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Teresa Campos
Teresa Campos
08 Abr, 2020 - 17:40

Diabetes e o novo coronavírus: todos os cuidados a ter

Teresa Campos

A diabetes é uma doença crónica que impõe alguns cuidados, em caso de infeção pelo novo coronavírus. Saiba mais sobre esta patologia.

diabetes perguntas chave

A diabetes é uma doença crónica que faz com que aqueles que padecem desta patologia estejam entre os doentes de risco, em caso de infeção pelo novo coronavírus.

A incidência da diabetes está a aumentar a nível mundial, principalmente devido à diabetes tipo 2. Portanto, é essencial saber os cuidados que os diabéticos devem ter com a COVID-19, de acordo com a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, assim como explicar as causas, consequências e tratamentos associados à diabetes.

Qual a relação entre a diabetes e o novo coronavírus?

Um indivíduo com diabetes e COVID-19 deve ter cuidados redobrados e reforçar algumas medidas, tais como o controlo da glicemia e de cetona.

Outros aspetos a considerar são:

  • continuar a tomar a medicação para a diabetes, nomeadamente o tratamento com insulina;
  • controlar a glicemia de 4 em 4 horas;
  • beber líquidos não açucarados, de 30 em 30 minutos (120ml a 180ml);
  • manter uma alimentação equilibrada;
  • verificar a temperatura corporal todos os dias, de manhã e à noite.

Diabetes: 4 perguntas e respostas

A diabetes é uma doença metabólica, crónica, caracterizada por níveis elevados de glicose (açúcar) no sangue.

A insulina é uma hormona que permite a entrada de açúcar nas células, reduzindo a quantidade de açúcar circulante. Quando o pâncreas não consegue produzir insulina em quantidades suficientes para satisfazer o organismo, ou até mesmo quando existe uma resistência a esta hormona por parte dos órgãos, surge a diabetes.

Ou seja, quando esta hormona não funciona corretamente ou até mesmo quando não existe, o nível de glicose no sangue irá aumentar e, consequentemente, aparecerá esta doença crónica que é tão comum em todo o mundo.

Médico analisa doente com pé diabético

Quais são os sintomas?

A diabetes pode ser assintomática ou aparecer com vários sintomas. Tome nota dos sintomas mais comuns:

  • sede excessiva;
  • fadiga;
  • sensação de formigueiro ou até mesmo dormência nas mãos e pés;
  • visão turva;
  • urinar com frequência;
  • vómitos;
  • dores abdominais;
  • infeções frequentes;
  • perda de peso;
  • fome excessiva;
  • processo de cicatrização de feridas lento.
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Que tipos de diabetes existem?

a) Diabetes Tipo 1:

Na diabetes tipo 1, o diagnóstico é muito rápido e, normalmente, um pouco dramático. Também conhecida como diabetes juvenil ou insulinodependente, tem uma forte predisposição genética.

Ela carateriza-se como uma doença autoimune, em que o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina, devido a um defeito presente no sistema imunológico (aparecimento de autoanticorpos contra as células beta pancreáticas).

b) Pré Diabetes

Acontece quando existem ligeiras alterações dos valores glicémicos no sangue, isto é, valores que não são normais, mas que também não são suficientes para se considerar diabetes.

Normalmente, as pessoas que se encontram com alterações deste género têm tendência a vir a ter diabetes no futuro.

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c) Diabetes Tipo 2

Acontece quando existe uma resistência, por parte do pâncreas, à insulina, mas também quando a produção de insulina é relativamente pouca ou insuficiente.

A diabetes do tipo 2 é o tipo mais comum e ocorre predominantemente em adultos. Está muitas vezes associada ao excesso de peso, ao sedentarismo e ao consumo excessivo de alimentos ricos em gorduras e hidratos de carbono refinados, que não são de todo proporcionais à energia despendida. Contudo, pode também manifestar-se devido a uma predisposição genética.

Neste tipo de diabetes, a doença pode, muitas vezes, não ser detetável assim que se manifestam os primeiros sinais. Ou seja, pode viver com diabetes tipo 2 durante um longo período de tempo sem saber que a doença está presente.

d) Diabetes Gestacional

A diabetes gestacional pode desenvolver-se no 3º trimestre da gravidez. É resultante de uma resistência à insulina, devido ao ambiente hormonal que é próprio da gravidez. É mais frequente se já existir história familiar de diabetes. Mas, se está grávida, tenha calma. Nós vamos ajudá-la a compreender melhor este assunto!

Embora possam surgir alguns sinais de alerta, como visão turva e sede excessiva, este tipo de diabetes tem tendência a desaparecer depois do parto. Trata-se, na maioria dos casos, de um distúrbio que só se manifesta durante a gravidez e que obriga a grávida a tomar alguns cuidados.

O diagnóstico envolve duas fases:

  • avaliação da glicemia em jejum, na primeira consulta pré-natal;
  • reavaliação às 24-28 semanas, através de uma prova de tolerância à glicose oral (PTGO).
teste diabetes

Quais são os tratamentos associados?

A diabetes é uma doença crónica que não tem cura. No entanto, com a alteração do estilo de vida e o tratamento farmacológico adequado, ela é uma doença controlável. O objetivo do tratamento da diabetes é controlar a quantidade de glicose que está presente no sangue, evitando assim as quedas ou picos ao longo do dia.

Para o tratamento da diabetes do tipo 1, é necessário fazer injeções de insulina de forma a manter normais os valores de glicose no sangue. Para que isto aconteça, o seu médico irá acompanhá-lo e ser-lhe-á fornecido um esquema de insulina (com tipos de insulina, dosagens adequadas, formas de administração e horários).

Ela deve ser sempre administrada por baixo da pele, através de injeções em locais como braços, barriga, coxas e nádegas. Importa salientar que a barriga é o local indicado para as injeções de ação mais rápida e as coxas são mais utilizadas para as injeções de ação intermédia. Portanto, sempre que tiver um pico ou uma queda nos valores de insulina, deve aplicar a injeção na barriga.

No que toca ao tratamento da diabetes do tipo 2, ele exige que altere os seus hábitos alimentares e, por sua vez, o seu estilo de vida.

A ingestão de alimentos com baixo teor de gorduras e açúcares, a prática de exercício físico, o controlo do peso, a monitorização periódica dos valores de glicose, bem como as visitas médicas regulares são alguns fatores que contribuem para um tratamento eficaz.

Contudo, se tem este tipo de doença, pode também ter que tomar alguns medicamentos para controlar os níveis de glicose. Na consulta com o seu médico, ele indicará o tratamento mais adequado ao seu caso, que pode passar pela toma de comprimidos diferentes e até mesmo de injeções.

Falando agora no tratamento da diabetes gestacional, este visa diminuir os níveis de açúcar no sangue da mãe, de forma a que não prejudiquem o desenvolvimento do bebé. Se for o seu caso, não fique preocupada. A prática de exercício físico, juntamente com uma alimentação saudável, são muitas vezes suficientes para manter os seus níveis de glicose normais.

No entanto, se estas práticas não forem suficientes, existem outros métodos, como a toma de medicamentos por via oral ou até mesmo injeções temporárias de insulina.

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Qual a importância da nutrição no tratamento da diabetes?

A nutrição é um elemento essencial no tratamento da diabetes, mas importa saber mais e informar-se junto do médico que realiza o acompanhamento da doença.

Para muitas pessoas com esta doença crónica, é indispensável que se estabeleça um plano nutricional adaptado às suas preferências individuais, bem como às suas necessidades glicémicas e atividades diárias. Por isso, se é diabético, deve ser acompanhado por uma equipa de especialistas em nutrição, para que todo o processo de tratamento se torne mais fácil para si.

Não se esqueça que a atividade física, em conjunto com uma alimentação equilibrada, são a chave para um tratamento eficaz, a par da medicação prescrita pelo médico, claro.

Mulher a controlar níveis da diabetes
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