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Assunção Duarte
Assunção Duarte
29 Out, 2019 - 12:13

Movimento anti-vacinas chega aos animais de estimação

Assunção Duarte

Cães e gatos são os principais visados e países como o Reino Unido já detectaram quebras no número de animais vacinados.

Cão a ser vacinado

movimento anti-vacinas está a chegar aos animais de estimação e faz eco às mesmas preocupações do movimento contra a vacinação de crianças: o medo que as vacinas causem problemas de saúde ou distúrbios a longo prazo.

Na lista das principais doenças apontadas aparecem os tumores cancerígenos, que se podem desenvolver nos locais onde foi feita a vacinação, a anemia hemolítica autoimune, doenças da tiroide, artrite e a parvovirose canina. 

A acrescentar a esta lista aparece também o autismo nos cães, uma das doenças que mais influência teve na criação do movimento anti-vacinas entre humanos.

Apesar do diagnóstico de autismo em cães ser ainda controverso no meio científico, uma vez que não há estudos suficientes que o comprovem, muitos acreditam que os comportamentos compulsivos de algumas raças são sinais desse autismo.

Por exemplo, o perseguir constantemente a cauda ou sombras e reflexos de luz, poderiam demonstrar traços desta doença que é agora apontada pelos defensores do movimento anti-vacinas nos pets, como uma das que pode ser despoletada com a vacinação.

Movimento anti-vacinas chega aos animais  

Gato a ser vacinado

Quem integra o movimento?

O movimento reúne amantes dos animais, que escrevem em sites ou revistas sobre pets, donos que desconfiam da medicina convencional e até alguns veterinários.

É um movimento que não veicula a chamada verdade da comunidade científica veterinária, uma vez que não se apoia em dados cientificamente testados para comprovar as sua teorias.

Apenas difundem declarações de veterinários e associações de animais que defendem tratamentos alternativos à medicina convencional, recorrendo a estudos de caso para se justificarem.

É um movimento especialmente ativo nos EUA e no Reino Unido, locais onde as associações de veterinários já começaram a detectar uma baixa nos números da vacinação primária e do reforço das doses em animais como cães, gatos ou coelhos.

Se as causas da baixa destes números estão diretamente ligadas à expansão do movimento anti-vacinas ou à forte crise financeira global que baixou os salários e reduziu a margem do orçamento que as famílias podem gastar com a vacinação dos seus pets, ainda não foi claramente apurado, mas claro está o risco que todos corremos se os números de animais vacinados continuarem a reduzir.

Em Portugal, país onde alguns veterinários afirmam que ainda estamos a vacinar pouco e mal, especialmente no que diz respeito à aplicação das doses de reforço que muitos donos não valorizam, a redução da vacinação pelo crescimento deste movimento iria causar sérios problemas de saúde pública.

Animais vacinados no veterinário

Doenças erradicadas e transmitidas ao homem podem regressar

As vacinas obrigatórias no calendário de vacinação de um cão bebé são a vacina antirrábica e as vacinas múltiplas v8 e v10, que protegem o cão contra várias doenças consideradas bastante graves, como por exemplo a hepatite infecciosa canina, a parvovirose e a leptospirose.

Algumas destas doenças não só prejudicam a saúde e põem em risco a vida do cão, como também são consideradas doenças zoonoses, o que quer dizer que são doenças infecciosas que podem ser transmitidas para o homem. 

No caso dos gatos, o objectivo das primeiras vacinas é igualmente protegê-los de doenças várias que o podem afectar a ele e, por contágio,  também o seu dono.

Aqui destacamos de novo a raiva, que embora mais rara nos gatos também pode acontecer, e a leucemia felina que, não afetando os humanos, é muito grave para o sistema imunitário do gato. 

Deixando de vacinar os animais de estimação com estas vacinas obrigatórias, algumas doenças que estavam já quase erradicadas nos países ocidentais podem regressar, como aconteceu com o sarampo dos humanos que cresceu 30% nos últimos anos.

É preciso relembrar que os vírus não desapareceram da face da terra. Eles apenas passaram a não ter influência sobre a saúde dos animais e dos homens porque vacinámos de forma recorrente e intensiva desde que descobrimos como o fazer. Se deixarmos de vacinar, os vírus vão voltar a fazer-se notar. 

Cão no veterinário
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Os benefícios da vacinação são largamente maiores

Uma vacina é uma substância preparada a partir de bactérias e vírus causadores de doenças e que é modificada laboratorialmente de forma a atenuar esses microorganismos evitando que provoquem a doença uma vez injetados.

As vacinas acabam por estimular o organismo a produzir anticorpos contra as bactérias e vírus presentes no seu preparado. 

Esse resultado é mais facilmente obtido quando o sistema imunológico se está ainda a desenvolver, em crianças ou animais de estimação com poucas semanas de vida, deixando-o preparado para se defender eficazmente se mais tarde entrar em contacto com essas bactérias e virús. 

Para os imunologistas e veterinários os benefícios que o animal obtém pela vacinação compensam largamente os riscos que este pode correr.

As reações adversas às vacinas podem acontecer, especialmente se não forem respeitados os tempos entre dosagens de reforço ou o estado de saúde geral do animal, mas não são frequentes e não existem provas de que as vacinas sejam a causa direta para as doenças apontadas.

Numa altura em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta o movimento anti-vacinação de crianças com uma das 10 principais ameaças à humanidade e que coloca em causa “o progresso alcançado na luta contra doenças evitáveis”, urge evitar que a mesma situação alastre aos animais de estimação.

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