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Marta Maia
Marta Maia
28 Jul, 2021 - 10:13

Como fazer um orçamento familiar fácil de gerir

Marta Maia

Saiba como planear o orçamento familiar de forma simples e fácil de manter, sem grandes contas nem complicações.

Orçamento familiar

Um pouco por toda a parte, nas listas de conselhos de poupança, há uma dica que se repete até à exaustão: faça um orçamento familiar.

O conselho é dos melhores e os resultados de um bom planeamento orçamental são inegáveis. No entanto, são poucas as pessoas que conseguem manter-se fieis ao orçamento familiar – seja porque “derrapam” nas despesas, seja porque perdem a motivação e deixam de preencher as tabelas ao fim de alguns meses.

Neste artigo procuramos simplificar a tarefa de planear o orçamento familiar, fugindo ao preenchimento regular de tabelas e às fórmulas complexas para criar um modelo simples, intuitivo e prático.

Gestão do orçamento familiar: como começar

De uma forma simples, o orçamento familiar tem duas faces: o dinheiro que entra e o dinheiro que sai. O dinheiro que entra são os seus rendimentos; o dinheiro que sai são as suas despesas.

Nesta versão simplificada do orçamento familiar, estas duas alíneas bastam para saber em que ponto está: se gasta mais do que ganha, é preciso corrigir comportamentos com urgência. Se ganha mais do que gasta, está financeiramente saudável.

Como saber se gasta mais do que ganha?

O exercício é bastante simples: olhe para o extrato da sua conta bancária e encontre as entradas dos dois últimos salários. Depois compare o valor que tinha no dia antes de receber o primeiro desses salários com o valor que tinha no dia antes de receber o segundo. Se o primeiro valor foi mais alto que o segundo, então gastou mais do que ganhou.

Vamos a um exemplo. Imagine que recebe 1000€ de salário ao dia 26 de cada mês. Olhando para os movimentos da sua conta, vê estes saldos:

  • 25 de junho: 5.000€ de saldo
  • 26 de junho (entrada de salário): 6.000€ de saldo
  • 25 de julho: 4.700€ de saldo

Percebe-se facilmente que chegou ao fim do mês de julho com menos dinheiro do que tinha no final de junho. Isso significa que gastou mais do que aquilo que ganhou.

Casal a fazer contas ao orçamento familiar

Como planear o orçamento familiar sem tabelas nem fórmulas?

Antes de começar, mantenha presente que um orçamento familiar planeado nestes moldes será sempre mais simplista do que um orçamento familiar mais formal, com as famosas tabelas e contas elaboradas. Ainda assim, é um bom ponto de partida para quem precisa de ajuda para dar os primeiros passos nas finanças pessoais.

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Estabeleça um valor de poupança e tire-o logo à partida

A poupança é o objetivo de qualquer orçamento familiar, por isso tem de ser a primeira a ser tratada. Estabeleça um valor para poupar todos os meses e deixe de contar com ele à partida.

Por exemplo, se ganha 1.000€ e quer poupar 50€ todos os meses, então faça as contas como se só ganhasse 950€. O resto é como se nem existisse.

Claro que é importante, nesta fase, estabelecer valores de poupança razoáveis. Se decidir que quer começar já a poupar metade do salário, é certo que vai falhar. Um passo de cada vez.

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Pague as contas de casa

Mais um passo simples: separar as despesas fixas das variáveis. Gerir uma casa implica ter gastos que são mais ou menos estáveis todos os meses e que não podem ser evitados.

Assim, faça as contas (por cima) a quanto gasta para manter a casa – entre renda, água, luz, gás, telecomunicações, supermercado,… – e estabeleça um valor. É com esse valor que, todos os meses, vai ter de conseguir por as contas todas em dia.

Pode parecer difícil de fazer, mas não é: basta concentrar os pagamentos. Comece cada mês a pagar as contas essenciais da casa (renda, água, luz, gás, telecomunicações e transportes). Some o valor total que gastou e faça a conta ao que ainda sobra, dentro do teto definido, para ir ao supermercado. Se for possível encaixar tudo, ótimo. Se não for… está na hora de apertar o cinto no ponto seguinte.

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Divida o que sobra pelos elementos da família

O valor que resta depois das contas essenciais é a parte mais flexível do orçamento familiar e pode ser gasto como quiser – em jantares, em roupa, em atividades… Por outro lado, também é por aqui que começam os cortes quando são necessários.

Em todo o caso, vale a pena lembrar que este valor não tem de ser todo gasto, bem pelo contrário: se conseguir não o gastar todo, vai poupar mais e ter um mês muito mais lucrativo.

O orçamento familiar de 3 passos aplicado na prática

Para ajudar a entender como funciona este orçamento familiar simplificado, desenhamos um exemplo: um casal, cada um com rendimentos de 1.000€, e uma criança.

Este casal quer fazer uma poupança de 300€ por mês. Assim, o ponto de partida do orçamento familiar são 1.700€.

Com despesas fixas para a casa estimadas em 1.000€ (incluindo renda, amenidades, transportes e outras despesas), optam por estabelecer um teto máximo de 1.050€ para o lar, dando uma margem de 50€ para cobrir a oscilação de alguns serviços (como o gás ou a água).

Para ir controlando o cumprimento do orçamento familiar, pagam todos os serviços na primeira semana de cada mês e somam logo o total. Assim já sabem, quando forem ao supermercado fazer as compras do mês, quanto podem gastar.

Por exemplo, no mês de junho as contas da casa ascenderam a 700€. Sabendo que o teto no orçamento familiar é de 1.050€, o casal sabe que, na ida ao supermercado, não vai poder gastar mais do que 350€ para trazer tudo o que precisa para o mês inteiro.

Esta família está agora com um orçamento familiar de 650€ disponíveis, que dividem pelos três: dá cerca de 210€ por mês para cada um. A partir daqui, o valor pode ser gasto no que quiserem ou pode ser posto de lado, somando à poupança.

Casal a colocar moeda num mealheiro
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O que fazer com os imprevistos?

Terminamos com uma das questões mais populares no que toca ao orçamento familiar: as despesas inesperadas. A verdade é que, para quem ainda não tem grandes poupanças, uma despesa imprevista pode desequilibrar as contas durante muito tempo.

Nestes casos, a melhor solução é sempre começar a cortar de cima para baixo no orçamento familiar, ou seja, começar pelos valores distribuídos pelos elementos da família.

Se, mesmo assim, não for possível acomodar a despesa, então pondere pedir um crédito para ajudar a responder à urgência – mas saiba que a prestação desse crédito vai passar a somar nas despesas fixas da casa, obrigando a um ajuste de baixo para cima: despesas fixas maiores requerem um teto total para o lar mais alto, o que obriga a uma redução nos valores atribuídos a cada elemento do agregado familiar.

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