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Assunção Duarte
Assunção Duarte
23 Out, 2019 - 13:10

Por que é que as bolas de ténis são amarelas? Ou será que são verdes?

Assunção Duarte

O ténis existe desde o século XIX e sempre foi jogado com bolas brancas. Mas em 1972 algo aconteceu para que as bolas se tornassem amarelas… ou verdes.

Bola de ténis

O porquê das bolas de ténis serem amarelas, ou verdes, está diretamente relacionado com a primeira transmissão a cores feita pela BBC a partir do icónico torneio de ténis de Wimbledon, em finais da década de 60 do século XX.

A estreia do canal de televisão britânico com o formato colorido entusiasmou o público, mas evidenciou um pequeno problema. As convencionais bolas brancas, eram difíceis de ver e acompanhar no ecrã a cores. Tudo ficava ainda mais difícil quando se aproximavam das linhas brancas de marcação do campo.  

A Federação Internacional de Ténis (ITF) acabou por realizar estudos para perceber se as bolas com cores facilitavam a vida dos telespectadores. A escolha acabou por cair na cor amarela, quase fluorescente, que passou, lado a lado com as bolas brancas, a fazer parte do leque de cores aceites pela ITF para os jogos profissionais.

Fiéis às tradições, os britânicos ainda mantiveram as bolas brancas nos courts de Wimbledon até 1986, altura em que se renderam finalmente ao amarelo vibrante que hoje damos como garantida em todas as bolas de ténis profissionais. Mas será mesmo amarelo o tom das bolas de ténis? 

Bolas de ténis: são amarelas ou verdes?

Bola de ténis na rede

Esta dúvida esteve na base de um acesso e movimentado debate em 2018. A dúvida foi lançada por um internauta que queria esclarecer uma disputa familiar com a sua esposa acerca da cor das bolas de ténis.

Um dizia que a bola era verde e o outro amarela. A questão foi ganhando popularidade porque apareceram tantos  apoiantes para um cor como para a outra. 

O debate extravasou as redes sociais online e ganhou novo quando um fã de Roger Federer publicou um vídeo em que questionava o famoso tenista suíço acerca da cor das bolas de ténis.

Este respondeu: “São amarelas, certo?” Este tom de dúvida no final foi o suficiente para gerar mais de 350 mil visitas ao vídeo e para manter aceso o debate por bastante mais algum tempo. 

Nas regras da ITF a cor oficial das bolas de ténis está definida como “amarelo ótico” (Optic yellow) a que nós também podemos chamar amarelo fluorescente ou amarelo elétrico.

Por este lado, o debate estaria resolvido já que a palavra amarelo aparece na definição oficial da cor. Mas para a visão humana, as coisas não são assim tão simples de resolver.

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Mecanismo de visão que transformam a luz em cor 

Quando olhamos para um objecto, se tivermos uma visão considerada saudável, o que nós vemos é a chamada cor-luz, a cor que é reflectida por esse objecto quanto está iluminado.

Sem luz, somos incapazes de ver o que quer que seja. A luz branca comum é constituída por todas as cores do nosso arco-íris e, quando ilumina um objecto, algumas dessas cores são por ele absorvidas, enquanto que outras são reflectidas em ondas electromagnéticas que estimulam a percepção do nosso mecanismo de visão. 

Comprimentos de onda

Sendo assim, a luz reflectida para os nossos olhos, possui diferentes tipos de comprimento de onda electromagnética, sendo que a cada um deles associamos a percepção de uma cor.

A visão da espécie humana consegue ser estimulada num intervalo de ondas em que a mais baixa frequência que conseguimos ver é percebida como a cor vermelha, e a mais alta frequência é percebida como a cor violeta. E é esta particularidade da nossa visão que permite que o dilema das bolas de ténis se coloque.

Jogador de ténis

Cada um pode ver de maneira diferente

No espectro de ondas eletromagnéticas que conseguimos ver, as frequências que correspondem ao amarelo e ao preto estão coladas.

Isto quer dizer que receber um comprimento de onda mais para o lado do verde ou mais para o lado amarelo, vai depender apenas das condições de iluminação em que estamos a ver e da forma como o nosso cérebro costuma trabalhar essa informação.

Situação idêntica pode acontecer entre os verdes e os azuis ou entre todas as outras cores que têm frequências de onda próximas.

Com dependemos da luz para ver, cada cérebro humana cria os seus mecanismo de interpretação de cor, compensando e corrigindo essa interpretação para conseguir identificar o mesmo objecto sob diferentes tipos de iluminação.

Treinamos o cérebro para “saber” que uma laranja é sempre laranja, quer esteja de baixo de um sol ardente ao na penumbra de uma sombra e, com esse treino habituamo-nos as ver as cores que por vezes não estão lá.

Correcção de cores

Existem estudos científicos que mostram que algumas pessoas fazem correções de cores pondo de parte frequências que correspondem às cores mais frias, o que quer dizer que vão ver as bolas de ténis mais amarelas, e outras fazem-no negligenciando as cores mais quentes, o que quer dizer que vêm as bolas bem verdes. 

Sendo assim, não existe uma resposta certa no que diz respeito às bolas de ténias. Tudo vai depender que o olho que está a ver pende mais para o lado do court de ténis mais ou menos iluminado.

Apenas temos a certeza de que, no que diz respeito à televisão a cores, o “optic yellow” consegue ativar melhor a percepção dos nossos olhos.

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