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Catarina Reis
Catarina Reis
10 Out, 2019 - 11:07

Conheça os diferentes tipos de síndrome do impostor

Catarina Reis

Muitas pessoas, mesmo sem saberem, sofrem do chamado síndrome do impostor, que pode manifestar-se de formas diferentes. Contorná-lo está ao alcance de todos.

Sindrome do impostor

Não há razões para alarme! Apesar de ter um nome sonante, o síndrome do impostor é muito mais vulgar do que o que muitas pessoas poderão pensar. Aliás, estima-se que 70% das pessoas acabam por experienciar esta condição, pelo menos uma vez na vida.

Tal não significa que não deva combatê-lo, mas sim, antes de mais, conhecê-lo.

Em que consiste o síndrome do impostor?

frustracao no trabalho

Considera-se que o síndrome do impostor acontece quando a pessoa se sente menos competente ou capaz do que na realidade é. Está, assim, intimamente ligado ao desejo excessivo de atingir a perfeição, particularmente em situações sociais e de trabalho.

Eis um exemplo de alguém afetado pelo síndrome do impostor:

A Maria trabalha como arquiteta há vinte anos. Neste preciso momento está a trabalhar no desenho de um edifício no centro da sua cidade, que, além de ser um projeto ambicioso e inovador, será de vital importância para muitos milhares de pessoas, que terão a sua vida melhorada em muitos aspetos.

Apesar de já ter recebido inúmeros prémios e de ser uma arquiteta respeitada nesta área, Maria hoje sente-se incapaz de terminar o projeto, e pensa que, além de ninguém gostar verdadeiramente do seu trabalho, todos vão perceber, quando apresentar o projeto, que não é assim tão bom. E mesmo que seja, com certeza irão aperceber-se de que teve muitas ajudas para concretizá-lo, não tendo sido “realmente” um fruto da sua competência.

Sente-se uma fraude?

Tal como a Maria, as pessoas que sofrem de síndrome do impostor sentem, perante situações de sucesso, que os outros irão acabar por perceber que não são competentes. Resumindo, sentem que são uma fraude, e os seus pensamentos levam-nas a pensar que chegaram onde chegaram apenas por pura sorte.

Diferentes tipos de síndrome do impostor

Uma boa forma de compreender melhor e ajudar quem sofre deste pequeno distúrbio emocional passa por saber que existem vários tipos de síndrome do impostor. Identificar em qual deles nos situamos é um bom primeiro passo para obter ajuda.

Fique a conhecer os diferentes tipos de síndrome do impostor, bem como estratégias para lidar com cada um e conseguir ultrapassá-los.

excesso de trabalho

1 – O perfecionista

Geralmente, quem sofre deste síndrome procura a perfeição em uma ou várias áreas da sua vida. O perfecionista estabelece objetivos excessivamente altos para si próprio e, sempre que não consegue atingir um objetivo, o seu mundo fica abalado. As dúvidas quanto a si próprio vêm ao de cima, e preocupa-se de um modo extremo, com a avaliação que os outros possam fazer de si. 

O perfecionista acaba muitas vezes por desejar controlar tudo o que faz e cair na ilusão de que a vida pode ser controlada; mas como não pode, e como os imprevistos são mesmo inevitáveis, acaba por sofrer de ansiedade.

Contrariamente ao que possa pensar-se, procurar a perfeição acaba por impedi-lo de provar o sabor do sucesso, isto porque acha sempre que podia ter feito melhor. Esta situação pode ter como consequência chegar a um estado de esgotamento. A celebração dos sucessos é importante para as pessoas se sentirem realizadas e poderem cultivar um sentimento de auto confiança equilibrado.

O que devem os perfecionistas fazer? Os perfecionistas devem aprender a aceitar seus erros com serenidade, encarando-os como parte natural do processo de trabalho.

Essas pessoas tendem a esperar muito tempo até começarem a trabalhar num projeto, por acharem que o momento perfeito ainda não chegou. No entanto, devem contrariar essa tendência tomando a iniciativa o mais cedo possível.

É importante dar esse primeiro passo, aceitando naturalmente que coisas como o momento certo não existem, e que se aparecerem falhas pelo caminho, as aprendizagens poderão contribuir para chegar a um ponto de maior desenvolvimento e sucesso.

2 – O Super Homem

Sofrer do síndrome do impostor leva a que as pessoas se esforcem constantemente para esconder as suas inseguranças perante os outros. Este esforço extra resulta normalmente em exageros de carga de trabalho, o que acaba por prejudicar a saúde mental e social. Afinal de contas, quem é que gosta de se relacionar e de trabalhar com alguém que não tem falhas?

O que devem fazer os Super Homens / as Super Mulheres? Perceber que, na realidade, não precisam constantemente da validação do seu trabalho por parte dos outros é fundamental, e que basta a própria pessoa sentir-se bem com o que produz para estar bem. Por outro lado, deverá estar preparado para receber as críticas e apreciações do seu trabalho de forma construtiva, e não pessoal.

3 – O génio

Trata-se do indivíduo que se julga um génio. Este aspeto terá sido determinado à nascença e reforçado pelas altíssimas expectativas que todos depositaram sobre ele. Por serem tão bons naquilo que fazem, não só não podem errar de forma alguma, como têm que produzir o seu trabalho de forma extremamente rápida. O génio natural é uma espécie de upgrade do perfecionista.

O que deve fazer o génio? Não se punir a si mesmo quando as coisas não resultam de uma forma tão eficaz como desejaria. Capacitar-se de que a situação normal é encarar o trabalho com naturalidade, aprender e treinar, e não desejar acertar à primeira todas as vezes.

4 – O individualista

Tal como o nome deixa antever, o individualista é a pessoa cujo síndrome do impostor leva a acreditar que pode fazer tudo sozinha, provando constantemente o seu valor individual sem jamais recorrer a qualquer tipo de ajuda ou colaboração. Aliás, o individualista pensa que se recorrer a ajuda por parte de alguém, está a revelar perante os outros que é uma fraude.

O que pode fazer o individualista? Aceitar que, ainda que sozinhos cheguemos mais depressa, em equipa chegamos mais longe. Compreender o valor da sinergia e aceitar que, apesar de imprevisível, os seus resultados podem ser estrondosamente melhores que os obtidos por alguém que trabalha sozinho.

5 – O especialista

O especialista tende a sentir-se realizado apenas quando está convencido de que sabe e conhece tudo, mas mesmo tudo, sobre uma determinada coisa. Se, mesmo executando um trabalho de forma exemplar, o indivíduo se sente como se não dominasse tudo sobre o mesmo, a sua auto estima cai a pique, e tende a sentir-se uma fraude, não pela natureza do trabalho em si, mas apenas pelo facto de sentir que não sabe tudo sobre ele.

Estas pessoas muito dificilmente arriscam sequer um milímetro no que quer que seja, pois basta terem uma dúvida pequena sobre um assunto para se manterem fora dele.

O que devem os especialistas fazer? Capacitar-se de que é normal não saber tudo sobre todos os assuntos, e de que para se fazer um bom trabalho não é preciso estar em controle de todas as informações que rodeiam o mesmo. É normal não se ser extremamente bom em tudo, e é para isso que serve o trabalho em equipa, por isso o especialista deve perder o receio de pedir ajuda.

Em conclusão, o síndrome do impostor pode resultar da combinação de várias tendências de comportamento, tipificadas e caricaturadas nos perfis acima descritos.

Geralmente, as pessoas que sofrem do síndrome do impostor apresentam uma combinação de todos estes comportamentos, resultando em grande angústia e incapacidade de saborear as suas vitórias.

Identifica-se? Não é tarde para mudar. Reconheça a sua tendência para ser perfecionista e combata-a!

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