Inês Silva
Inês Silva
14 Mai, 2020 - 11:34

LinkedIn como aliado em tempos de pandemia: como potenciar o perfil

Inês Silva

Pedro Caramez foca os pontos principais do Linkedin como aliado em tempos de pandemia no mercado de trabalho e na procura ativa de emprego.

pessoa a utilizar o linkedin como aliado em tempos de pandemia

A rede Linkedin completou, no passado dia 5 de maio, 17 anos, Pedro Caramez, especialista nesta plataforma profissional, foi o convidado do Ekonomista para falar sobre o Linkedin como aliado em tempos de pandemia.

Devido ao novo coronavírus, profissionais e empresas assistiram às alterações no mercado de trabalho. Desemprego e migração para novas áreas profissionais e empresas que se viram a braços com o confinamento de centenas de trabalhadores, foram motivos mais que suficientes para “forçar” a adaptação rápida a novas formas de trabalho e recrutamento.

A pandemia e as alterações no mercado de trabalho

pessoa a aceder ao linkedin por telefone

Sobre as mudanças em termos profissionais, Pedro Caramez afirma que

“já se sentem desde o período em que as empresas tiveram que iniciar todo este processo de confinamento de várias centenas de colaboradores, há e houve aqui muitas e grandes transformações”.

Segundo o especialista,

“as empresas passaram a ter que perceber como gerir equipas tão desfasadas geograficamente, como conseguir recrutar e até acolher novos colaboradores mantendo-se em pandemia. Atualmente, as empresas que estão a fazer este processo de onboarding, acabam por fazê-lo sem que os candidatos estejam presentes nas instalações da organização”.

Confirmando, assim, que a situação de pandemia trouxe, de facto, para muitas áreas, um desafio enorme em termos de recursos e meios para possibilitar condições de operabilidade entre profissionais.

Nas palavras de Caramez, muitas empresas tiveram que

“acelerar o processo de transformação digital, que estaria previsto para mais tarde, e também os seus recursos tiveram que acelerar essas novas aprendizagens”.

Verificando-se também que algumas não estavam tão preparadas digitalmente como pensavam, encontrando desafios a vários níveis,

“desafios quer em termos de estrutura e desafios associados às competências e literacia digital que os colaboradores tinham”.

O especialista concluiu,

“Deixando de fora desta esfera as empresas envolvidas no setor de IT, muitas outras, sem essas referências, tiveram que as adquirir com prontidão. Sentimos aqui uma aceleração grande que obrigou, exigiu aos profissionais essa adaptação rápida e, claro, sempre com todos os desafios e mais alguns”

Sobre o teletrabalho, Pedro Caramez refere que “as pessoas têm sentido níveis de produtividade maiores e outras referem também que o estigma do 09h-17h desapareceu”.

Ainda que já existissem empresas que permitiam a flexibilidade em relação ao trabalho a partir de casa, o receio de outras empresas em relação a este regime foi ultrapassado porque “profissionais e empresas sentem que esse trabalho é feito e bem feito, com as empresas a atingirem níveis interessantes de produtividade”.

Este é um fator relevante, na visão de Pedro Caramez, pois, por força do tombo que o mercado deu, obrigou ao aceleramento digital e convenceu renitentes para uma condição que é hoje obrigatória no mercado de trabalho.

Linkedin como aliado em tempos de pandemia

O Linkedin revolucionou a forma como nos relacionamos com o mercado de trabalho e com a procura ativa de trabalho, trazendo, com a sua chegada em 2003, alterações significativas nestas áreas.

Pedro Caramez salienta que

“obviamente, essas alterações, em alguns países sentiram-se mais rápido, mas também em Portugal, de certa forma, o paradigma entre o empregador e o candidato mudou. Nesta plataforma são colocadas, diariamente, milhares de oportunidades, permitindo aos quase 700 milhões de utilizadores da rede acederem a essas oportunidades”.

No entanto, a plataforma trouxe também mudanças ao recrutamento pelo empregador, permitindo uma nova abordagem à questão, “levando hoje o empregador pro-ativamente a procurar o seu candidato”, continua o especialista.

O Linkedin tem grande responsabilidade nestas mudanças, mas a mudança não se deu apenas no paradigma de emprego. Esta plataforma mudou também as relações profissionais.

Neste mesmo contexto, as pessoas passaram a ter uma abordagem diferente. Além da componente emprego, as outras componentes como as comerciais e de comunicação são também importantes.

Sobre o Linkedin como aliado em tempos de pandemia, Caramez refere o relatório dos primeiros quatro meses do ano apresentado pela Microsoft, empresa que adquiriu a plataforma há três anos, onde são revelados níveis recorde de utilização do Linkedin.

Ou seja, para o especialista, isto significa que

“as empresas, em virtude do distanciamento social a que estão colocadas, passaram a ver na plataforma um espaço de proximidade profissional. Acaba por ser a plataforma a ajudar, em alguns dos casos, esta realidade. A mudança foi grande, as empresas têm um papel mais ativo nesta busca de candidatos”.

À questão sobre o que se pode esperar nesta pandemia, do lado de quem contrata, Pedro Caramez diz que as empresas estão a procurar melhor compreender esta que lhes parece ser a estratégia dourada para a procura do candidato ideal.

O especialista refere também que não se verificam alterações no setor IT, “o setor IT está em permanente contratação, tem sempre uma frente de recrutadores na rede em busca de candidatos”.

“Outras áreas fizeram um interregno nesta pandemia. Restauração, hotelaria e empresas ligadas a eventos”, acabaram por fazer uma pausa, “ainda que num quadro de reorganização”. “No global as empresas estão com algumas reticências, com menos efusividade no recrutamento do que antes da pandemia”.

Aos candidatos que, antes deste cenário, tinham a sua empregabilidade quase garantida, Caramez aconselha a investir em si próprio e nas competências em função deste novo cenário e nas diferentes oportunidades que agora surgem para ingressar no mercado de trabalho.

Também na formação para aprendizagem e reciclagem de competências, surge o Linkedin como aliado em tempos de pandemia. A plataforma tem disponibilizado cursos para que os seus utilizadores os possam realizar online e melhor comunicar com os seus empregadores.

A otimização do perfil de Linkedin não ficou de fora, salientado-se o alerta para que esta plataforma não seja utilizada como um mero repositório de currículos.

“Hoje, o Linkedin, disponibiliza vários recursos para ter sucesso nesta rede, não basta o utilizador ter apenas um perfil, este tem que ser dinâmico. Mais do que uma apresentação de currículo, uma conta nesta rede deverá ser um cartão de visita.”

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