José Gonçalves
José Gonçalves
24 Set, 2019 - 11:00
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BMW: uma história feita de aviões, guerra e muitos sucessos

José Gonçalves

Mais de 100 anos separam a produção de aviões militares de carros desportivos, confortáveis e potentes. Conheça ao pormenor história da BMW.

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As raízes da BMW remontam a 1916 e estão ligadas a Karl Rapp e Gustav Otto, empresários que rapidamente se veriam afastados da empresa. Otto fundou a Flugmaschinenfabrik, em 1910, tornando-se assim um dos primeiros fabricantes de aviões da história. A empresa passaria pouco depois a chamar-se Bayerische Flugzeug-Werke, fundindo-se com a BMW AG em 1922, já sem Otto.

Quanto a Karl Friedrich Rapp, fundou a Rapp Motorenwerke GmbH, em Munich, que mais tarde se tornou na BMW AG, também já sem Rapp, embora a BMW AG o considere fundador indireto da empresa.

A Bayerische Flugzeug-Werke (BFW) foi fundada no dia 7 de março de 1916. Um ano depois, Max Friz assume o cargo de engenheiro chefe na fábrica de motores de aviões Rapp-Motorenwerke, com o objetivo de conceber um motor que permitisse aos aviões voar mais alto: criou um seis cilindros em linha tão promissor que, mesmo antes de concluídos os planos técnicos, recebeu uma encomenda de 600 unidades por parte da Aviação Nacional da Alemanha. O êxito da empresa foi tanto que levou à sua reorganização e à saída de Rapp.

Consequências da Primeira Guerra Mundial

A derrota alemã na I Guerra Mundial e o Tratado de Versalhes que, em 1919, ditou a rendição do país, vedam o fabrico de motores de avião à Alemanha, pelo que a bem-sucedida atividade da BMW é drasticamente interrompida. A empresa vira-se então para o mercado das motocicletas.

Primeiro, constrói apenas motores e só depois passa a fabricar os seus próprios modelos. A 28 de setembro de 1923, apresenta o primeiro deles, a R32, que, com 8,5 cv, apesar da brutal concorrência no mercado da época e mesmo sendo uma das motocicletas mais caras, teve um êxito apreciável.

Início dos automóveis

3/15 DA-2
Fonte: BMW

Cinco anos mais tarde, em 1928, a BMW adquire uma fábrica de veículos na cidade alemã de Eisenach e inicia a terceira atividade industrial da sua história, a construção de automóveis. É nesta fábrica que se produz o Austin Seven sob a designação de Dixi 3/15 PS. A marca continua o desenvolvimento do carro e em 1929, lança o primeiro modelo com a denominação BMW: o 3/15 PS DA 2.

A sua popularidade ajuda a empresa a sobreviver à Grande Depressão dos anos 1930, e em 1932 lança o 3/20 PS, equipado com um motor de 782 cc baseado no 4 cilindros do Austin Seven. São produzidos 7.215 automóveis em apenas dois anos.

“O mais perfeito utilitário alemão”

Em 1933, a BMW apresenta o 303, anunciando-o como “de alto desempenho”. É nele, por exemplo, que surge pela primeira vez a dupla entrada de ar frontal que é desde tão a imagem de marca da BMW. E um ano mais tarde, surge o 315/1, um bilugar em alumínio que arrasa nas corridas e marca o começo da vocação desportiva da imagem da marca.

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A década não termina sem o lançamento do 326, com sistema hidráulico de travões, e do 328, ambos em 1936, para, no ano seguinte, surgir o 335, em versões berlina e cabriolé.

Novamente afetada pela guerra

Já na década seguinte, em 1941, o exército do Terceiro Reich encomendou à marca uma moto todo-o-terreno com sidecar, com roda motriz redutora e marcha atrás, a BMW R75, tão popular nos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial. Produzirm.se 18 mil unidades em apenas três anos.

mota r75

Introdução da distribuição variável

Entretanto, com a nova guerra, a marca retoma a construção de motores para aviões e desenha, em 1942, um propulsor com 2.550 cv e sistema de regulação por válvulas (distribuição variável), que está na origem do sistema VANOS utilizado nos motores atuais dos automóveis BMW.

Os bombardeamentos aliados no final da guerra, em 1944, destroem a fábrica de Munique, mas a de Allach fica praticamente intacta e, em meados de 1945, a BMW é autorizada a reparar ali os automóveis do exército americano e também as motas.

«Anjo Barroco»

Mas só em 1951, seis anos depois do fim da guerra, é que a BMW consegue retomar a produção de automóveis e logo com o 501, mais conhecido como «Anjo Barroco», pelo seu exterior clássico e interior recheado de inovações técnicas. A este primeiro BMW fabricado em Munique, segue-se, em 1954, o 502, equipado com o primeiro motor V8 de liga leve do mundo.

Isetta: um marco na história da BMW

Mas a chegada do Isetta, também na década de 1950, merece uma atenção à parte: apesar de a crítica se deixar seduzir pelos V8 e pelos desportivos da BMW, é o pequeno modelo alemão de 2,29 metros de comprimento movido por um motor de mota que cativa o coração do público: vendeu mais de 160 mil unidades e foi o bestseller da marca na década de 1950.

«Rato com coração de leão»

O BMW 507 surge em 1956 (apenas se fabricaram 252 unidades) e já perto do final da década surge o pequeno BMW 700, que granjeia grande popularidade entre o público e nas corridas, o que lhe vale o epíteto de «rato com coração de leão». É através dele que a BMW recupera a sua posição legítima de prestígio e pode lançar-se em novos voos.

BMW 1500 no Salão de Frankfurt de 1961

E como o mercado começa a «pedir» carros de tamanho médio, a BMW apresenta o 1500, no Salão Automóvel de Frankfurt de 1961, equipado com um motor potente capaz de alcançar os 150 km/h. É o início de uma nova era: 1800 (1963), 1800 TI (1964) e 1600 (1966). Este último a assinalar o cinquentenário da marca.

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O BMW 1600 converte-se no primeiro modelo de uma longa série de sucessos: as novas berlinas 2500 e 2800 definem, em 1968, novos padrões no segmento dos automóveis de luxo e no ano seguinte, continua a saga com os 1600 TI, 2002 TI e 2002 tii – o segundo «i» significa injeção.

Mota R 75/5

Do lado das duas rodas, há também mudanças assinaláveis ao logo dos anos 1960, porque, em meados da década, a moto deixa de ser olhada como um meio de transporte e converte-se sobretudo num veículo orientado para o lazer e para o desporto. A BMW apresenta uma nova gama que apenas se mantém fiel ao motor boxter de dois cilindros, e às versões de 500 e 600 cc junta-se o topo de gama de 750 cc que equipa a R 75/5.

BMW R75
Fonte: BMW

Década de 1970 cria era moderna da BMW

O melhor da marca bávara estava para vir e 1973 é um ano marcante: é lançado o Série 5 – desde o económico 518i ao potente M5 -, que lança a gama da marca com três dígitos que até hoje perdura na BMW. Mas a renovação demorou algum tempo a alargar-se à restante gama, porque um ano mais tarde ainda lançou o BMW 2002 Turbo, o primeiro automóvel de série europeu equipado com turbocompressor.

Só em 1975 é retomada a renovação, com o lançamento do Série 3, que se vai converter no modelo mais representativo da marca. Nos primeiros tempos, havia apenas três versões, mas hoje ultrapassam a trintena, desde o 316 ao M3.

O êxito do Série 3 é avassalador, com mais de sete milhões de unidades vendidas nos primeiros 25 anos. Vai na sétima geração, lançada no ano passado, e representa cerca de 30% das vendas anuais de automóveis da marca.

A «bomba» M1

A gama da BMW volta a alargar-se, em 1976, com a chegada do Série 6, um coupé exclusivo, do qual se realça o «lendário» 635 CSI, que fez as delícias dos amantes dos automóveis tanto na estrada como nas pistas. Um ano mais tarde é apresentado o Série 7, mas é em 1978 que surge a primeira criação da BMW M GmbH¨o fantástico M1.

Este coupé de motor central, desenhado por Giorgetto Giugiario e desenvolvido em parceria com a Lamborghini, é inicialmente destinado aos circuitos, mas chega à produção em série. Atingia a velocidade máxima de 260 km/h e trata-se de um «puro-sangue» que integra o restrito grupo dos desportivos de alto desempenho.

Marca adota motores a gasóleo

O BMW 524td, lançado em 1983, é o primeiro carro da marca equipado com motor a gasóleo, conjugando a tecnologia Diesel com o dinamismo e a suavidade típicos dos motores a gasolina.

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Outra novidade de destaque é BMW 325iX, apresentado em 1985 e que é o primeiro modelo da marca com tração integral, ao que se seguiu o 525iX. Mas a sensação da década, em 1986, foi o lançamento da segunda geração do Série 7, com o BMW 750, o primeiro carro alemão com motor V12 desde o fim de Segunda Guerra Mundial.

Série 7 e BMW Z1

Sob o capô ostenta uma dos melhores motores do mundo até então, debitando 300 cv e pesando apenas 240 kg. Dois anos depois, em 1988, a BMW Technik GmbH apresenta a sua primeira criação, o Z1, um roadster cabriolé, com chassis monocoque em aço e co portas que se abrem afundando-se no solo. Outro modelo muito emblemático.

BMW Z1
Fonte: BMW

Compra da Rover e da Rolls-Royce

A última década do século passado é de crescimento e a vontade de ampliar a quota de mercado leva a BMW a comprar o grupo britânico Rover, em 1994. Um ano mais tarde, é apresentado o roadster Z3 e em 1993, a marca adquire a também britânica Rolls-Royce. É também nos anos 1990 que é lançado o BMW X5, que passa a representar a marca no mercado dos SUV, automóveis que podem circular fora de estrada, mas que mantêm todas as qualidades para uma condução ágil no asfalto.

É também nesta década que surge o superdesportivo Z8 e, em 2000, a BMW lança um novo conceito de mobilidade, que combina as vantagens de uma moto (manobrabilidade e tamanho reduzido) com a segurança de um carro (cinto de segurança): A C1, uma motocicleta com teto, que se pode conduzir sem capacete e sem roupa de proteção.

Rumo à mobilidade sustentada

O início do milénio assinala também o surgimento da consciência ambiental generalizada, com as preocupações levantadas pelo buraco do ozono e pelas alterações climática. A mobilidade sustentada está na ordem do dia e a BMW desenvolve o programa EfficientDynamics, assente em dois critérios: máxima potência e mínimo consumo.

Sob este lema, a marca cria o Brake Energy Regeneration (sistema de recuperação da energia da travagem), o Auto Start/Stop, novos motores de quatro cilindros e injeção direta de gasolina.

BMW i3 e i8 assinalam eletrificação

Para além disso, com o Hydrogen 7, a BMW foi a primeira marca do mundo a comercializar um automóvel de luxo produzido em série alimentado a hidrogénio. Em 2014, lançou dois modelos muito marcantes em questões de sustentabilidade, o monovolume i3 e o desportivo i8. Dois carros com funcionamento totalmente elétrico.

Gama atual

A gama atual da BMW é bastante completa, apresentando ofertas para paticamente todos os segmentos: Série 1; Série 2; Série 2 Tourer; Série 3; Série 4; Série 5; Série 6; Série 7; Série 8. Depois, a Série X, que vai do X1 ao X7. Há ainda os modelos «aditivados» M, que são praticamente transversais a toda a gama; o Z4; e os elétricos i3 e i8 Coupé e Roadster.

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