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Um guia para tempos complicados
Elsa Santos
Elsa Santos
05 Jul, 2021 - 12:23

Competências do futuro e os novos desafios do mercado de trabalho

Elsa Santos

A automação e a robotização vão extinguir muitos postos de trabalho num futuro próximo. Como se pode preparar para este cenário? Quais as competências do futuro?

Competências do futuro

As competências do futuro vão muito além dos conhecimentos técnicos e reunem um conjunto diversificado de áreas que distinguem os profissionais e os empregos de amanhã.

A crise atual imposta pela pandemia e um mundo em profunda transformação, em que a inovação e a competitividade se assumem como elementos determinantes no sucesso da economia, está a exigir uma requalificação sem precedentes.

Se por um lado, a inovação tecnológica oferece ferramentas que permitem ao trabalhador libertar-se de algumas tarefas, por outro também exige atualização e aquisição de novas competências.

Quais serão, então, as competências necessárias para fazer face aos desafios de um futuro (muito) próximo?

O trabalho e as competências do futuro

De acordo com dados de 2020 do World Economic Forum relativamente ao futuro do emprego, estima-se que 50% de todos os trabalhadores vão precisar de requalificação até 2025. Isto porque se prevê que a tecnologia digital, a automação e a robotização venham a extinguir vários postos de trabalho.

Por isso, e em contraposição às competências necessárias para fazer tarefas repetitivas ou mesmo de manuseamento de dados e de informação, o pensamento crítico e a resolução de problemas complexos estão no topo da lista de competências que os empregadores acreditam que irão ser necessárias nos próximos anos.

A par destas, estão as competências de autogestão, como a aprendizagem ativa, resiliência, tolerância ao stress e flexibilidade não lhes ficam atrás.

Num mercado de trabalho em profunda mudança, até porque a pandemia veio acelerar processos e impor novas rotinas, os trabalhadores terão de adquirir e/ou desenvolver estas competências para fazer face aos desafios que se avizinham.

De acordo com aquela que é a terceira edição do Relatório do Futuro dos Empregos do Fórum Económico Mundial, a rutura tecnológica que está a transformar o mercado de trabalho e a fazer desaparecer alguns empregos, favorece a criação de outros.

equipa a festejar sucesso
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O emprego em mudança

Pessoas a trabalhar numa mesa digital

O Relatório “O Futuro do Emprego 2020” (The Future of Jobs Report 2020) do World Economic Forum, que teve como referência os dados de 2020 do LinkedIn e da plataforma de aprendizagem online Coursera, reuniu um conjunto de competências especializadas que vão ser necessárias para os empregos de amanhã, tendo em conta várias profissões emergentes.

Tratam-se de competências transversais que vão do marketing à inovação, passando pelo relacionamento interpessoal.

10 competências do futuro do trabalho

AS 10 competências do futuro a considerar no mundo do trabalho até 2025 são, então, as seguintes:

  1. Pensamento analítico e inovação: saber analisar uma situação de uma perspetiva distinta de outros e responder com uma solução inovadora, é a única forma de marcar a diferença. Mas, isso exige conhecimento e um perfil de competências apurado.
  2. Aprendizagem ativa e estratégias de aprendizagem: o profissional do futuro está em permanente aprendizagem e atualização.
  3. Resolução de problemas complexos: ter a capacidade de resolver questões complexas com facilidade e rapidez, e mesmo a capacidade de simplificar.
  4. Pensamento crítico: esta capacidade é fundamental antecipar problemas, identificar oportunidades e moldar o futuro do mercado de trabalho.
  5. Criatividade, originalidade e iniciativa: criar, destacar-se, dar o primeiro passo e marcar a diferença, são competências fundamentais para ser mais competitivo.
  6. Liderança e influência social: trabalhar a capacidade de liderar e de fazer chegar mais longe as suas ideias.
  7. Uso, monitorização e controlo de tecnologia: dominar as ferramentas tecnológicas disponíveis para as funções é determinante para, nos dias que correm, assegurar o seu posto de trabalho.
  8. Design e programação de tecnologia: mais do que utilizar, criar. A programação, por exemplo, deveria de ser uma das competências mais trabalhadas desde os primeiros anos de escolaridade.
  9. Resiliência, tolerância ao stress e flexibilidade: competências especialmente testadas na primeira fase da pandemia e confinamento, revelam-se difíceis mas determinantes num mercado de trabalho que funciona a um ritmo cada vez mais alucinante.
  10. Raciocínio: trabalhar o raciocínio permite um maior controlo das situações e uma maior capacidade de resolução de problemas.

Este Top 10 de competências do futuro no trabalho englobam, assim, quatro tipos de capacidades essenciais: a resolução de problemas; a auto-gestão; o trabalho em equipa; e o uso e desenvolvimento de tecnologia.

Aprendizagem contínua: o caminho para a competitividade

Continuar a investir na aprendizagem contínua será determinante no futuro. A próxima década será certamente um desafio ao nível do talento, do trabalho e da formação de competências.

A concorrência de talento em determinados segmentos promete ser feroz, e a recente crescente adoção do teletrabalho, intensificará a competitividade a nível global, já que as organizações estão mais abertas à contratação de pessoas fora da sua localização geográfica.

A competitividade será, assim, maior, com mais intervenientes, e a profunda e constante transformação tecnológica vai, naturalmente, acelerar a necessidade de desenvolver novas competências. Já assistimos a isso hoje.

Independentemente da sua profissão, uma coisa é certa, o mundo está em transformação e o trabalho (e o emprego) também. Por isso, procure fazer melhor. Adote um espírito de curiosidade, invista na aprendizagem contínua e desenvolva um mindset capaz de se adaptar à mudança. Isso vai ser fundamental para conseguir marcar a diferença.

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