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Catarina Reis
Catarina Reis
08 Out, 2018 - 09:41

Desemprego e sub-emprego: como gerir estas situações?

Catarina Reis

Muitas pessoas consideram que é mais favorável estar numa situação de  desemprego do que estar empregado em trabalhos de recurso… Será?

Desemprego e sub-emprego: como gerir estas situações?

A realidade de muitas pessoas que terminam os seus cursos académicos é que, quando chega a hora de procurar emprego, as oportunidades até existem, mas em trabalhos menos qualificados – e menor remunerados – do que aqueles que elas consideram que deveriam realizar. Desemprego ou sub-emprego: que caminho escolher?

Desemprego: como contornar a situação?

desemprego

Depois de alguns meses em situação de procura de uma oportunidade de trabalho, muitos vêem-se na necessidade de aceitar propostas de trabalho que consideram estar aquém das suas competências, qualificações e expectativas salariais.

Além deste dilema entre estar no desemprego ou aceitar um emprego de recurso enquanto não aparece o “tal”, existem outros. Por exemplo, não são raras as vezes em que os candidatos consideram ter encontrado a oportunidade de emprego e/ou a empresa que consideram “ideal”, mas verificam que, na realidade, as competências e habilitações solicitadas não correspondem às suas. Outras vezes, o emprego é adequado, mas a remuneração não é, de todo, o que esperávamos.

Estas situações são frequentes, causam desapontamento, e revelam desconhecimento sobre o real mercado de trabalho. Então como lidar com a situação de não ter ainda encontrado o emprego que se encontra à altura das suas competências e qualificações?

Desemprego ou Sub-emprego?

À situação de se estar empregado mas, no fundo, sentir-se como se se estivesse no desemprego (devido a baixas remunerações, tarefas pouco exigentes, oportunidades de progressão inexistentes) os especialistas chamam de “sub-emprego”. O sub-emprego assume muitas facetas, considerando-se nesta categoria todas as oportunidades de trabalho que estão “abaixo” daquilo que o candidato deseja. Por exemplo, se o candidato deseja um trabalho a full-time e aceita um part-time, está em sub-emprego. Se o candidato sabe que as suas qualificações e experiência deveriam ser remuneradas de tal forma, mas são, na realidade, remuneradas muito abaixo, está também em sub-emprego. Finalmente, é considerada também de sub-emprego a situação de estar a realizar um trabalho cujas competências requeridas estão muito abaixo das do profissional.

horário de trabalho

Se equaciona aceitar um trabalho que se enquadra nesta noção de “sub-emprego”, pense duas vezes: não será melhor esperar e ficar no desemprego até que a oportunidade certa apareça? Certo é que a situação de sub-emprego equivale em muitos aspetos a estar no desemprego, uma vez que que as pessoas tendem a experimentar os mesmos sintomas que os desempregados – baixa autoestima, saúde precária, comportamentos agressivos e até mesmo abuso de substâncias como forma de lidar com essa situação desfavorável.

Num primeiro impulso, as pessoas tendem a pensar que mais vale ter um trabalho do que não ter nenhum, e que sempre é mais favorável auferir um ordenado do que não ter nenhum tipo de rendimento, mas a médio e longo prazo estas situações perdem importância nessa equação, e o desgaste da insatisfação pode cair sobre os seus ombros.

O que fazer para ultrapassar as situações de desemprego ou de sub-emprego?

1. Falar. No mundo de hoje ninguém gosta de dar parte fraca. Por muito desfavorável que seja a situação em que se encontrem, é difícil às pessoas falarem abertamente sobre o seu caso a outras, pois não querem que se saiba que se encontram numa situação desfavorável. Além disso, têm receio de que sejam prejudicadas no próprio ambiente profissional em que se encontram. Mas a verdade é que, uma vez ultrapassados esses receios, falar pode ser positivo. Se experimentar abrir-se perante as pessoas mais próximas, como familiares e amigos, poderá pelo menos libertar-se de algum peso. Outra boa ideia poderá ser trocar impressões com pessoas que estejam numa situação idêntica à sua. Desse modo, a vergonha passa para trás das costas. Procure Grupos de Entreajuda na Procura de Emprego, serviços de apoio ao emprego organizados pelos serviços municipais da sua cidade, e explore muito as redes socais.

2. Procure trabalho pelo valor que ele tem e lhe poderá oferecer, e não apenas pela posição e a remuneração que determinados empregos oferecem. A maioria de nós tem contas para pagar, e nem sempre é fácil colocar o dinheiro em segundo lugar, mas é importante não perder o foco de que, para sermos bem sucedidos e nos sentirmos realizados profissionalmente, é importante encontrarmos um significado no nosso trabalho – o valor. Trabalhar deve ser muito mais do que auferir um salário: uma situação de sub-emprego pode ser encarada como uma fase transitória em que pode fazer mais contactos, investir parte do salário na criação profissional de um novo currículo ou num curso, na criação de um site profissional para dar corpo àquele seu projeto há tantos anos na gaveta…

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3. Encare o sucesso de forma flexível. Normalmente somos nós que nos temos que adaptar ao mundo, e não ele a nós. Por muito compenetrados que estejamos em relação ao que queremos alcançar como sendo as nossas metas e objetivos, o mundo profissional está em constante mutação, e devemos estar atentos às mudanças, e estarmos preparados para encarar as transformações de forma flexível.

4. Organize-se. Estar no desemprego é uma excelente oportunidade para se organizar, embora seja também um desafio, por ser tão desestruturante psicológica e socialmente. Faça limpezas na sua secretária, livre-se das coisas de que não precisa. Limpe os seus arquivos digitais. Crie uma base de dados para registar devidamente todas as suas candidaturas, estabeleça contactos no LinkedIn com funcionários de empresas do seu interesse. Simplificar e organizar a sua vida ajuda-o a mergulhar de cabeça no próximo capítulo, além de fazer com que sinta que o tempo de desempregado é gasto produtivamente.

5. Considere uma mudança de carreira. Quer esteja numa situação de desemprego quer esteja num emprego de que não gosta, ambas as situações podem ser uma oportunidade para repensar tudo na sua vida. Considere outras opções de carreira. Talvez ainda esteja por descobrir que as suas competências e habilitações se adequam melhor a outro tipo de atividade, a outra indústria, na qual poderá haver mais e melhores opções.

6. Aumentar e desenvolver as suas competências: procurar maneiras de aumentar as suas competências profissionais enquanto está desempregado ou naquele part-time de que não gosta é uma boa maneira de ir ganhando terreno. Procure por cursos e formações que possam acrescentar valor ao seu currículo. Desta forma, poderá ficar melhor posicionado para entrar no trabalho desejado, quando ele aparecer.

7. Trabalhe a sua rede de contactos, faça networking. Estando sem emprego ou em situação de sub-emprego, é sempre boa ideia ir alimentando e alargando os seus contactos. É por demais conhecida a importância de uma rede de contactos consistente no processo de encontrar emprego. Estatísticas comprovam que as probabilidades de conseguir um emprego aumentam consideravelmente, se no processo de candidatura estiver envolvido pelo menos um contacto da sua rede, mesmo que seja de forma indireta.

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