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Ekonomista
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20 Mar, 2020 - 16:00

O que o coronavírus tem a ver com quem quer investir na bolsa?

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Fortes emoções acompanham quem parou para olhar o reflexo do coronavírus nas ações. Mas será que é motivo de preocupação?

Homem a analisar o comportamento das suas ações na bolsa

Engana-se quem pensa que para ter lucros ao investir na bolsa basta ter bons critérios. Empresas sólidas, que apresentam lucro ano após ano, caem sem nenhum motivo aparente. Ou melhor: nenhuma razão que esteja ligada à companhia ou ao setor em que atua.

Isso está a acontecer neste momento com o aumento do número de casos do coronavírus. Há sim empresas que serão afetadas nos próximos resultados trimestrais, mas outras parecem cair por simples histeria.

Neste artigo, então, serão analisados os possíveis cenários para quem investe ou quer investir na bolsa. Caso seja um investidor iniciante, é recomendável que comece a estudar como investir na bolsa de valores.

A relação entre uma crise e o movimento da bolsa de valores

Homem a investir em ações na bolsa

Assim como em qualquer outro investimento, investir na bolsa é uma relação entre risco e retorno. No entanto, não é uma conta perfeita. Crises podem consumir todo um lucro por um período curto ou longo, sem terem sido consideradas.

O coronavírus, uma situação atual que exemplifica o que foi mencionado acima, não havia como ter sido previsto. Por isso, não havia como adicionar ao rol de “riscos” daquela sua ação de um grande banco, que caiu 10% em dois dias.

Para que saiba se o seu perfil combina com investir na bolsa, é preciso entender que isso ocorre. Por trás dessas quedas, há três motivadores principais:

  1. Os desesperados.
  2. Investidores de curto prazo.
  3. Grandes instituições e fundos.

A seguir serão discriminados cada um destes perfis, e então saberá se deve ou não preocupar-se, conforme a sua estratégia.

1. Os desesperados da crise: os chamados “sardinhas”

As pessoas que se deixam levar pela multidão e se desesperam numa queda são chamadas de “sardinhas” no mercado financeiro. Elas são parte dos responsáveis pela acentuada queda, mesmo que sem motivo aparente.

A razão para a sua contribuição é simples de entender: elas não conseguem ver uma ação a cair e não fazer nada. No desespero, abrem mão da sua posição. É o tipo de pessoa que depois diz que investir na bolsa é similar a apostar num casino.

2. Investir na bolsa com raciocínio de curto prazo

Não há nada errado em querer investir para o curto prazo. Há pessoas que operam no curtíssimo prazo com day trade e lucram em cima de operações diárias. Sem ir tão longe, quem espera lucros a cada trimestre costuma vender os seus ativos a meio de uma crise.

Com o coronavírus, é o caso de investidores de papéis que atuam nos setores de turismo. Essas empresas, duramente afetadas com a diminuição da atividade turística, terão resultados próximos menores.

Esses investidores vendem a sua posição e procuram investir na bolsa em ativos menos afetados pela crise em questão. Junto do grupo anterior, ajudam a derrubar os preços.

3. A responsabilidade dos fundos

Fundos e grandes investidores que precisam mostrar resultados querem preservar os seus percentuais de ganho. Por isso, já na previsão de queda por uma situação como a do coronavírus, renunciam a diversos ativos.

Isso explica como o papel de uma operadora de energia elétrica, por exemplo, perde valor na situação atual. Racionalmente, não há, até então, qualquer indicação de que o negócio será afetado. São grandes volumes que são vendidos, o que faz com que os preços caiam.

É uma boa ou má hora para investir na bolsa?

Mulher a comprar/vender acções na bolsa

Como vimos, o coronavírus não está entre os maiores responsáveis pela queda dos ativos. Nada mudou para quem deseja investir na bolsa para ter rendimentos futuros ou lucrar a longo prazo. Portanto, trata-se de uma oportunidade para novos entrantes e para quem já possui posições na bolsa.

O mesmo aplica-se a qualquer crise. É preciso avaliar se a empresa realmente será afetada e, se for o caso, se um ou dois resultados baixos podem ser tolerados. Caso a resposta seja positiva, provavelmente será uma boa aquisição.

O BC do Brasil, por exemplo, sinalizou que poderá haver um novo corte de juros. Seja de 0,25% ou 0,50%, o facto é que a renda variável é cada vez mais atrativa em comparação à renda fixa.

Por fim, é essencial entender que também é impossível prever o melhor momento de compra. Pode ser que caia mais, ou que torne a subir, após a aquisição de um ativo. Portanto, o mais importante é verificar a solidez e as previsões de crescimento e lucro de uma empresa.

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