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Assunção Duarte
Assunção Duarte
13 Jun, 2022 - 11:56

Carregador universal obrigatório a partir de 2024

Assunção Duarte

Um carregador universal para todos os dispositivos móveis vai significar poupança na bolsa dos consumidores e menos lixo eletrónico.

Carregador universal aprovado

carregador universal, aprovado recentemente pela União Europeia (UE), é o resultado de mais de um década de discussão em torno da insistência do Parlamento Europeu em criar um carregador comum para dispositivos portáteis, incluindo telemóveis. Um debate que enfrentou grande antagonismo por parte da indústria fabricante, especialmente do gigante Apple, conhecido pela sua predileção em criar equipamento proprietário.

Durante os últimos 10 anos este processo foi conseguindo a adesão voluntária de diversos outros fabricantes da indústria eletrónica, que chegaram mesmo a conseguir reduzir para apenas três (USC-C, Micro-USB e o Lightning da Apple) os modelos de carregamento dos dispositivos móveis.

Mas a UE quer ir mais longe e o culminar do seu esforço nesta matéria chegou agora com a diretiva do carregador único que será oficializada depois do verão de 2022. Depois dessa data os fabricantes de qualquer dispositivos eletrónico portátil de pequeno e médio porte terão 24 meses para garantir que os seus produtos saem da fábrica com uma porta de carregamento comum. 

Isto quer dizer que, a partir do outono de 2024, telemóveis, tablets, e-readers, auscultadores, câmeras digitais, colunas ou consolas de jogos portáteis entre outros, terão de ser obrigatoriamente compatíveis com o cabo de carregamento USB-C para poderem ser vendidos na UE.

Os fabricantes de laptops também vão ser obrigados a adaptar os seus dispositivos ao novo requisito se quiserem vender os seus produtos na Europa, mas terão um período mais alargado para concretizar essa modificação: 40 meses após a entrada em vigor da nova diretiva.

Carregador universal economiza euros e recursos preciosos

A UE estima que usar um único carregador para todos os dispositivos eletrónicos portáteis de pequeno e médio porte vai fazer com que os consumidores europeus economizem 250 milhões de euros por ano.

A vida dos consumidores multiplataforma vai ficar facilitada e a usabilidade dos seus dispositivos deverá continuar eficiente já que as adaptações pedidas aos fabricantes devem garantir velocidades de carregamento idênticas às proporcionadas pelos carregadores compatíveis. 

Mais importante ainda é o facto desta politica de carregamento universal contribuir para a criação de uma mentalidade anti consumo que garanta uma maior poupança e rentabilização dos recursos utilizados na produção de material eletrónico.

Os minerais raros necessários para a produção das novas tecnologias, muitas vezes oriundos de países onde a sua mineração cria conflitos armados e violações dos direitos humanos, estão cada vez mais no centro das preocupações europeias.

Ainda que tenham sido criadas regras que obrigam os importadores europeus a verificar o enquadramento dos seus fornecedores, o melhor caminho é sempre a redução da produção e a reutilização dos produtos que já existem. 

Homem a carregar o telemóvel todas as noites

Redução do lixo eletrónico europeu

Fontes oficiais da UE estimam que os carregadores descartados no espaço europeu criam anualmente cerca de 11 mil toneladas de lixo eletrónico. O chamado e-waste, criado pelos resíduos elétricos e eletrónicos, é o que mais tem crescido na Europa que produz atualmente mais de 4 milhões de tonelada anuais, com taxas de reciclagem muito aquém das metas delineadas pela Comissão. 

Sendo o lixo eletrónico altamente poluente, a situação agrava-se porque parte do e-waste europeu acaba nos países em vias de desenvolvimento, muito dele exportado ilegalmente, onde não existem estruturas de reciclagem capazes de proteger o ambiente e a saúde dos habitantes nos locais onde é depositado.

O carregador universal é assim mais uma medida que vai ao encontro das políticas europeias que pretendem criar até 2050  uma economia circular dentro do mercado económico europeu. Vem juntar-se a outras medidas como o Direito à Reparação e aos incentivos que a Comissão prepara para melhorar a reutilização dos produtos eletrónicos.

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