Portugal tem um dos programas de imunização mais antigos e bem-sucedidos da Europa. O Programa Nacional de Vacinação (PNV) foi criado em 1965 e, desde então, transformou radicalmente o perfil epidemiológico do país.
Doenças que matavam ou incapacitavam milhares de pessoas por ano tornaram-se raras ou foram mesmo erradicadas.
O PNV é universal, gratuito e acessível a todas as pessoas em Portugal e inclui as vacinas consideradas de primeira linha, aquelas com melhor relação custo-eficácia e maior impacto na saúde pública.
O seu calendário é dinâmico e é atualizado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) à medida que surgem novas evidências científicas ou novos contextos epidemiológicos.
A vacinação é considerada uma das intervenções de saúde pública com melhor relação custo-eficácia existentes. A erradicação da varíola (1980) e a eliminação da poliomielite na Europa (2002) são os exemplos mais marcantes do seu impacto histórico.
Na generalidade, as vacinas do PNV não são obrigatórias em Portugal. Existem, no entanto, duas exceções legais. São as vacinas contra a difteria e o tétano, cuja administração é obrigatória e exigida para a matrícula em estabelecimentos de ensino.
Vacinação: calendário por idades
O calendário do PNV define, de forma clara, que vacinas devem ser administradas em cada fase da vida. Não se trata apenas de proteger crianças: adultos, grávidas e idosos também têm esquemas vacinais recomendados.
| Idade | Vacinas incluídas no PNV |
|---|---|
| Nascimento | Hepatite B (HepB) — 1.ª dose |
| 2 meses | Hexavalente (DTPa-VIP-Hib-HepB), Pneumocócica 13-valente (PCV13), Meningocócica B (MenB), Rotavírus (grupos de risco) |
| 4 meses | Hexavalente, PCV13, MenB |
| 6 meses | Hexavalente |
| 12 meses | MenB (reforço), PCV13 (reforço), Meningocócica ACWY (MenACWY)* |
| 13 meses | VASPR (Sarampo, Parotidite, Rubéola) |
| 18 meses | Hexavalente (reforço), VASPR (2.ª dose) |
| 5–6 anos | DTPa (reforço), VIP (reforço) |
| 10 anos | HPV (Papilomavírus humano — rapazes e raparigas), Td (reforço difteria/tétano) |
| Adultos (cada 10 anos) | Td — reforço difteria e tétano |
| Grávidas | dTpa (tosse convulsa, recomendada em cada gravidez) |
| 60+ anos | Gripe (sazonal, anual) e COVID-19 (dose de reforço sazonal) |
* Em março de 2025, a DGS substituiu a vacina MenC pela MenACWY no PNV, ampliando a proteção contra quatro serogrupos meningocócicos.
Vacinação sazonal: gripe e COVID-19

Para além do calendário do PNV, Portugal tem uma campanha de vacinação sazonal anual, habitualmente com início na segunda quinzena de setembro, que cobre a gripe e a COVID-19.
Gripe e Covid: quem tem direito à vacina gratuita?
- Pessoas com 60 ou mais anos
- Grávidas
- Pessoas com doenças crónicas de risco (diabetes, doenças cardíacas, respiratórias, imunossupressão, etc.)
- Profissionais de saúde do SNS
- Residentes e profissionais de lares e estruturas residenciais (ERPI)
- Doentes e profissionais da Rede de Cuidados Continuados
A vacina contra a gripe de dose elevada, especialmente eficaz em idosos muito vulneráveis, passou a ser gratuita para todos os maiores de 85 anos, independentemente de residirem ou não em lar.
A co-administração das vacinas contra a gripe e contra a COVID-19 na mesma visita é uma estratégia segura e eficaz, recomendada pela DGS para facilitar a adesão. Cerca de 70% das doses sazonais são hoje administradas nas farmácias comunitárias.
Taxas de cobertura vacinal em Portugal
Portugal é uma referência europeia em matéria de cobertura vacinal. Os dados são muito encorajadores, em especial nas crianças.
- 98–99%: Crianças vacinadas com todas as doses até ao 1.º ano de vida
- >95%: Meta atingida ou ultrapassada até aos 7 anos
- ~90%: Cobertura do esquema completo HPV em raparigas e rapazes
- 66,3%: Cobertura da gripe nos 60+ anos (campanha 2023-2024)
Cobertura da gripe por grupo etário
- 85 ou mais anos: 85,1%
- 80–84 anos: 79%
- 70–79 anos: 71%
- 60–69 anos: 44%
No contexto europeu, Portugal destaca-se pela positiva. Segundo o relatório do ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças), Portugal é um dos seis países (em 27) que reporta cobertura igual ou superior a 50% para a população com 60 ou mais anos.
É também o terceiro país da UE com maior cobertura vacinal na faixa dos 60-69 anos, atrás apenas da Suécia e da Dinamarca.
Desafios atuais: sarampo volta a preocupar
Apesar dos resultados globalmente positivos, a DGS reconhece desafios importantes que não podem ser ignorados.
O sarampo exige pontualidade
A vacinação contra o sarampo cumpre a meta global dos 95% necessária para a imunidade de grupo, mas a vacinação atempada aos 13 meses tem ficado aquém do desejável.
Se a vacina é recomendada para os 13 meses, não deve ser administrada aos 16 meses. O calendário existe por razões científicas, não é uma sugestão.
Isto é preocupante porque as crianças deste grupo de idade frequentam infantários, onde o vírus se propaga com facilidade.
Hesitação vacinal: uma tendência europeia
A adesão à vacina da COVID-19 tem vindo a diminuir em toda a Europa, e Portugal não é exceção. Na última campanha, apenas 56,1% dos elegíveis optaram por se vacinar contra a COVID-19, uma redução transversal a todas as faixas etárias.
A DGS identifica como principais barreiras a fadiga vacinal, o receio de efeitos secundários e a sensação de imunidade natural adquirida após infeção.
Desigualdades territoriais
As coberturas vacinais não são uniformes em todo o território. Existem diferenças regionais que refletem disparidades no acesso ao SNS, no apoio logístico às unidades de saúde e nas dinâmicas socioculturais locais.
A DGS reconhece que são necessárias estratégias diferenciadas para abordar populações com menor adesão.
Onde e como me posso vacinar

Para as vacinas do PNV, o caminho é simples. Basta dirigir-se ao centro de saúde da sua área de residência. A vacinação é gratuita e não requer referenciação médica prévia.
Se não tiver o boletim de vacinas, os profissionais de saúde conseguem consultar o seu historial no sistema VACINAS da DGS.
Para a vacinação sazonal (gripe e COVID-19), tem duas opções.
- Centro de saúde / USF: Gratuito para os grupos elegíveis; não é necessário agendamento prévio na maioria das unidades (recomendado verificar)
- Farmácia comunitária aderente: Para os grupos elegíveis, também gratuito; para quem não é elegível, paga a vacina mas poupa deslocação
A vacinação pode ainda ocorrer no domicílio para pessoas com mobilidade reduzida, em estabelecimentos prisionais e em estruturas residenciais para idosos (ERPI), garantindo que ninguém fica excluído por questões de acessibilidade.