Ekonomista
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02 Jun, 2026 - 16:00

Desemprego em Portugal cai para 5,7%: época turística já está a mudar o mercado de trabalho

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A taxa de desemprego em Portugal caiu para 5,7% em abril de 2026. O emprego aumenta e as vagas disparam. Veja o que os dados do INE e do IEFP revelam.

O mercado de trabalho português entrou em abril de 2026 com os melhores números do ano. A taxa de desemprego desceu para 5,7%, menos 3.300 desempregados face a março, enquanto o emprego total ultrapassou os 5,3 milhões de pessoas pela segunda vez consecutiva. Os dados são da análise mensal da Randstad Research, com base em estatísticas do INE, do IEFP e da Segurança Social.

Não se trata de uma oscilação pontual. A procura de mão de obra intensificou-se: as empresas tinham 16.458 ofertas de emprego por preencher no final de abril, um salto de 12,3% face ao mês anterior. O mercado aquece e a explicação principal chama-se turismo.

Emprego bate recordes

Em abril, Portugal tinha 5.344.700 pessoas empregadas, mais 23.000 do que em março (+0,4%) e mais 120.500 do que em abril de 2025 (+2,3%). A taxa de emprego subiu para 66,2%, um ponto percentual acima do ano anterior.

A população ativa também cresceu: mais 19.900 em termos mensais e mais 95.200 em termos homólogos, totalizando agora 5.666.800 ativos, valores de registo histórico, segundo a Randstad Research.

A descida do desemprego em abril concentrou-se em dois grupos: as mulheres perderam 3.700 desempregadas (-2,1%) e os jovens dos 16 aos 24 anos perderam 3.600 inscritos (-5,1%). Em sentido contrário, os homens registaram um ligeiro aumento de 400 desempregados e os adultos dos 25 aos 74 anos mais 300. Numa perspetiva anual, porém, a recuperação é generalizada, o desemprego desceu 10% entre as mulheres e 10,3% entre os jovens.

Algarve: quando o turismo cria empregos mas não cria carreiras

O caso do Algarve merece atenção separada. Em abril, o desemprego na região caiu 23,3% face a março, menos 3.971 inscritos no IEFP. É uma descida expressiva, mas que esconde um padrão preocupante: nos meses de inverno, como novembro de 2025, o mesmo indicador disparou 60%.

Dois ciclos extremos, ano após ano. O mercado de trabalho algarvio absorve rapidez, mas não retém. Para Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal, a solução exige uma mudança de mentalidade nas empresas: “Mais do que reagir aos picos de procura, as empresas precisam de repensar as suas estratégias, passando de uma visão puramente sazonal para uma aposta em carreiras sustentáveis.”

A proposta passa por requalificar equipas nos períodos de menor atividade, criar modelos contratuais mais flexíveis e apostar num employer branding capaz de manter os profissionais ligados à organização o ano inteiro e não apenas entre junho e setembro.

Salários sobem 4,2%, mas as assimetrias regionais persistem

Em março de 2026, a remuneração média por trabalho dependente declarada à Segurança Social fixou-se nos 1.592,11€, mais 1% do que em fevereiro e mais 4,2% do que em março de 2025.

As diferenças regionais continuam a ser grandes. Lisboa lidera com 1.852,50€, seguida de Setúbal com 1.673,28€. Beja permanece no extremo oposto: 1.308,99€ em média, ou seja, 543,51€ abaixo da capital. Um trabalhador a tempo inteiro em Beja ganha, por mês, o equivalente a 71% do que recebe um colega em Lisboa.

Setor dos serviços domina as novas ofertas de emprego

Ao longo de abril, foram registadas 11.919 novas ofertas de emprego no IEFP. O setor dos serviços concentrou a maior fatia com 8.567 ofertas, ou seja, mais de 70% do total. O serviço público realizou 9.051 colocações a nível nacional durante o mês.

O desemprego registado no IEFP totalizou 295.756 pessoas no final de abril, uma queda de 4,2% face a março. Os pedidos de emprego também diminuíram (-2,7%), sinal de que parte da pressão laboral acumulada no inverno foi absorvida pela sazonalidade turística, exatamente como nos anos anteriores.

O que estes números significam para si

Se está a pensar mudar de emprego ou a considerar trabalhar na região algarvia durante o verão, este é o momento de maior oferta do ano. Com 16.458 vagas abertas em final de abril e a procura a crescer mês a mês, o poder de negociação dos trabalhadores aumenta, especialmente em funções de serviços e hotelaria.

Mas a estabilidade tem limites. Quem entra no mercado via contrato sazonal deve planear com antecedência: os dados mostram que o desemprego no Algarve mais do que duplica entre o verão e o inverno. Um emprego de temporada não é, por si só, uma carreira.

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Fontes

Randstad Research. (2026, junho 2). Nota Mensal de Abril 2026: Mercado de trabalho impulsionado pela época turística. Randstad Portugal. https://www.randstad.pt/randstad-research/

Instituto Nacional de Estatística. (2026). Estimativas mensais de emprego e desemprego — abril 2026. INE.

Instituto do Emprego e Formação Profissional. (2026). Estatísticas mensais do mercado de emprego — abril 2026. IEFP.

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