Não é preciso gostar de fantasmas para perceber o charme de Edimburgo. Muito menos ter visto o Braveheart e as desventuras de William Wallace e dos seu homens.
A cidade é fantástica e tem aquela combinação rara de postal bonito com pedra molhada e histórias tortas.
E depois há o cenário de uma capital em cima de colinas, com ruelas medievais, jardins perfeitinhos e um castelo a dominar tudo como quem diz “sim, eu sei que sou fotogénico”.
Abaixo vai um roteiro para a primeira visita a Edimburgo, prático, com ritmo de passeio, e com desvios inteligentes (porque ninguém quer passar três dias em filas e lojas de ímanes).
Quantos dias são ideais para uma primeira vez em Edimburgo?
Três dias dão para ver o essencial com calma e ainda encaixar um
bairro extra ou um miradouro sem correrias.
É fácil andar a pé?
É. Mas há subidas e descidas constantes. Calçado confortável não
é sugestão, é lei não escrita.
Precisa de reservar o castelo?
Em épocas concorridas, compensa reservar e ir cedo. O castelo abre|
a partir das 9h30.
Como ir do aeroporto para o centro?
Tram ou autocarro expresso são as opções mais diretas. O tram tem serviço frequente ao longo do dia.
Edimburgo pela primeira vez: o essencial
Claro que para chegar a Edimburgo, uma das cidades mais espetaculares da Escócia, a melhor forma é o avião e há voos diretos, quer de Lisboa, quer do Porto. Depois é perceber como se movimentar por lá. Aqui ficam algumas dicas
Como chegar do aeroporto ao centro
Há duas escolhas óbvias.
- Comboio: rápido, frequente, liga o aeroporto ao centro e segue para outras zonas. Há partidas regulares ao longo do dia.
- Autocarro expresso (Airlink 100): ligação direta para a zona central (perto de Waverley/Princes Street). Também costuma ser uma opção simples, sobretudo com bagagem.
Pequena regra de sobrevivência urbana. Se a meteorologia estiver com “cara feia” (normal), escolha o que o deixa mais perto do alojamento com menos caminhada.
Como circular na cidade sem perder tempo
Edimburgo faz-se muito bem a pé, mas não é plana. Nem sequer finge.
- Autocarros e tram com contactless: dá para pagar por aproximação e beneficiar de capping diário/semanal (ou seja, há um teto máximo cobrado).
- Bilhete diário na zona da cidade: existe opção “City Day” válida em tram e Lothian Buses (na zona urbana).
Roteiro para 3 dias em Edimburgo
Edimburgo é uma cidade secular, com imensos monumentos e uma vida vibrante. Daí termos selecionado alternativas abrangentes para ficar a conhecer um pouco do pulsar desta urbe.
Old Town e pedras antigas

Vamos começar onde toda a gente acaba por começar. Sim, é turístico. Sim, vale a pena.
Manhã: Royal Mile sem pressa (mas com olhos atentos). A Royal Mile é a espinha dorsal da Old Town, a descer do castelo até Holyrood. A graça não está só nos pontos “obrigatórios”, está nos closes (vielas estreitas), pátios escondidos e lojas que parecem saídas de outra década.
Ah e em vez de andar sempre pelo meio da rua, alterne com as paralelas e ruelas. Descobre-se mais.
Meio do dia: Edinburgh Castle (quando se quer ver “o” símbolo). O castelo abre a partir das 9h30 e compensa reservar com antecedência, sobretudo em épocas cheias. Não é só “ver o castelo”. É perceber a posição estratégica, as vistas, a história compactada em pedra. E vento.
Tarde: St Giles’ Cathedral + pausa com chá, whisky ou ambos. St Giles é uma paragem natural na zona. A partir daqui, o roteiro deve ter uma coisa que guias raramente admitem: uma pausa real. Edimburgo pede intervalos.
Um scone, uma sopa quente, um whisky com conversa. (Não, não é pecado fazer turismo sentado.)
Noite: pub com música ao vivo. A cidade vive muito do pub. Alguns são mais “para Instagram”, outros são mais “para ficar duas horas e esquecer o telemóvel”. Idealmente, um que faça as duas coisas.
New Town e miradouros
Mudança de cenário. Menos medieval, mais elegante. E, de certa forma, mais “respirável”.
Manhã: Princes Street Gardens e New Town. Entre a Old Town e a New Town, os jardins funcionam como corredor verde. Daqui vê-se o castelo com outra cara, mais teatral.
Depois: National Museum (ou uma escolha mais específica). Se estiver a chover (está muitas vezes a “ameaçar”), museu é plano inteligente. E não precisa de ser uma maratona, escolha 2-3 áreas e pronto.
Fim de tarde: Calton Hill ou Arthur’s Seat. Calton Hill é mais curto, miradouros incríveis, sensação de “consegui sem sofrer”. Já Arthur’s Seat é mais exigente, mais épico, e com vento a sério.
Holyrood, histórias estranhas e um extra

Aqui entra a parte que separa as visitas iguais das visitas memoráveis.
Manhã: Palácio de Holyroodhouse e arredores. A extremidade “real” da Royal Mile. Mesmo para quem não liga a monarquias, o local ajuda a ligar o mapa mental da cidade.
Tarde: escolher um “extra” com personalidade. Três sugestões, dependendo do humor:
- Dean Village. Um cenário quase irreal, tipo “aldeia dentro da cidade”. Ótimo para desacelerar.
- Stockbridge. Cafés, lojinhas, atmosfera de bairro, aquela sensação de “se vivesse aqui, faria isto todos os sábados” (mentira, mas sabe bem imaginar).
- Leith. Zona portuária com comida boa e um lado mais contemporâneo. Ideal para jantar com calma.
O que comer (e beber) para perceber a cidade
Edimburgo não é só “fish and chips”. E também há comida processada, fast-food e cozinha internacional. Mas em Roma sê romano, diz o ditado. Por isso, há iguarias locais a provar.
- Pequeno-almoço escocês. Pesado, sim. Mas há dias em que um pequeno-almoço pesado é uma forma de proteção civil contra o frio.
- Haggis. Provar nem que seja uma vez. Há versões bem feitas (e versões que parecem uma partida).
- Whisky. Se não se percebe nada do assunto, uma prova guiada ajuda a criar vocabulário e confiança.
Melhor altura para visitar
O melhor mesmo é na primavera e início do outono, com dias relativamente longos, menos multidões extremas. Em Agosto, Edimburgo entra em modo festival.
É incrível e caótico ao mesmo tempo, como quase tudo o que envolve humanos em massa. O Edinburgh Festival Fringe 2026 decorre de 7 a 31 de agosto.