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Diogo Campos
Diogo Campos
18 Mai, 2017 - 13:10

Como sobrevivi a mais de 10 sismos no Chile

Diogo Campos

Logo me apercebi que neste lugar ia estar novamente desconectado com o mundo.

Como sobrevivi a mais de 10 sismos no Chile

Desde que saí de Portugal foram muito raras as vezes que vi televisão, apenas dois ou três filmes e ouvi uma vez um relato de um jogo de futebol pela rádio. Por vezes só sabia de algumas notícias, três ou quatro dias depois quando falava com a minha família, mas estar tantos dias sem internet não era costume.

Dei-me conta de que o tempo que normalmente passava na internet agora utilizava para ler, escrever, contar e ouvir histórias de outros voluntários que estavam a viajar, fazer exercícios de respiração, passear pelo bosque ou apenas desfrutar da vastidão do oceano sentado num banco de madeira. Os dias eram passados a verificar se havia marisco morto ou a preparar encomendas para restaurantes.

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O dia de trabalho era bastante leve: cerca de quatro a cinco horas em troca de comida, cama e banho de água quente, além de todo o conhecimento e aprendizagem que ganhava. Para mim isso é o melhor do workway, é como ter um workshop sobre diferentes áreas à minha escolha, conforme o voluntariado que escolho.

A comida era à base de vegetais que podíamos cozinhar à vontade, mas também tínhamos liberdade para comer o marisco que quiséssemos. Um dia era lagosta, noutro caracóis de mar, ostras, caranguejo e praticamente dia sim dia não, comíamos amêijoas. Nunca tinha comido tanto marisco e no final da semana tive que parar pois o meu estômago não estava a aguentar. Mal sabia eu o que me esperava!

Logo na primeira noite, poucos minutos depois de me ter deitado, ouve um terramoto de 6.0 na escala de Richter. A casa de madeira abanou durante uns largos segundos e saí à pressa, não fosse a casa cair! Quando saí, o sismo tinha parado e lá fora estávamos todos um pouco assustados a olhar uns para os outros. Rapidamente começámos a rir e voltámos a ir dormir.

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No dia seguinte, novamente outro sismo e foi assim durante cinco dias seguidos, às vezes era mais que um por dia e quando estava deitado já nem ligava, apenas pensava “mais um tremelico”! O mais forte foi no terceiro dia, que chegou a 7.1 na escala de Richter, estava na cozinha e nos primeiros segundos pensei que era mais um, mas depois senti que tinha mais força e as garrafas começaram a cair, novamente saí apressado para a rua.

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Ao todo foram registados dois sismos com mais de oitenta réplicas, com o epicentro a 30km da quinta onde estávamos. Num dos dias fomos fazer umas entregas até à capital, Santiago do Chile, que ficava a cerca de 120km da quinta em Valparaíso. Santiago está rodeada pelas montanhas, que no topo já têm neve e que das quais se tem uma vista espectacular sobre a cidade.

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O problema é que quase não há vento e o efeito de smog, com uma nuvem cinzenta por cima da cidade, deixou-me estupefacto. Julgava que este fenómeno só existia na China! Como é possível haver pessoas que moram aqui todos os dias? – Perguntava-me! Santiago é famosa pelo êxodo que a deixa praticamente deserta todos os fins-de-semana. Agora percebo porquê, só não entendo como é possível as pessoas viverem ali trocando a sua saúde por dinheiro.

Na próxima semana volto à estrada rumo ao norte da Argentina e do Chile. Há quatro semanas que não gasto um cêntimo e no próximo artigo explico como. A aventura continua em Puririy.

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