ebook
Ebook Finanças (s)em Crise
Um guia para tempos complicados
Elsa Santos
Elsa Santos
11 Mai, 2021 - 12:49

Formação em Contexto de Trabalho: o guia essencial

Elsa Santos

A Formação em Contexto de Trabalho apresenta vantagens para alunos e para empresas. Perceba um pouco mais sobre este método de ensino.

alunos em formação em contexto de trabalho com tutor

De um modo muito particular, a Formação em Contexto de Trabalho (FCT) proporciona aos alunos/formandos uma experiência prática em contexto real, determinante para a aplicação de conhecimentos e desenvolvimento de competências.

Mas, este método utilizado pelo ensino técnico e profissional, também oferece vantagens às empresas, assim como, de um modo geral, a curto ou médio prazo, ao mercado de trabalho.

Perceba como funciona, quais os objetivos e as vantagens da Formação em Contexto de Trabalho.

Tudo o que deve saber sobre Formação em Contexto de Trabalho

Descubra o essencial sobre a formação em contexto de trabalho, um método de ensino-aprendizagem que promove a prática em ambiente real.

O que é

A Formação em Contexto de Trabalho integra um conjunto de atividades profissionais desenvolvidas sob coordenação e acompanhamento da escola.

Visam a aquisição ou o desenvolvimento de competências técnicas, relacionais e organizacionais relevantes para o perfil profissional do curso frequentado pelo aluno, de acordo com o disposto no artigo 16º da Portaria n.º 235-A/2018 de 23 de agosto.

A quem se destina

A FCT destina-se a todos os alunos que frequentem um curso profissional, independentemente da área.

Objetivos

A FCT tem como objetivo principal a realização de atividades profissionais enquadradas num plano de formação estruturado e sob a orientação de um/a tutor/a, inseridas em processos reais de trabalho.

Para além disso, outros objetivos estão contemplados. Tais como:

Enriquecimento técnico e tecnológico

Permite o contacto com tecnologias e técnicas específicas da função ou profissão, possibilidade inexistente nas outras formas de organização da formação, inclusive na componente prática simulada.

Aplicação prática de conhecimentos

A Formação em Contexto de Trabalho é uma oportunidade de aplicação dos conhecimentos adquiridos a actividades concretas da função ou profissão sob supervisão.

Por isso, potencia um impacto positivo da aprendizagem no desenvolvimento das competências profissionais.

Aquisição de competências transversais

Promove o desenvolvimento de hábitos de trabalho, espírito empreendedor, sentido de responsabilidade profissional e as relações humanas no trabalho. 

Vivência organizacional

Permite a vivência real do funcionamento da organização, experiência de elevada importância para uma mais fácil adaptação do/a formando/a ao mercado de trabalho.

Onde se realiza

A FCT realiza-se em empresas ou noutras organizações, sob a forma de experiências de trabalho por períodos de duração variável ao longo da formação; sob a forma de estágio em etapas intermédias; ou na fase final do curso.

Condições que as entidades que recebem alunos para FCT devem reunir

As entidades que recebem alunos dos cursos profissionais em FCT devem ter um Tutor de FCT escolhido entre os seus colaboradores. Este deve preparar o acolhimento do aluno e garantir que é cumprido o plano de formação acordado com a escola, a desenvolver no período de estágio.

Estes requisitos devem constar do protocolo de Formação em Contexto de Trabalho, um documento essencial assinado por todos os intervenientes.

A Formação em Contexto de Trabalho tem custos para as empresas?

Não, a Formação em Contexto de Trabalho não representa custos adicionais para as empresas.

Os alunos/formandos estão cobertos por um seguro de acidentes pessoais durante o tempo em que decorre a FCT.

Procedimentos para colocação de um aluno em FCT

A escola profissional deve estabelecer protocolos com instituições/empresas, preferencialmente da região onde se insere, de modo a permitir ao aluno desenvolver atividades profissionais compatíveis e adequadas ao perfil profissional visado pelo curso que frequenta.

Compete à escola definir, no Regulamento Específico da FCT, os critérios de distribuição dos alunos pelas entidades de acolhimento.

O próprio aluno/formando, pode sugerir uma entidade que ainda não tenha protocolo com a escola para a realização da sua FCT, dependendo da aprovação e formalização de todos os procedimentos necessários para o efeito.

ensino profissional
Veja também O ensino profissional como uma alternativa ao secundário

O que faz um aluno em FCT?

A Formação em Contexto de Trabalho visa a aquisição e o desenvolvimento de competências técnicas, relacionais e organizacionais relevantes para a qualificação profissional a adquirir, a fim facilitar e promover o ingresso no mercado laboral.

O aluno deverá, por isso, sob a supervisão de um tutor, executar tarefas relacionadas com o seu perfil de saída, similares ao contexto real de trabalho.

Assim, obtém formação prática no âmbito da sua área de estudo, dando cumprimento a um plano de trabalho individual elaborado com a participação da escola e da entidade de acolhimento.

Quantas horas de FCT tem de cumprir o aluno?

O horário da FCT é ajustado ao horário de funcionamento da entidade de acolhimento, não devendo ultrapassar as 35 horas semanais, nem as sete horas diárias.

A que apoios tem direito o aluno?

De acordo com a legislação em vigor, durante o período de realização da FCT, pode ser atribuído ao aluno um subsídio de alimentação e uma bolsa de profissionalização.

Poderá, ainda, receber, um subsídio de transporte ou outros que sejam acordados com a escola e/ou entidade de acolhimento.

Responsabilidades de cada interveniente

Escola

Nos termos do artigo 17º, nº1 da Portaria n.º 235-A/2018 de 23 de agosto, são responsabilidades específicas da escola:

  1. Assegurar a realização da FCT, nos termos definidos na lei e nos regulamentos aplicáveis;
  2. Assegurar a elaboração dos protocolos com as entidades de acolhimento;
  3. Estabelecer os critérios e distribuir os alunos pelas entidades de acolhimento;
  4. Assegurar a elaboração e a assinatura dos contratos de formação com os alunos e seus encarregados de educação, se aqueles forem menores;
  5. Garantir a elaboração do plano de trabalho do aluno, bem como a respetiva assinatura por parte de todos os intervenientes;
  6. Assegurar o acompanhamento da execução do plano de trabalho do aluno, bem como a avaliação de desempenho dos alunos, em colaboração com a entidade de acolhimento;
  7. Garantir que o aluno se encontra coberto por seguro em todas as atividades da FCT;
  8. Assegurar, em conjunto com a entidade de acolhimento e o aluno, as condições logísticas necessárias à realização e ao acompanhamento da FCT.

Entidade de acolhimento

Nos termos do artigo 17º, nº3 da Portaria n.º 235-A/2018 de 23 de agosto, são responsabilidades específicas da entidade de acolhimento:

  1. Designar o tutor;
  2. Colaborar na elaboração do plano de trabalho do aluno;
  3. Atribuir ao aluno tarefas que permitam a execução do seu plano de trabalho;
  4. Colaborar no acompanhamento e na avaliação do desempenho do aluno na FCT;
  5. Assegurar o acesso à informação necessária ao desenvolvimento da FCT, nomeadamente no que diz respeito à integração socioprofissional do aluno na entidade;
  6. Controlar a assiduidade e a pontualidade do aluno;
  7. Assegurar, em conjunto com a escola e o aluno, as condições logísticas necessárias à realização e ao acompanhamento da FCT.

Aluno

Nos termos do artigo 17º, nº4 da Portaria n.º 235-A/2018 de 23 de agosto, são responsabilidades específicas do aluno:

  1. Colaborar na elaboração do seu plano de trabalho;
  2. Participar nas reuniões de acompanhamento e avaliação da FCT para que for convocado;
  3. Cumprir, no que lhe compete, o seu plano de trabalho;
  4. Respeitar a organização do trabalho na entidade de acolhimento e utilizar com zelo os bens, equipamentos e instalações da mesma;
  5. Não utilizar, sem prévia autorização da entidade de acolhimento, a informação a que tiver acesso durante a FCT;
  6. Ser assíduo e pontual;
  7. Justificar as faltas perante o diretor de turma, o diretor de curso e o tutor, de acordo com as normas internas da escola e da entidade de acolhimento;
  8. Elaborar os relatórios intercalares e o relatório final da Formação em Contexto de Trabalho, de acordo com o estabelecido no regulamento interno da escola.
aluno em formação em contexto de trabalho com tutor

Avaliação da Formação em Contexto de Trabalho

Na fase de avaliação participam:

  • O aluno;
  • A Escola, através do Orientador de FCT, que é o Orientador de curso ou outro docente do mesmo a quem seja atribuída essa responsabilidade;
  • A entidade de acolhimento de FCT, através do Tutor nomeado por essa para o efeito.

Formação em Contexto de Trabalho e COVID-19

Limitações

Com a COVID-19, foram introduzidas algumas alterações ou limitações no que respeita à Formação em Contexto de Trabalho.

Considerando o facto de algumas empresas de acolhimento estarem em teletrabalho, o mesmo regime foi aplicado aos alunos.

Neste contexto, algumas competências, nomeadamente sociais, ficam, inevitavelmente, comprometidas, apesar da implementação de estratégias para contornar as limitações inerentes ao contexto atípico atual, assim como todo o apoio e supervisão constantes por parte das entidades envolvidas no processo.

Vantagens deste modelo para alunos e empresas

Destacam-se algumas vantagens da Formação em Contexto de Trabalho:

Para os alunos

  • Desenvolvimento de competências em contexto real de trabalho;
  • Preparação adequada às necessidades do mercado de trabalho;
  • Possibilidade de continuar na empresa;
  • Contribui para o desenvolvimento pessoal e profissional do aluno;
  • Facilita a integração e a autonomia;
  • Promove a criatividade.

Para as empresas

  • Formação de mão de obra a baixo custo;
  • Pode facilitar processos de recrutamento;
  • Atualização de ferramentas e procedimentos.

Outras informações e curiosidades sobre Formação em Contexto de Trabalho podem ser encontradas ou solicitadas, nomeadamente, junto de uma escola profissional perto de si ou através da plataforma da ANESPO – Associação Nacional de Escolas Profissionais.

Veja também

Aviso Legal

O Ekonomista disponibiliza e atualiza informação, não presta serviços de aconselhamento fiscal, jurídico ou financeiro. O Ekonomista não é proprietário nem responsável pelos produtos e serviços de terceiros apresentados, por conseguinte não será responsável por quaisquer perdas ou danos que possam resultar de quaisquer imprecisões ou omissões. A informação está atualizada até à data apresentada na página e é prestada de forma geral e abstrata, tratando-se de textos meramente informativos, pelo que não constitui qualquer garantia nem dispensa a assistência profissional qualificada. Se pretender sugerir uma atualização, por favor, envie-nos a sua sugestão para: [email protected].