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Miguel Pinto
Miguel Pinto
23 Abr, 2021 - 14:42

7 clássicos da literatura portuguesa que não pode perder

Miguel Pinto

No Dia Mundial do Livro, deitamos mão aos clássicos da literatura portuguesa. Venha conhecer algumas obras fundamentais na língua de Camões.

Literatura portuguesa

A literatura portuguesa alberga jóias do mais fino quilate. É verdade que o momento em que somos obrigados a ler muitas das obras, tudo o que apetece é exactamente… não ler. Mas a verdade é que acabamos por mais tarde descobrir livros fantásticos, em estilos diversos, livros aos quais acabamos sempre por voltar, numa altura ou outra da vida.

Quem nunca amaldiçoou o professor de português que o/a obrigou a ler Os Maias, para mais tarde ter na obra de Eça de Queiroz o livro da sua vida? Ou alimentou as estéreis polémicas das pontuações nos livros de Saramago para depois se deleitar com o Memorial do Convento?

Pois é, o livro, e os seus autores, nunca são pacíficos. São uma escolha pessoal, muitas vezes ditada por um momento especial, um presente inesperado, uma frase que colocou ordem no caos de cada um. Por isso, esta escolha não é consensual. Tão pouco o quer ser. São a escolha do autor do artigo. O que ninguém poderá negar é que se tornaram mesmo clássicos absolutos da literatura portuguesa.

Literatura portuguesa: 7 clássicos a não perder

Os Maias

Livro os maias

É a obra-prima absoluta de Eça de Queiroz, uma obra incontornável e muito provavelmente o maior romance alguma vez escrito em língua portuguesa. Narra a história da rica e poderosa família Maia, pertencente à nobreza do século XIX e aos (das)amores de Carlos da Maia, neto do patriarca Afonso e diletante confesso. É ainda uma crítica impiedosa à sociedade portuguesa da altura, com a pena de Eça a não poupar nada nem ninguém. Deixou ainda para a posteridade uma série de personagens inesquecíveis, como João da Ega, Maria Eduarda, Dâmaso Salcede, Eusebiozinho, Crugges ou Alencar.

A Queda de um Anjo

livro a queda de um anjo

Camilo Castelo Branco deixou uma obra imensa. Escrevia de forma compulsiva e muito rápido. Consta que Amor de Perdição, uma das suas obras maiores, levou apenas 15 dias a redigir. Mas a escolha desta vez recai sobre este fantástico A Queda de um Anjo. Conta a epopeia de Calisto Elói, um morgado da província que acaba eleito deputado da Nação. Vê-se assim obrigado a rumar a Lisboa, deixando o seu amado campo. Apesar da pureza inicial de Calisto, o sólido e tradicional transmontano acaba por se deixar corromper pelo luxo e pelos prazeres da capital.

Mensagem

livro mensagem

Mensagem é uma das maiores referências da poesia portuguesa. Fernando Pessoa chamava-lhe o seu livro pequeno, mas os 44 poemas que dele fazem parte deram ao poeta o Prémio Antero de Quental, em 1934. A obra trata do glorioso passado de Portugal de forma apologética e tenta encontrar um sentido para a antiga grandeza e a decadência existente na época em que o livro foi escrito. Os 44 poemas estão agrupados em 3 partes e representam as três etapas do Império Português: Nascimento, Realização e Morte, seguida de um renascimento. Imperdível.

Esteiros

livro esteiros

Este romance de Soeiro Pereira Gomes foi publicado em 1941 e retrata o trabalho infantil na vila da Alhanda, constituindo um dos principais exemplos da corrente estética do neo-realismo. A obra narra, ficcionalmente, a vida de jovens trabalhadores que, nas margens dos esteiros do rio Tejo fabricam peças de barro nos telhais, revelando em vários momentos uma contraposição definitiva entre ricos e pobres. A capa da primeira edição deste clássico da literatura portuguesa foi desenhada por Álvaro Cunhal e o livro esteve proibido pelo regime de Salazar.

O Delfim

livro o delfim

Escrita durante o período da Guerra Colonial, O Delfim retrata o universo da família Palma Bravo, que vive da Gafeira, um localidade provinciana e conservadora. Nesta obra, José Cardoso Pires faz um retrato cáustico de uma sociedade em que é possível encontrar homens como o engenheiro Tomás Palma Bravo (o Infante), profundamente machista, racista, e incapaz de aceitar qualquer mudança. Num período em que a censura é omnipresente em Portugal, Cardoso Pires não deixa de abordar temas tabu do Portugal da época, como a homossexualidade, a traição e o incesto.

Memorial do Convento

livro memorial do convento

Da autoria do único Prémio Nobel da Literatura portuguesa, José Saramago, Memorial do Convento foi editado em 1982, tornando-se uma referência incontornável na bibliografia o escritor nascido na Azinhaga do Ribatejo. A ação decorre no início do século XVIII, durante o reinado de D. João V (e a construção do Palácio de Mafra), e critica a exploração dos pobres pelos ricos, que origina a guerra entre os indivíduos, e a corrupção pertencente à natureza humana, com especial enfoque na corrupção religiosa.

A Causa das Coisas

livro a causa das coisas

Miguel Esteves Cardoso quase que dispensa apresentações. Cronista de génio, uma das forças por detrás do irrequieto e saudoso semanário O Independente, sempre teve nos livros a sua paixão. E sempre escreveu. Este conjunto de crónicas, publicadas então no semanário Expresso, traçam um retrato impiedoso e hilariante do ser português, a partir de temas tão banais como as alcatifas, as moscas ou as férias. Há outros livros de crónicas de MEC (como é conhecido), mas A Causa das Coisas foi o pontapé de partida.

Boas leituras de literatura portuguesa!

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