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Diogo Campos
Diogo Campos
13 Mai, 2017 - 11:20

Pela primeira vez no Oceano Pacífico

Diogo Campos

A aldeia já ficava para trás e dentro de mim levava mais conhecimento e uma enorme gratidão.

Pela primeira vez no Oceano Pacífico

Quando me cruzei com um dos habitantes da aldeia, já na estrada de terra batida, falámos um pouco e antes de nos despedirmos ofereceu-me um livro que na contra capa dizia: “como uma planta busca o sol, o espírito busca uma vida plena e cheia de satisfação”.

Não consegui evitar as lágrimas de tão agradecido que estava. Já na cidade, depois de um par de boleias, encontrei uma estação de serviço onde havia Wi-Fi e pude comunicar com a minha família, depois de dez dias sem Internet. As boleias seguiram-se umas atrás de outras rumo ao litoral central, mais propriamente a Pichilemu, a capital do surf do Chile.

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Estava muito entusiasmado, pois um dos objetivos desta viagem era chegar ao Pacífico. Nessa noite fiquei perto, dormi meio escondido ao lado da estrada e quando acordei voltei para a estrada. No dia anterior apenas tinha comido fruta e uma cenoura e estava desejoso de chegar à praia para poder relaxar e cozinhar um pouco de arroz com um patê que levava na mochila desde que saí da Argentina.

Estava um bom dia de outono e quando cheguei à praia e vi novamente a imensidão do mar a que tanto estou acostumado, apenas com a diferença de que estava diante do maior oceano do mundo. Relaxei, molhei os pés no mar, comi e escrevi. Supostamente tinha combinado chegar a um workway no dia seguinte em Valparaíso, que ficava a cerca de 300km, mas apetecia-me ficar neste lugar mais tempo… O problema é que não conhecia ninguém e ficar a dormir na tenda durante vários dias não era a melhor solução, pois teria que montar a tenda à noite e desmontar pela manhã todos os dias.

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Quando a tarde ia a meio decidi ir para a estrada. Um carro parou com um casal e dois miúdos, porém ao contrário do que pensei, não eram familiares. Eles eram professores e os miúdos alunos. Depois de entrar perguntaram-me para onde ia, “não sei”, respondi, “talvez fique pela cidade, talvez continue para norte”. O rapaz estava a estudar pedagogia waldorf e, coincidência ou não, já tinha viajado do mesmo modo que eu. Convidou-me para pernoitar em sua casa onde vivia com mais duas pessoas e estavam justamente a pensar começar a receber viajantes em casa.

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A conexão foi tão boa com todos que acabei por ficar não uma, mas três noites. Na sexta-feira continuei rumo a norte e tinha que estar sábado na quinta de aquacultura biológica. Assim tinha um dia para desfrutar de uma praia. Um surfista deu-me boleia para uma praia deserta, com ondas como nunca vi, eram perfeitas e prolongavam-se por cerca de 500m. Conheci um casal de alemães que estava a viajar há cinco meses numa van e fiquei na dúvida se passava a noite nessa praia ou se continuava.

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Decidi ficar e depois de cozinhar uma massa estive à conversa com os alemães e um australiano. O vento quase não se fazia sentir e deitei-me na praia apenas com o saco de cama a observar as estrelas. Quando acordei já estavam surfistas na água e depois de estar um pouco a observar o amanhecer e o mar comecei a pedir boleia.

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Em seis horas já estava à porta da quinta de aquacultura. O local era muito parecido com a eco aldeia, com casas em madeira e adobe, no meio de um bosque, a única diferença é que em vez de rio estava à minha frente o oceano Pacífico.

No próximo artigo conto como foi a experiência de sentir mais de uma dezena de terramotos numa semana! Acompanhem a viagem em Puririy.

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