Nídia Ferreira
Nídia Ferreira
16 Mar, 2020 - 12:47

Coronavírus: afinal quando e como se deve usar máscara?

Nídia Ferreira

A OMS não recomenda o uso de máscaras a pessoas que não tenham sintomas de COVID-19. Quem deve usá-las afinal? E como?

mulher a usar máscara durante surto de covid-19

Ainda não havia casos confirmados de infeção por coronavírus em Portugal e já a corrida desenfreada às máscaras se fazia sentir um pouco por todo país.

Só em fevereiro foram vendidas mais de 400 mil máscaras nas farmácias portuguesas, um crescimento de 1829,3% face ao ano passado, segundo dados revelados pela Associação Nacional de Farmácias (ANF).

O aumento exponencial na procura tem levado à rutura de stocks em vários estabelecimentos do país e os preços já começaram a disparar. Uma tendência refletida em várias partes do globo que pode levar à escassez destes materiais de proteção entre aqueles que estão na linha da frente no combate à epidemia.

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, avisou em conferência de imprensa que “a capacidade de resposta dos países poderá esta a ser comprometida pela grave e crescente interrupção no fornecimento global de equipamentos de proteção individual causada pelo aumento da procura, acumulação e uso indevido”.

Tanto a OMS como a Direção Geral de Saúde (DGS) têm insistido que o uso de máscaras é desaconselhado a pessoas saudáveis, mas ainda assim são muitas as dúvidas que subsistem. Quem deve afinal usar máscara para se proteger? E quais os cuidados que deve ter?

Quem deve ou não usar máscara durante o surto de COVID-19?

Mulher de quarentena

Já nos habituamos às imagens vindas da China e de outros países asiáticos de pessoas a usar máscara no metro ou em espaços públicos, especialmente durante períodos de epidemias.

Em Portugal não há hábito do uso de máscaras pela população, mas são cada vez mais as pessoas que procuram estes materiais com o intuito de se protegerem contra a doença. Será que acertadamente?

Até ao momento a OMS não aconselha o uso de máscaras pela população saudável, isto é, para as pessoas que não apresentam sintomas, avisando que quando mal utilizadas podem ser até mais prejudiciais do que benéficas.

Segundo a página de perguntas e respostas sobre a COVID-19 da Direção Geral de Saúde, “o uso de máscara de forma incorreta pode aumentar o risco de infeção, por estar mal colocada ou devido ao contacto das mãos com a cara.”

Além disso, o uso generalizado de máscaras pode, ao mesmo tempo, dar uma falsa sensação de segurança.

Mas então quando se aconselha o seu uso? As pessoas que possam estar infetadas, ou com sintomas de infeção respiratória (tosse ou espirro), devem usar máscara para evitar contagiar as que não estão infetadas, criando uma barreira de proteção.

Conforme é explicado no Plano Nacional de Preparação e Resposta à Doença por novo coronavírus “as máscaras faciais são máscaras descartáveis para procedimentos cirúrgicos ou médicos e formam uma barreira física que previne a transmissão de vírus de uma pessoa doente para uma pessoa saudável, ao bloquear as partículas respiratórias/aerossóis expelidas pela tosse ou espirro.”

As pessoas saudáveis e sem sintomas devem apenas usar máscara se estiverem a cuidar de alguém com suspeita de infeção pelo novo coronavírus.

Além destas o uso é também recomendado a “indivíduos com suscetibilidade acrescida como, por exemplo, imunodepressão.”

“Em relação a indivíduos assintomáticos com suscetibilidade acrescida, o uso da máscara pode ser reservado para uma fase de mitigação e em contexto de grandes aglomerados populacionais ou de frequência de serviços de saúde”, pode ler-se no mesmo documento.

Criança com suspeita de coronavírus
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Tipos de máscaras

Em Portugal são comercializadas quatro tipos de máscaras, que têm usos e níveis de proteção diferentes, a saber: as máscaras cirúrgicas e as autofiltrantes, que se subdividem em três tipos (FFP1, FFP2 e FFP3).

Cirúrgica

As máscaras cirúrgicas são consideradas dispositivos médicos. São utilizadas no contexto de cuidados de saúde, nomeadamente pelos médicos em cirurgias e para impedir qualquer contágio ao doente.

Autofiltrante

As máscaras autofiltrantes estão classificadas como Equipamentos de Proteção Individual em ambiente de trabalho de alto risco químico e/ou biológico e distiguem-se de acordo com a sua capacidade filtrante: FFP1, FFP2 e FFP3.

FFP1

Conhecidas por se assemelharam a um bico de pato e feitas de polyester, as máscaras FFP1, oferecem uma proteção idêntica à da máscara cirúrgica, que é baixa.

FFP2

As máscaras FFP2 possuem um bom nível de proteção e são por isso as recomendadas pela DGS para os profissionais de saúde. Este equipamento é fabricado num material resistente e com filtros, o que permite uma melhor respiração a quem as usa. Oferecem proteção contra fumos e/ou agentes biológicos.

FFP3

As máscaras FFP3 têm o nível mais elevado de proteção, criando uma barreira contra partículas altamente tóxicas. Por essa razão, são normalmente usadas quando há contacto com materiais de construção tóxicos.

Como usar a máscara corretamente

Se está entre as pessoas a quem o uso de máscara é recomendado, há alguns cuidados que deve ter em conta, nomeadamente:

  • Antes de colocar a máscara, lavar as mãos com uma solução alcoólica ou com água e sabão.
  • Cobrir a boca e o nariz e certificar-se de que não fica nenhum espaço entre o rosto e a máscara.
  • Evitar tocar na máscara enquanto estiver a ser usada. Se houver contacto, lavar as mãos com uma solução alcoólica ou com água e sabão.
  • Substituir a máscara por uma nova se esta ficar húmida. Não reutilizar máscaras descartáveis.
  • No momento de retirar a máscara: remover pelas pegas ou elástico, de trás para a frente, e sem tocar na máscara; deitar imediatamente fora para um caixote tapado; lavar as mãos com uma solução alcoólica ou com água e sabão.

Fontes:

Para descomplicar a informação

As informações sobre os temas que envolvem o impacto social do novo Coronavírus são dinâmicas e constantemente atualizadas. Por isso, os conteúdos publicados nesta secção não devem substituir a consulta com profissionais e especialistas, tanto da saúde como do direito e temas afins.

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