João Abreu
João Abreu
27 Dez, 2018 - 12:33
Comprar carro usado a um particular: cuidados a ter

Comprar carro usado a um particular: cuidados a ter

João Abreu

Se tenciona comprar carro usado a um particular, saiba os cuidados a ter na aquisição. Conheça toda a documentação necessária, inerente a este processo.

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As leis que regulam o ato de comprar carro usado a um particular são muito diferentes das aplicadas se fizesse a aquisição num stand automóvel. No entanto, existem passos dos quais não deve prescindir. Perceba quais os cuidados que deve ter para fazer um negócio bom e equilibrado e saiba qual a documentação necessária e que deve apresentar consigo, ao longo de todo o processo de compra do veículo.

Enquanto, por lei, os stands são obrigados a dar garantia de carros usados, os vendedores particulares não estão inseridos nesta política, ou seja, não são obrigados a passar qualquer tipo de garantia, após a venda de um carro usado. E é precisamente por esta razão que existem alguns riscos durante a compra, como a ocultação de dados importantes sobre o estado do veículo, assim como o registo histórico do mesmo, por parte do vendedor particular.

Desta forma, é importante saber quais os cuidados que deve ter no momento da compra, para que os aspetos fundamentais do negócio sejam praticados o mais nobremente possível e que existam vantagens para ambas partes, isto é, quer para quem está a efetuar a compra, quer para quem vende o automóvel. Recomendamos, por isso, que preste atenção aos seguintes cuidados e considerações a ter sobre comprar carro usado a um particular.

O que deve saber se for comprar carro usado a um particular

comprar carro

Sendo um processo mais arriscado, por não envolver garantia para nenhuma das partes, comprar carro usado a um particular exige, efetivamente, alguns cuidados redobrados, de forma a concretizar um bom negócio e não “comprar”, propriamente, uma lista de problemáticas a curto prazo. Saiba, então, quais os cuidados a ter no momento da compra e quais os documentos necessários.

Se ao comprador atrai a ideia de comprar um carro usado fora de um stand tradicional e autorizado é, na maioria dos casos, pela garantia de obter um preço muito mais interessante e praticável para o seu orçamento, sendo que o propósito inicial da primeira fase deste processo seja de encontrar uma proposta de compra aliciante. As especificações extra sobre o tipo e categoria de modelo a adquirir passam, normalmente, para segundo plano.

Podemos considerar que, dificilmente, encontrará um bom negócio, se optar por procurar pelas ruas e parques de estacionamento, carros com papéis colados nas janelas a indicar que se encontram disponíveis para venda – uma forma peculiar e popular de tornar público o comércio de automóveis por zonas não destinadas a este fim. Aliás, tais atos podem ser sancionados pela lei, uma vez que os proprietários de veículos com informação referente à sua venda ou compra podem ser penalizados com multas que podem ir dos 60€ aos 300€.

Assim sendo, se tenciona encontrar um bom negócio, opte por inicialmente fazer uma pesquisa extensiva online, sabendo sempre que, posteriormente, é essencial ir ao encontro do vendedor e ter consideração de inúmeros aspetos primários acerca do estado do automóvel. Os cuidados preliminares a ter antes da concretização da compra são o segredo para obter um “bom negócio”.

Cuidados a ter 

No momento da compra, caso não seja a pessoa mais especializada na mecânica automóvel, leve consigo um mecânico que considere de confiança. A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) recomenda, ainda, que, em alternativa, entre em contacto com uma oficina dentro do seu círculo de conhecimentos, pois algumas prestam serviços especializados na inspeção de carros usados.

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O modelo a adquirir deve ser analisado ao pormenor e de forma exaustiva. É importante conhecer o modelo que pretende adquirir, consultando opiniões sobre partes ou componentes a ter em atenção e visitar fóruns que discutam sobre as mesmas temáticas.

Prever se algumas peças ou componentes do carro necessitam de serem substituídas é, sem dúvida, outra análise que deve aprofundar, calculando o número de quilómetros atuais, pela utilização de uma ou várias peças. Neste caso, e para que o barato não saia caro, deve ser verificada – de preferência acompanhado com um mecânico de confiança –  a existência de anomalias ou defeitos que possam comprometer o carro a curto prazo.

Inspeção do carro (recomendações da DECO)

“Comece por procurar vestígios de ferrugem na carroçaria, amolgadelas, mossas ou deformações. Verifique a abertura das portas e do capot, o estado dos pneus, as luzes e a pintura. No interior, veja se há danos nos estofos, se os bancos e os cintos funcionam e se não há estragos nos espelhos, nos botões, na fechadura e na chave de ignição. Ligue o motor para verificar se há indicação de avarias ou revisões no painel. Analise o nível do óleo, a validade da bateria e o depósito de refrigeração.”

É ainda de extrema importância que solicite ao vendedor e “exija conduzir o carro e verificar se os travões funcionam e se a direção está alinhada. Teste a transmissão e a caixa de velocidades em busca de ruídos.” Nesta fase, a teoria converte-se em prática e muitas das dúvidas caem por terra, validando ou não a descrição fornecida pelo vendedor.

Documentos necessários

Na aquisição de um carro usado a um vendedor particular, é estritamente necessário ter em atenção uma série de documentos muito importantes e que se resumem quase que ao “curriculum vitae” do automóvel que pretende comprar.

Peça informações importantes e imparciais ao vendedor sobre o carro e peça igualmente que lhe faculte o manual de revisões, procurando saber se o registo se encontra em dia. É importante ter a leitura do histórico de selos, de modo a entender se evidenciam alguma incoerência como, por exemplo, ter havido algum episódio mais questionável na assiduidade das revisões do veículo.

Solicite, ainda, ao vendedor que o deixe consultar o Documento Único Automóvel (DUA) para saber em que nome se encontra o veículo registado.

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É importante que fique esclarecido quanto a eventuais hipotecas que possam estar associadas ao automóvel vendido e que, futuramente, a responsabilidade pelo seu automóvel não esteja acoplada a problemas desconhecidos.

Se todos estes requisitos de pré-compra cumprirem com este padrão “vigilante assertivo”, a temática de comprar carro usado a um particular tornará os negócios mais coerentes e transparentes mas, sobretudo, poderá evitar futuros mal entendidos.

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