmantes e mostram a necessidade de melhores práticas de saúde mental em todo o mundo.

saude mental em portugal

A saúde mental em Portugal não é exceção e os estudos mais recentes têm espelhado a realidade do nosso país. Saiba tudo.

1. Em Portugal, uma em cada quatro pessoas vive com doença mental;

2. No entanto, apenas 15% das pessoas com problemas de saúde mental são acompanhadas;

3. As perturbações da ansiedade, as perturbações depressivas e as demências são as que mais se destacam no nosso país;

4. A percentagem de utilização dos serviços devido a perturbações psiquiátricas é muito superior nas mulheres;

5. Portugal apresenta um consumo de antidepressivos superior à média da União Europeia;

6. Padrão elevado de consumo de ansiolíticos e antidepressivos na população geral;

7. Portugal tem uma das maiores taxas de consumo de bebidas alcoólicas em todo o mundo;

8. A mortalidade de saúde mental é baixa e está relacionada quase exclusivamente com o suicídio;

9. A taxa de mortalidade por suicídio tem uma maior incidência na faixa etária igual ou superior a 65 anos;

10. O padrão de maior mortalidade por suicídio diz respeito à região do Alentejo;

11. Recai ainda um grande estigma sobre o portador de doença mental.

Perturbações mentais mais comuns


As perturbações depressivas e as perturbações de ansiedade são altamente prevalentes na população portuguesa e têm um enorme impacto ao nível do bem-estar, do humor e dos sentimentos das pessoas que delas padecem. Os sintomas variam em relação à gravidade (de ligeiros a graves) e duração (de meses a anos), e afetam crianças, adolescentes, adultos e idosos.

Perturbações Depressivas

No ano de 2015, o número total de pessoas com depressão a nível mundial foi estimado em mais de 300 milhões. A depressão é a doença que mais tem crescido nos países desenvolvidos e é considerada o maior contribuinte da incapacidade para a atividade produtiva e a entidade que mais contribui para as mortes por suicídio.

Estas perturbações caracterizam-se pela presença dos seguintes sintomas:

  • Tristeza;
  • Perda de interesse ou prazer;
  • Sentimentos de culpa ou de baixa autoestima;
  • Perturbações do sono ou do apetite;
  • Sensação de cansaço e baixo nível de concentração.

Existe um vasto leque de perturbações depressivas, cada qual com as suas especificidades:

a) Perturbação de desregulação do humor disruptivo (explosões temperamentais graves e recorrentes manifestadas verbalmente e/ou através de comportamento, que são muito desproporcionais face à situação);

b) Perturbação depressiva major (humor deprimido e outros sintomas depressivos presentes durante 2 semanas consecutivas);

c) Perturbação depressiva persistente (humor deprimido e outros sintomas depressivos presentes durante, pelo menos, 2 anos);

d) Perturbação disfórica pré-menstrual (presença de sintomas como humor deprimido e irritabilidade na semana anterior ao início da menstruação, na maioria dos ciclos menstruais).

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Perturbações de Ansiedade

As perturbações de ansiedade são um grupo de transtornos mentais caracterizados pela presença de sentimentos de ansiedade e medo. Existe um vasto leque de perturbações de ansiedade, cada qual com as suas especificidades:

a) Perturbação de ansiedade de separação (medo/ansiedade excessivos e inadequados para o nível de desenvolvimento do indivíduo relativos à separação daqueles a quem está vinculado);

b) Mutismo seletivo (incapacidade persistente em falar em situações sociais específicas em que se espera que fale);

c) Fobia específica (medo/ansiedade marcados em relação a um objeto ou situação específicos);

d) Perturbação de ansiedade social (medo/ansiedade arcados de um ou mais situações sociais em que o indivíduo está exposto ao possível escrutínio dos outros);

e) Perturbação de pânico (ataques de pânico inesperados recorrentes);

f) Agorafobia (medo/ansiedade marcados face a algumas situações, tais como utilizar transportes públicos, estar em espaços abertos ou estar fora de casa sozinho);

g) Perturbação de ansiedade generalizada (ansiedade/preocupação excessivas que ocorrem em mais de metade dos dias durante pelo menos 6meses, sobre vários acontecimentos ou atividades).

Como conclusão…


A doença mental requer uma continuidade de cuidados que não se esgotam na intervenção médica perante um episódio mais grave ou perante uma crise. É importante que exista um acompanhamento regular, que permita que os doentes tenham a melhor qualidade de vida possível.

A lei da saúde mental em Portugal, que consagra as bases da política e organização nacional da saúde mental, foi recentemente apoiada pelo plano nacional de saúde mental em Portugal, e ambos vieram trazer novidades na forma de atuação ao nível da saúde psicológica. Foram lançadas as bases dos cuidados continuados integrados de saúde mental, iniciaram alguns programas inovadores, foram criadas novas unidades para o público infantil e adolescente, foram lançados novos serviços na comunidade, entre outras medidas.

Todavia, ainda há um longo caminho a percorrer para que o estigma sobre a saúde mental desapareça e para que todos os doentes tenham acesso ao melhor atendimento e à melhor intervenção.

Cuide da sua saúde mental! Se deteta a presença de alguma sintomatologia psiquiátrica, que interfere com a sua qualidade de vida e com o seu desempenho diário, procure o seu médico de família para que este, caso se justifique, encaminhe para acompanhamento especializado na área da saúde mental.

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