Share the post "Euribor no primeiro trimestre de 2026: o que muda na prestação da casa"
O arranque de 2026 trouxe um cenário de relativa estabilidade às taxas Euribor, com pequenas oscilações que refletem as expectativas do mercado face à política monetária do Banco Central Europeu. Para as famílias portuguesas com crédito habitação, este comportamento traduz-se em ajustes ligeiros nas prestações mensais, dependendo do prazo a que o contrato está indexado.
Janeiro começou com alívio, fevereiro trouxe sinais mistos
A média da Euribor ao longo de 2026 situa-se nos 2,141%, registando um ligeiro aumento de 0,01 pontos face ao ano anterior. Em janeiro, as três principais maturidades registaram descidas nas médias mensais: a Euribor a três meses recuou 0,020 pontos para 2,028%, a seis meses baixou 0,002 pontos para 2,137%, e a 12 meses caiu 0,022 pontos para 2,245%.
Fevereiro trouxe um comportamento mais irregular. A taxa a três meses subiu para 2,041%, a seis meses avançou para 2,149%, e a 12 meses fixou-se em 2,206%. Estas variações diárias são normais num contexto de estabilização, mas o que realmente interessa às famílias são as médias mensais que determinam as prestações.
Quem ganha e quem perde com estas oscilações
O prazo de indexação faz toda a diferença no bolso das famílias. A Euribor a seis meses representa 38,77% do stock de empréstimos para habitação própria permanente com taxa variável em Portugal, sendo a mais utilizada. Logo a seguir surge a 12 meses com 31,85% e a três meses com 25,09%.
Para quem tem contratos indexados à Euribor a três e 12 meses com revisão em fevereiro, a notícia é positiva: as prestações baixaram ligeiramente. Já os contratos ligados aos seis meses registaram uma pequena subida nas mensalidades. Num empréstimo de 200 mil euros a 30 anos com spread de 1%, por exemplo, as variações ficam na ordem dos poucos euros por mês, mas numa perspetiva de longo prazo podem representar centenas de euros de poupança ou custo adicional.
BCE mantém taxas e mercado respira de alívio
Em 5 de fevereiro, o BCE manteve as taxas diretoras pela quinta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado, depois de oito reduções desde que iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024. A taxa de facilidade de depósito permanece nos 2%, e a maioria dos analistas não espera alterações até, pelo menos, meio do ano.
Esta postura do banco central transmite um sinal claro: a inflação na zona euro está sob controlo, próxima do objetivo de 2%, e não há pressão para cortes adicionais no curto prazo. Para as famílias, isto significa previsibilidade. A estabilidade das taxas diretoras reflete-se nas Euribor, que tendem a oscilar em torno dos 2% nos diferentes prazos sem grandes sobressaltos.
O que dizem as previsões para os próximos meses
O consenso entre economistas aponta para um ano de estabilidade. Cerca de 80% dos economistas contactados pela Reuters consideram que as taxas devem permanecer inalteradas até meio do ano, e 75% acreditam que não haverá alterações durante todo 2026. Alguns especialistas chegam a sugerir que o próximo movimento do BCE poderá ser uma subida, embora não no curto prazo.
As últimas projeções do BCE apontam para uma média anual da Euribor a três meses de 1,9% em 2026. Os futuros da Euribor a seis meses sugerem valores em torno dos 2,17% no final do ano, com uma possível ligeira descida até agosto seguida de recuperação a partir de setembro.
Esta relativa estabilidade permite às famílias planearem melhor o orçamento familiar. A ausência de grandes oscilações também favorece quem está a ponderar comprar casa, uma vez que facilita o cálculo da taxa de esforço e a escolha entre taxa variável, fixa ou mista.
Como tirar partido deste cenário
Num contexto de estabilidade, as famílias têm margem para otimizar as condições dos seus créditos. Renegociar o spread com o banco atual ou transferir o empréstimo para outra instituição continua a ser uma estratégia válida. Com os bancos a competirem ativamente por novos clientes, existem boas oportunidades para quem procura reduzir a fatura mensal.
Para contratos existentes cuja revisão ocorra nos próximos meses, vale a pena acompanhar a evolução das médias mensais da Euribor. A diferença de décimas de ponto percentual pode não parecer muito num único mês, mas acumula-se ao longo dos anos.
A próxima reunião de política monetária do BCE está marcada para 18 e 19 de março em Frankfurt. Embora não se esperem alterações, qualquer sinal da instituição sobre a evolução futura das taxas será escrutinado pelo mercado e poderá influenciar as Euribor nos meses seguintes. Por agora, o cenário é de águas calmas para quem tem crédito habitação em Portugal.