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Gabriela Caçador
Gabriela Caçador
22 Jun, 2021 - 09:25

Dicas dos especialistas: como poupar na conta da eletricidade e da água

Gabriela Caçador

Conheça as dicas de Filipa Newton e Manuel Casquiço, da Agência para a Energia – ADENE, para reduzir consumos e aumentar o conforto da sua habitação.

Dicas dos especialistas

Quer gastar menos na fatura da eletricidade e da água, sem abdicar do conforto em casa e sem mudar o seu estilo de vida? Filipa Newton, coordenadora de Novos Sistemas, e Manuel Casquiço, diretor de Programas e Iniciativas, da ADENE – Agência para a Energia – ADENE, garantem que é possível. Com algumas soluções fáceis de adotar, consegue poupar dinheiro e, simultaneamente, contribuir para uma sociedade mais sustentável.

Poupar na conta da eletricidade e da água: 10 recomendações

Investir em sistemas de monitorização

A instalação de um sistema de monitorização de consumo de energia, também denominado de smart meter “é uma medida excelente para quem pretende diminuir os consumos na fatura de eletricidade”, garante Manuel Casquiço, diretor de Programas e Iniciativas da ADENE.

Estes equipamentos são ligados ao quadro elétrico e permitem visualizar, de forma exata, como utilizamos a energia. É possível, por exemplo, verificar em tempo real, quanto está a consumir um determinado eletrodoméstico ou tomada.

“São sistemas muito fáceis de usar. Existem várias versões, mas todas elas são simples e vêm com instruções. Numa fatura anual de 1200 euros permitem uma poupança de cerca de 48 euros, por ano”. E porquê?

O diretor explica que “quando observamos o que estamos a consumir temos tendência a ter um comportamento mais eficiente”. Para além disso, os sistemas de monitorização têm outra vantagem – muitos destes equipamentos vêm com aplicações móveis, compatíveis com qualquer smartphone.

Por isso, “dá para ver o nosso padrão de consumo e perceber, por exemplo, se compensa ou não ter uma tarifa bi-horária. Se os valores de consumo à noite e durante o dia forem idênticos, compensa uma tarifa simples. Caso o consumo durante a noite seja relevante, já compensa optar pela tarifa bi-horária. Ou seja, é possível observar o nosso perfil de consumo e adaptar o nosso comportamento para obter poupança”.

Filipa Newton, coordenadora de Novos Sistemas da ADENE, revela que “também existem no mercado sistemas de monitorização para água”. Estes equipamentos dão informação sobre hábitos de consumo e perfis de utilização de água. Desta forma, é possível conhecer os consumos e incentivar toda a família a adotar medidas comportamentais diárias para um uso mais eficiente da água.

Para além disso, têm ainda a vantagem de permitir identificar perdas de água nos equipamentos e na rede, uma vez que se consegue detetar consumos de água em períodos nos quais não existe utilização dos equipamentos.

Mudar de comercializador

O mercado livre de energia permite ao consumidor escolher o comercializador de eletricidade que melhor se adequa à sua família. Mudar de comercializador é simples e não tem custos.

A ADENE disponibiliza no portal poupaenergia.pt, os tarifários em tempo real, que são usados pelos comercializadores.

Esta medida pode representar uma poupança de até 20% no valor da fatura de energia. A mudança pode ser efetuada num prazo de cinco dias úteis e é tratada diretamente com o novo comercializador, que se ocupa de todo o processo.

Instalar janelas eficientes

As janelas têm um peso muito significativo, quer no conforto, quer no gasto associado à climatização.

Filipa Newton explica que “optar por janelas mais eficientes, com uma classificação A+, reduz, em pelo menos 50% as perdas de energia. Esse desperdício irá refletir-se em consumos aumentados na parte de climatização. Se nós tivermos uma janela eficiente, classe A ou superior, e se considerarmos que o resto do isolamento da casa também está adequado, podemos obter poupanças energéticas entre 200 e 850 euros, por ano”. Estes valores são variáveis de acordo com a dimensão e localização geográfica da casa.

Quem quiser fazer a substituição das janelas em casa, pode recorrer ao Programa “Edifícios mais sustentáveis” do Fundo Ambiental, que deverá ser retomado em breve, e que apoia até 70% a instalação de janelas eficientes.

Etiqueta energética e consumo de água

Segundo Manuel Casquiço, o maior consumo de eletricidade em casa, por norma, é com “os equipamentos que funcionam 24 horas por dia, como por exemplo, o frigorifico e as arcas congeladoras”.

Embora não tenham uma potência elevada, este tipo de equipamentos têm um consumo considerável por estarem permanentemente ligados.  Por esse motivo, quando adquire um frigorifico deve ter cuidados acrescidos. Ao substituir o seu frigorífico antigo por um de classe mais eficiente poderá obter reduções anuais, nos custos energéticos, na ordem dos 70 euros.

O diretor de Programas e Iniciativas da ADENE não tem dúvidas de que “as etiquetas energéticas são uma das ferramentas mais importantes para os consumidores terem em conta”.

E exemplifica, “se considerarmos uma máquina de lavar roupa, ao optar por uma de classe energética mais eficiente podemos reduzir a fatura de energia em cerca 21 euros, por ano”. E estes valores podem ser ainda mais significativos, se estivermos a falar de pessoas que dão um maior nível de utilização a estes equipamentos.

Filipa Newton, por sua vez, considera que quando se compra uma máquina nova devemos ter atenção à etiqueta energética, mas também ao consumo de água, visível na etiqueta energética: “Já há máquinas, atualmente, que são eficientes do ponto de vista energético e que têm bons consumos de água. No caso das máquinas de lavar roupa, a escolha correta da máquina pode representar uma poupança que pode ir aos 4500 litros de água, por ano”.

No que concerne às máquinas de lavar loiça, 90% do consumo de energia, corresponde aos ciclos de aquecimento de água e secagem. Ao substituir a sua máquina de lavar loiça antiga por uma de classe mais eficiente, pode reduzir a sua fatura de energia em 35 euros, por ano.

No que diz respeito ao consumo de água, “as máquinas de loiça mais antigas têm um consumo na ordem dos quatro mil litros, por ano, enquanto as mais recentes, gastam cerca de dois mil litros ano. Estamos a falar numa redução de dois mil litros, no consumo de água”, explica a coordenadora.

Evitar lavar a loiça à mão

Nos consumos domésticos, a água representa, em média, 25% das despesas. Os gastos maiores são com a eletricidade e o gás, cerca de 75%. No entanto, apesar de a fatura da água ser mais reduzida, “uma poupança na ordem dos 4500 litros de água, por ano, em concelhos onde a água é mais dispendiosa, pode representar uma poupança de 20 euros por ano. Não é completamente irrelevante”, conclui Filipa Newton.

Caso ainda seja uma das pessoas que lava a loiça à mão, saiba que gasta “mesmo muito mais água do que quando usa uma máquina de lavar loiça”, afirma a especialista, acrescentando “água e energia, quando usa água aquecida. E aí, só na água, estamos a falar de, pelo menos, 20 a 50 euros, por ano, de diferença entre estar a lavar a loiça à mão ou a usar uma máquina, se estivermos a falar de uma família de quatro pessoas, com padrões de consumo não demasiado exagerados”.

Por isso, “na substituição ou na compra de uma máquina deve ter-se sempre em atenção a classe energética e o consumo de água na etiqueta e quem não tem máquina de lavar loiça deve ponderar essa aquisição, porque há um gasto muito significativo de água quando se lava a loiça à mão”.

Ter dispositivos mais eficientes

Para obter uma maior eficiência hídrica também deve ser ponderada a substituição de dispositivos comuns, como autoclismos, chuveiros, ou torneiras convencionais, por dispositivos mais eficientes.

Com esta medida “é possível poupar cerca de 200 mil litros de água, por ano, considerando uma família média de quatro pessoas. Isto pode representar 230 euros, na fatura de água anual, considerando um tarifário médio, se formos para concelhos com tarifários superiores esse valor aumenta”, explica Filipa Newton.

Quando falamos em poupar energia, falamos em isolamento térmico, em janelas eficientes, ou seja, “ações que a pessoa pode tomar para aumentar o conforto e reduzir o consumo”, esclarece.

Acrescenta que “em relação ao consumo de água, também devemos procurar fazer esse racional, porque há muito a fazer. Claro que não devemos deixar uma torneira de água a correr. Mas, se optarmos por uma torneira que reduz em 50% o consumo de água, independentemente do tempo que estivermos no duche, vamos reduzir sempre em 50% o consumo de água”.

Atualmente, existem no mercado marcas portuguesas a produzir produtos altamente eficientes, como por exemplo, chuveiros que reduzem em 60% o consumo de água, ou autoclismos com dupla descarga, que permitem a integração de água de fontes alternativas.

Ou seja, há todo um manancial de produtos, hoje em dia, que permitem usar água de um modo mais eficiente. Um autoclismo de dupla descarga, com redução no caudal de água, por exemplo, pode significar menos 73 euros, na fatura anual de água. E como uma grande parte da água usada em casa é aquecida, tornar a casa mais eficiente no uso de água vai refletir-se também na fatura da eletricidade ou do gás.

Investir em painéis solares

A produção de água quente sanitária é o segundo maior fator de consumo de energia em casa, representando 24% do consumo energético total.

Por isso, “a instalação de painéis solares térmicos compensa claramente”. Comparado, por exemplo, com o gás natural, “representa uma poupança de 350 euros, por ano, o que permite uma amortização do investimento em sete ou oito anos”, refere Manuel Casquiço.

Produzir e consumir a própria energia

Enquanto o painel solar transforma energia solar em energia térmica para o aquecimento de água, um sistema fotovoltaico permite produzir eletricidade para os mais variados usos.

A instalação do kit fotovoltaico para autoconsumo, numa fatura anual de 720 euros, pode reduzir a fatura de energia em 285 euros, por ano.

O autoconsumo pode levar à redução da fatura de energia elétrica até 80%.

Reduzir consumo na iluminação

A iluminação representa, em média, 14% do consumo de eletricidade em casa.

Manuel Casquiço recorda que “se as pessoas tiverem aqueles cuidados de desligarem a luz quando saem, há sempre uma poupança”.

Para além disso, quem substituir a iluminação incandescente por LED poderá obter reduções anuais nos consumos de energia na ordem dos 10 euros por lâmpada.

Ter atenção aos consumos em standby

O consumo em standby é a energia consumida pelos vários equipamentos elétricos quando estes se encontram em modo de espera, isto é, quando são desligados apenas através do comando remoto.

Os consumos em standby representam cerca de 10% da fatura de energia. Uma solução para reduzir estas perdas de energia é a compra de uma tomada com interruptor (normalmente cor de laranja).

Trata-se de um investimento de cerca de 15 euros que permite anular o consumo em standby de todos os equipamentos ligados a essa tomada. Numa fatura anual de 500 euros, por exemplo, pode reduzir a fatura de energia em 50 euros, por ano.

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