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Gabriela Caçador
Gabriela Caçador
06 Jul, 2021 - 16:40

Dicas para evitar o desperdício alimentar e (com isso) poupar dinheiro

Gabriela Caçador

O nutricionista Alexandre Fernandes, autor dos livros “Desperdício Zero na Cozinha” e “Cascas, Talos, Folhas e Outros Tesouros Nutricionais”, diz-nos como reduzir gastos com a alimentação.

Dicas dos especialistas

Seja pela nossa saúde, seja pela sustentabilidade ambiental, as nossas escolhas alimentares são fundamentais. E as decisões acertadas devem começar logo no momento das compras.

Para evitar o desperdício alimentar é importante fazer uma lista de compras com os produtos que, realmente, necessita, ter presente a validade dos alimentos, a sua origem, a forma como os acondicionamos em casa e, por último, tentar usar toda a comida que temos em nossa casa, incluindo a casca de alguns vegetais e de algumas frutas.

Dicas simples para evitar o desperdício alimentar

Aproveitar as cascas de alimentos

Alexandre Fernandes considera que “uma das partes comestíveis, que nós rejeitamos, por norma, são as cascas da batata. Porém, as cascas de batata são muito ricas em vitamina C e fibra. Alguém que sofra de prisão de ventre, por exemplo, pode perfeitamente utilizar sempre as cascas de batata para enriquecer a sua alimentação”.

Quanto ao método de confeção, o nutricionista sugere a versão frita, ou assada (para quem preferir pratos menos calóricos).

Outro exemplo, são as cascas de banana. Por princípio, comemos a banana e deitamos a casca fora. Mas, podemos aproveitar as cascas de banana para criar pratos diferentes e saborosos.

O nutricionista é autor de uma receita de filetes de casca de banana. E revela que a sua confeção é bastante simples, basta cortar as pontas da banana e retirar as cascas, na forma de bifes. Depois tempera-se com ervas aromáticas, uma pitada de sal e pimenta. Em seguida passa-se as cascas da banana por farinha de trigo, depois ovos batidos e, por último, pão ralado. Leva-se a fritar e já está.

Aproveitamos as propriedades da casca da banana que é rica em fibras, potássio e magnésio e, simultaneamente, até poupamos algum dinheiro.

Aproveitar talos, são bastante nutritivos

Muitas vezes, temos a ideia de que as cascas e talos são pobres nutricionalmente, mas nem sempre isso corresponde à verdade.

O nutricionista explica que “a rama da cenoura, por exemplo, é bastante rica em ferro. E nos agriões, aproveita-se a folha do agrião para a sopa ou para a salada e eliminam-se os caules maiores. Mas, se aproveitarmos os talos do agrião, nem que seja para fazer um puré de sopa, ou um paté, estamos a enriquecer a sopa com ferro.

Se pensarmos que um molho de agriões custa um euro e só aproveitamos as folhas, estamos a desperdiçar o valor dos troços, em termos monetários e nutricionais”. Por este motivo, considera que “devia haver mais estudos relativamente aos nutrientes destas partes dos alimentos que são desperdiçadas”.

Fazer compotas e congelar os alimentos

Verificar quais são os alimentos que temos em casa e utilizar sempre aqueles que estão com uma data de validade mais próxima de terminar, é outra forma de evitar que a comida vá parar ao caixote do lixo.

E quando a validade estiver a terminar, quais são as opções que temos?

“Congelar é uma boa opção, tal como o é o aproveitamento da comida excedente. Levar a marmita de casa com o almoço, por exemplo, pode ser uma forma de fazer refeições mais saudáveis e, simultaneamente, aproveitar as sobras do dia anterior. E com este tipo de refeições estamos também a poupar dinheiro”, esclarece. Outra sugestão é fazer doces ou compotas com fruta que tem uma duração curta e que não conseguimos consumir de imediato.

Comer bem sem gastar muito dinheiro

Para fazer uma alimentação saudável, sem gastar muito dinheiro, Alexandre Fernandes recomenda ainda:

  • Dar sempre preferência às embalagens de tamanho familiar e, depois, em casa, procede-se à divisão dos alimentos por porções que se podem congelar ou acondicionar adequadamente;
  • Substituir os refrigerantes por água ou águas aromatizadas feitas em casa. Basta usar água potável e juntar, por exemplo, cascas de limão, paus de canela, raminhos de salsa, algumas gotas de sumo de limão, ou gengibre; 
    Optar pelos produtos de marca branca das superfícies comerciais, porque são mais baratos do que os de marca, e nutricionalmente são iguais; 
  • Fazer sempre com compras sem fome, “porque se a pessoa for com fome a tendência é comprar este mundo e o outro. E, para além disso, a tendência é para comprar alimentos como bolachas e chocolates”; 
  • Planear a ida às compras e também as refeições;
  • As refeições tornam-se mais baratas quando são confecionadas para mais pessoas, porque há poupança de gás, de energia e também nos ingredientes. Por isso, quem vive sozinho pode cozinhar em maior quantidade e congelar as refeições, em unidades individuais, para depois ir descongelando à medida das necessidades;
  • Ser criativo na confeção dos pratos. No seu livro “A verdadeira Dieta Low-Cost”, o nutricionista apresenta várias receitas de baixo custo e, simultaneamente, saborosas e saudáveis, como por exemplo, ovos escalfados com ervilhas.
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