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Ekonomista
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21 Nov, 2018 - 16:05

Como escolher o depósito a prazo mais rentável

Ekonomista

Escolher o depósito a prazo mais rentável não é difícil, desde que saiba as regras e fatores a considerar. Siga as nossas dicas e faça um bom negócio.

Como escolher o depósito a prazo mais rentável

As ofertas dos bancos multiplicam-se, mas, aos olhos de quem não é perito na matéria, até parecem todas iguais. Como escolher o depósito a prazo mais rentável para investir algum dinheiro?

Há vários fatores a considerar no momento de aplicar as poupanças – ou parte delas – num destes produtos financeiros. Não são regras estanques e imutáveis, mas funcionam perfeitamente como linhas de orientação, sobretudo se não for um “ás” dos números e um mágico do jargão bancário.

Vamos, neste artigo, tornar simples os principais conceitos relacionados com os depósitos a prazo. Direta ou indiretamente, todos eles têm impacto na rentabilidade do negócio e, por isso, devem ser cuidadosamente analisados.

Saiba, no entanto, que nem sempre os astros se alinham de forma perfeita, pelo que nem sempre vai ter todos os fatores “no verde” quando subscreve um depósito a prazo. Assim, a melhor estratégia é sempre aquela que procura um equilíbrio entre todos e um compromisso em que, ao abdicar de um, está a ganhar com o outro.

10 critérios para escolher o depósito a prazo mais rentável

escolher o depósito a prazo mais rentável

Os depósitos a prazo são um dos produtos de poupança a que com mais frequência recorremos quando temos algum dinheiro de parte. Mas, com as taxas de juro baixas como estão, há que saber como escolher o depósito a prazo mais rentável.

O montante de dinheiro disponível e o prazo do depósito influenciam, à partida, a decisão. Para além disso, há outros fatores que devem ser tidos em conta como: a capacidade de risco, a retenção de impostos associada ao produto, se pode ou não fazer reforços, mexer no dinheiro antecipadamente e, até mesmo, a instituição bancária onde fará o depósito.

Os depósitos a prazo não são, por definição, os produtos mais rentáveis que o mercado tem, mas são considerados os mais seguros e que apresentam maiores garantias.

Comece por escolher bem a instituição bancária onde fará o depósito. Se é cliente habitual de determinado banco peça simulações. Mas não deixe de fazer o mesmo na concorrência. Aprofunde a sua pesquisa para que possa escolher o depósito a prazo mais rentável num banco sólido. Ao fazer a análise das propostas tenha em consideração os seguintes critérios.

1. Montante do depósito

Quanto mais elevado for o montante de subscrição, maior será o retorno que conseguirá obter. Verifique quais os montantes mínimos e máximos definidos pelos bancos para os depósitos que está a analisar.

2. Taxa de juro e impostos

É a mais óbvia, mas curiosamente não é a primeira para a qual os clientes olham – nem para a qual olham corretamente. A taxa de juro é, em termos simples, aquilo que o banco lhe paga para o convencer a investir o dinheiro num depósito a prazo.

Tal como acontece com as taxas de juro aplicadas aos créditos, a taxa de juro dos depósitos a prazo varia consoante a duração do depósito e a evolução da “mãe” de todas as taxas, que é a Euribor.

No entanto, tome em atenção que associado às taxas de juro há impostos que vai ter que pagar ao Estado. A Taxa Anual Nominal Bruta (TANB) é a taxa de juro na qual não estão descontados os impostos. Já a Taxa Anual Nominal Líquida (TANL) representa o valor dos juros associados a um depósito a prazo após deduzidos os impostos. A retenção para IRS será feita automaticamente pelo banco. Portanto, avalie sempre a TANL, uma vez que esta indica o valor exato que irá receber de juros.

3. Capitalização

Para escolher um depósito a prazo mais rentável, no entanto, não basta escolher uma taxa de juro mais alta. Há outro detalhe que importa muito, e chama-se capitalização.

Vamos simplificar: num depósito a prazo, os juros podem ser capitalizados ou não. Quando são, sempre que recebe juros eles são somados ao valor inicial que investiu; quando não são, são depositados na sua conta à ordem.

Tome o exemplo de um depósito de 100 euros com uma taxa de juro de 5%. Quando, ao fim do período previamente estabelecido pelo contrato, receber 5 euros de juros, esse dinheiro pode ser depositado na sua conta à ordem (não capitalizado) ou pode ser somado ao seu depósito a prazo, que passa a ser de 105 euros.

A vantagem de capitalizar os juros é que, de cada vez que o valor do depósito é reforçado, o investimento rende mais (porque 5% de 100 euros não é o mesmo que 5% de 105 euros). Assim, quanto mais longo for o depósito, mais juros recebe e mais juros capitaliza.

Para escolher um depósito a prazo mais rentável deve, por isso, procurar sempre que o banco lhe permita capitalizar os juros.

4. Prazo do depósito

Investir dinheiro num depósito a prazo é quase como emprestar dinheiro ao banco, ou seja, é um negócio que interessa à instituição. Assim, nos depósitos a prazo aplicam-se os mesmos princípios que nos créditos, só que com papeis inversos: o banco quer o seu dinheiro e paga-lhe juros para tê-lo do lado de lá.

Tal como com qualquer crédito, quanto mais tempo durar o “empréstimo”, maior terá de ser a recompensa oferecida ao investidor. Traduzido em linguagem corrente, quanto mais longo for o prazo do seu depósito, mais alta será a taxa de juro nele aplicada.

Um depósito a prazo mais rentável será, por norma, de cinco a dez anos. Há, em todos os bancos, ofertas mais curtas – que também têm as suas vantagens -, mas, se olhar só para as taxas de juro, dificilmente faz um bom negócio em menos de cinco anos de investimento.

5. Mobilização

Esta é uma característica que pode ter um impacto direto e indireto na rentabilidade do seu investimento, por isso merece bastante atenção.

Começamos pelo impacto direto: depósitos a prazo com possibilidade de mobilização tendem a ter taxas de juro mais baixas – porque pode, a qualquer momento, pedir ao banco que lhe devolva imediatamente o que emprestou. A redução na taxa de juro pode ser maior ou menor dependendo da possibilidade de a mobilização ser apenas total ou também parcial (ou seja, dependendo se só pode tirar o dinheiro todo de uma vez ou se pode tirar apenas uma parte, mudando as regras do jogo a meio).

Por outro lado, a possibilidade de mobilização do dinheiro investido pode ser uma vantagem em cenários de evolução rápida (e positiva) da Euribor. Imagine que contratou um depósito a prazo de cinco anos a 2% de juros, mas a Euribor subiu acentuadamente nos últimos seis meses e agora qualquer banco lhe oferece 5% de juros pelo mesmo tipo de depósito: provavelmente, compensa-lhe tirar o dinheiro do depósito inicial (mesmo perdendo os juros corridos, que provavelmente nem sequer acompanharam a Euribor porque só são atualizados quando terminar o prazo do depósito ou em alturas contratualmente pré-definidas) e aplicá-lo noutro depósito diferente e com as novas condições do mercado.

Claro que esta análise requer um acompanhamento das tendências financeiras e não se faz no calor do momento, de repente. No entanto, se tiver tempo e paciência para dedicar à causa, esta pode ser a chave para a contratação de um depósito a prazo mais rentável, mesmo em épocas de juros baixos.

6. Reforço

Poder reforçar um depósito a prazo com novas quantias de dinheiro é sempre importante, sobretudo se sabe que ao longo do tempo vai tendo oportunidade para investir mais. Assim, a possibilidade de reforço – que não existe em todos os depósitos a prazo – pode fazer muita diferença no resultado final de um investimento a prazo, porque sempre que soma dinheiro à quantia inicial está a receber mais em juros.

Por outro lado, a possibilidade de fazer reforços de investimento também tem um impacto direto na taxa de juro que o banco lhe oferece – porque, lá está, as instituições bancárias não gostam que as regras mudem a meio do jogo e dão sempre preferência à estabilidade. Ainda assim, um depósito que lhe permita reforço será quase sempre o depósito a prazo mais rentável.

Assim, quando for escolher o seu depósito a prazo, verifique se este permite reforçar a poupança durante a vigência do contrato. Se for o caso, perceba qual a periodicidade dos mesmos (podem ser mensais, trimestrais, semestrais, ou pontuais). Pergunte também pelos limites de montantes e se há comissões associadas à operação.

7. Renovação

No leque de ofertas de depósitos a prazo encontra duas opções possíveis quanto à renovação do investimento: ou é automática ou é inexistente.

A renovação automática de um depósito a prazo é a assunção, por parte do banco, de que quer repetir a operação de investimento quando o prazo inicial termina. Regra geral, a renovação automática acontece se não der ao banco instruções claras no sentido contrário e é contratualizada pelo mesmo período inicialmente combinado – ou seja, um depósito a seis meses renova por mais seis meses, um de dois anos renova por mais dois anos, etc.

A renovação torna um depósito a prazo mais rentável se os juros forem capitalizados – porque o sistema lucrativo se perpetua sem requerer esforço do seu lado -, mas pode prejudicá-lo se entretanto tiver reunido mais verba, porque não permite o reforço (a renovação assume as exatas condições do contrato inicial, tanto na taxa de juro, como no período e no montante investido).

Convém, por isso, avaliar o contexto geral do seu depósito a prazo e tentar prever a sua evolução financeira para perceber se há ou não vantagens em deixar que o banco duplique o contrato automaticamente.

8. Comissões

As comissões são o “bicho-papão” secreto dos bancos quando o tema é depósitos a prazo. Quando estas comissões são pesadas, somam-se de tal forma aos impostos que paga sobre o rendimento auferido com os juros que às vezes, contas feitas, fica a perder dinheiro – porque os juros são absorvidos pelos impostos e pelas taxas até se tornarem quase nulos e, entretanto, o dinheiro inicial desvalorizou.

Deve, por isso, ter a máxima atenção com as letras pequeninas e os números que o banco não vai fazer questão de lhe mostrar. Não se esqueça que até o depósito a prazo mais rentável pode ser um negócio ruinoso se der ao banco a liberdade de decidir por si.

9. Avalie o risco

Qualquer investimento tem sempre risco. Para reduzir os riscos ao mínimo, verifique se a garantia de capital é referida na ficha do produto. Convém que o dinheiro que investe esteja seguro à luz do Fundo de Garantia de Depósitos que salvaguarda os clientes até 100 mil euros no caso de ocorrer um default no Banco.

10. Divida em vários depósitos

A velha expressão “não colocar os ovos todos no mesmo cesto” tem bastante cabimento neste caso. Uma alternativa para escolher o depósito a prazo mais rentável pode passar, na verdade, por ter vários. Alguns bancos oferecem condições acima da média para novos clientes. Poderá usar esta estratégia para obter maior rentabilidade.

Escolher um depósito a prazo mais rentável não é a tarefa mais fácil do mundo, mas também não é um bicho de sete cabeças. Estude os fatores que mencionámos acima, domine bem o significado e o impacto de cada um e faça por tomar decisões informadas: sempre mantendo presente que só um investidor bem informado consegue fazer bons negócios.

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