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Elsa Santos
Elsa Santos
19 Mar, 2021 - 11:53

Global Talent Trends: a pandemia e as empresas portuguesas

Elsa Santos

Conheça as conclusões do Global Talent Trends (GTT) 2020-2021, um estudo da Mercer sobre a transformação das empresas portuguesas e os seus resultados.

mulher a apresentar resultados do estudo Global Talent Trends

De acordo com Global Talent Trends (GTT) 2020-2021, o mais recente estudo da Mercer, as empresas portuguesas colocaram em marcha um extraordinário conjunto de processos de transformação. Apesar do contexto atual, conseguiram alcançar resultados significativos.

No entanto, ainda muito há a fazer, nomeadamente no que toca a flexibilidade, a aquisição de novas competências, o bem-estar dos colaboradores e a uma cultura de diversidade, equidade e inclusão.

Saiba tudo.

A Mercer divulgou recentemente a 6ª edição edição do estudo Global Talent Trends, este ano com um relatório específico de Portugal, para o qual contou com a colaboração de 55 líderes de Recursos Humanos nacionais.

A pandemia da COVID-19 que assolou o país e o mundo em 2020 e as suas implicações económicas e sociais, conduziram muitas empresas a um cenário particularmente adverso.

O ano que passou ficou, assim, marcado pela análise às (novas) necessidades dos colaboradores e das organizações. Esta análise levou a um maior cuidado e preocupação com os colaboradores no que toca aos efeitos da pandemia no seu envolvimento com a empresa. Para além disso, vincou a necessidade de fortalecer os processos de comunicação interna.

O estudo revela que as empresas portuguesas estão, pois, focadas essencialmente nas prioridades de curto-prazo.

Crise: perspetivas e ações

De acordo com os 55 líderes de Recursos Humanos em Portugal que participaram neste inquérito, uma grande maioria (71%) espera que a COVID-19 tenha um impacto negativo nos seus negócios. Metade destes reconhece que possa vir a impactar em mais de 10% das receitas, e um quinto mais de 30%.

Apesar das perspectivas ou da realidade, a verdade é que a crise veio reforçar a necessidade de agir de modo mais responsável e solidário.

A responsabilidade social corporativa alcançou uma maior relevância devido à perceção generalizada do aumento das desigualdades causada tanto pela COVID-19, como pelos diferentes ritmos de recuperação dos diferentes setores da economia.

Estas são algumas das conclusões do estudo da Mercer, mas há mais.

No estudo Global Talent Trends 2020, quatro tendências-chave marcavam a agenda. Tendências essas que ganharam um ritmo acelerado desde a pandemia.

De acordo com os dados mais recentes, as principais prioridades das empresas portuguesas para 2021 centrar-se-ão em:

  • Reinventar carreiras fluidas e flexíveis,
  • Definir as necessidades dos colaboradores e/ou reorganizá-las,
  • Incentivar à transformação (adoção/mudança políticas de compensação de acordo com as competências críticas).

No Global Talent Trends 2021, 76% dos líderes portugueses afirma que o que anteriormente era valorizado pelos colaboradores mudou. Por isso, as empresas estão a trabalhar no sentido de descobrir aquilo que é mais relevante para cada grupo de colaboradores nesta nova era.

Também se verifica que 80% das organizações reconhece a necessidade de ter um sistema para manter a cultura organizacional, enquanto é feita a transição para um novo modelo e novas formas de trabalho.

As mudanças geram novas tendências

Segundo a Mercer Portugal, após vários meses de interrupção, que se prolongaram entre o 2º e 3º trimestre de 2020,

o impulso para alinhar as práticas de negócio com um modelo de multitask, por inerência flexível e colaborativo, está de volta.

Com a explosão de vários movimentos relacionados com a defesa de temas relacionados com a diversidade (por exemplo, o movimento ativista internacional, “Black Lives Matter”), assistimos a preocupações renovadas durante o ano de 2020 na área da Diversidade e Inclusão.

Por outro lado, o reforço de políticas do investimento responsável e o estabelecimento de métricas de ESG (Environmental, Social e Governance) são prioridade de muitas organizações.

A grande maioria das empresas que impulsionam políticas multi-stakeholder (conjunto de estruturas, regras e políticas) estão a construir objetivos ESG dentro de uma agenda organizacional mais abrangente (63%). Esta vincula-se, assim, aos seus objetivos de negócio (55%) e assegura que os líderes partilham os compromissos com as respetivas métricas (55%).

De acordo com as tendências perspetivadas para 2021, o mais recente estudo Global Talent Trends Portugal conclui que:

  • 73% dos líderes de RH afirmam que as suas empresas mantiveram ou aumentaram o ritmo de implementação de uma abordagem de negócio com base em ESG e multi-stakeholder;
  • A grande maioria das empresas nacionais (64%) está focada na reinvenção da flexibilidade em todos os seus aspetos;
  • Entre as competências que ajudam os colaboradores a adaptarem-se a esta nova realidade, os HR Leaders portugueses destacam a gestão/priorização de competências (58%).

Assim, estas tendências refletem-se, necessariamente, numa redução dos níveis de stress e no reforço da união corporativa. Repercutem-se, também, na motivação, facilidades de adaptação e produtividade dos trabalhadores.

Capital humano: uma nova gestão e valorização

O avanço da diversidade, equidade e inclusão (DEI) dificilmente pode ser considerado como uma nova “moda”. No entanto, a explosão de movimentos incitados pela violência racial fez com que aumentasse a urgência de uma análise profunda e um melhor conhecimento daquelas que são as necessidades dos colaboradores.

Os investidores avaliam cada vez mais as empresas com base na sua gestão de capital humano e em métricas DEI. Perspetivas analíticas mais fortes são vitais para reforçar o percurso positivo de DEI em 2021.

Em Portugal, apenas 31% dos líderes de RH tenciona reforçar a análise de dados e métricas DEI, como a igualdade salarial.

O estudo conclui que existe, claramente, espaço para melhorar nesta matéria.

Este é um caminho que tem vindo a ser feito, nomeadamente, no âmbito da Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não Discriminação 2018-2030 – Portugal + Igual.

No que respeita à igualdade de género, Portugal tem vindo a melhorar, como mostram os resultados do Gender Equality Index 2020.

Teletrabalho: o novo normal

A experiência do teletrabalho e a necessidade de várias empresas ajustarem a sua capacidade para trabalhar remotamente moldou os planos de transformação em 2020.

Muitos estão focados na reinvenção da flexibilidade em todos os seus aspetos (64%), seguida pela expansão de talento e dos ecossistemas de aprendizagem neste contexto (60%), que podem também acelerar a flexibilidade.

29% das organizações portuguesas afirma que os seus planos de mudança incluem uma transformação significativa da sua força de trabalho,. No entanto, será essencial que se tomem decisões arrojadas, mas precisas, no que se refere a uma orientação de longo e curto prazo.

Quando questionados sobre quais os planos para melhorar as ferramentas de transição para o “novo normal”, o estudo conclui que:

  • 45% dos líderes de RH portugueses afirma que a aquisição de conhecimento/competências é fundamental para esta transição;
  • 40% refere que o desempenho relacionado com o trabalho flexível é uma das áreas-chave a melhorar em 2021.

Os modelos de teletrabalho continuam a estar no topo das prioridades em 2021 para a maioria dos líderes de RH.

Por esta razão, quase metade destes profissionais afirma ter reforçado a sua abordagem junto dos colaboradores. O objetivo é monitorizar o impacto da sua comunicação durante a pandemia.

Este tornou-se um mecanismo eficaz para reunir dados e obter uma melhor compreensão dos sentimentos e opiniões das pessoas.

Para seguir em frente e acelerar o progresso destas tendências, segundo a Mercer, as empresas devem considerar algumas prioridades essenciais, como:

  • Trabalhar em modelos flexíveis numa lógica sustentável;
  • Mapear e avaliar competências e comportamentos desejados;
  • Contribuir para a saúde e o bem-estar dos colaboradores;
  • Garantir uma estratégia integrada de pessoas;
  • Não esquecer de destacar a cultura DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão).

O ultimo relatório do Global Talent Trends reúne mais de 23 países analisados, incluindo Portugal, para definir as prioridades de 2021 a nível local ou global.

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