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Ana Graça
Ana Graça
27 Abr, 2018 - 11:03

Erotomania: a convicção delirante de que se é amado por outra pessoa

Ana Graça

A erotomania, ou o delírio de ser amado, é uma doença psiquiátrica rara. Fique a conhecer melhor esta patologia, as suas causas e o seu tratamento.

Erotomania: a convicção delirante de que se é amado por outra pessoa

A erotomania é vista como uma paranóia específica, integrada nas perturbações delirantes. É um transtorno delirante persistente e especial.

Erotomania: o que é?

erotomania

A pessoa que padece de erotomania tem a ideia delirante de que é apaixonadamente amada por outra pessoa. Acredita, inclusive, que foi a outra pessoa quem primeiro se apaixonou e declarou o seu amor.

Frequentemente, a pessoa que o doente acredita estar perdidamente apaixonada por si não está na realidade disponível para tal, contudo, apesar de recusar e negar este amor, o delírio da pessoa com erotomania persiste. Estas recusas são inclusive erradamente interpretadas como declarações de amor encobertas ou camufladas.

É uma convicção delirante de união amorosa com outra pessoa de estatuto superior, que foi a primeira a apaixonar-se e a tentar a aproximação. Pode manifestar-se em qualquer idade, desde a adolescência até à idade avançada e predomina no sexo feminino.

Algumas das crenças delirantes da pessoa com erotomania são:

  • Que a outra pessoa não pode ser feliz nem está completa sem ela;
  • A convicção de que a outra pessoa está livre, pois o seu casamento não é válido;
  • Vigiar e tentar proteger constantemente a pessoa que acredita estar apaixonada por si;
  • Estabelecer conversas indiretas com essa pessoa;
  • Interpretar as recusas como contraditórias, assumindo que não há qualquer impedimento para o relacionamento;
  • Os comportamentos de rejeição são interpretados como tentativas para pôr à prova o seu amor ou causados por outras pessoas que tentam interferir no relacionamento amoroso.

A erotomania pode ter um início súbito e ter uma evolução crónica. É considerada uma condição rara, mas desconhece-se a sua incidência exata. A erotomania pode permanecer muito tempo sem atrair atenção, não sendo estas pessoas alvo de ajuda médica, o que pode contribuir para um tão baixo número de casos conhecidos.

As pessoas com erotomania que chegam aos serviços de saúde mental fazem-no, geralmente, devido ao facto de apresentarem já comportamentos socialmente estranhos e bizarros: perseguições; telefonemas excessivos; assédio.

Causas da erotomania

Alguns autores referem que esta perturbação surge como tentativa de diminuição do sentimento de inferioridade, em que o doente projeta construções delirantes narcísicas em pessoas mais valorizadas socialmente. Outros autores acreditam que a existência de um processo de luto patológico pode causar o delírio.

Não existe, portanto, consenso quanto à causa desta patologia, no entanto, sabemos que surge frequentemente associada a outras condições médicas, nomeadamente:

Tratamento da erotomania

O tratamento da erotomania assenta numa abordagem multidisciplinar:

Tratamento farmacológico: os medicamentos antipsicóticos são os mais frequentemente utilizados; ajudam a reduzir a intensidade do delírio e dos comportamentos, permitindo um funcionamento mais adequado em sociedade.

Terapias psicológicas: terapias de suporte, tais como intervenções familiares, sociais e ambientais, parecem apresentar benefícios.

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