Na noite de 12 para 13 de agosto, o céu português vai encher-se de estrelas cadentes num dos espetáculos mais aguardados do ano. As Perseidas atingem o pico máximo nessa madrugada, com até 100 meteoros por hora em condições favoráveis.
2026 tem uma vantagem rara: a Lua está na fase nova, o que significa céu completamente escuro, sem luar a apagar os meteoros mais fracos. Especialistas descrevem esta combinação como uma das melhores dos últimos anos. Este guia mostra quando observar, onde ir em Portugal e como preparar a noite para não perder nada.
Porque é que este ano as Perseidas vão ser diferentes
As Perseidas resultam dos detritos deixados pelo cometa Swift-Tuttle, que a Terra atravessa todos os anos em agosto. O fenómeno está ativo entre meados de julho e finais de agosto, mas concentra-se sobretudo na noite de pico.
Em anos normais, a Lua cheia ou em quarto crescente rouba protagonismo aos meteoros mais ténues. Este ano isso não acontece: a Lua nova coincide exatamente com a noite de 12 para 13 de agosto, deixando o céu às escuras precisamente quando é preciso.
Na prática, isto significa que mesmo os rastos mais fracos, que normalmente se perdem no brilho lunar, tornam-se visíveis. Quem for a um local verdadeiramente escuro pode facilmente ultrapassar a centena de meteoros ao longo de uma sessão de observação.
Quando e a que horas ver as Perseidas
O pico alargado decorre entre as 21h de dia 12 e as 9h de dia 13, hora de Greenwich (GMT). A maior intensidade está prevista entre as 2h e as 4h GMT do dia 13.
De um modo geral, a melhor janela de observação é depois da meia-noite e até ao amanhecer, quanto mais tarde, mais alto sobe no céu a constelação de Perseu, ponto de onde os meteoros parecem irradiar. Vale a pena observar também na noite de 11 para 12, já que a atividade costuma estender-se um a dois dias antes e depois do máximo absoluto.
Os melhores locais em Portugal para observar o fenómeno
Portugal tem a vantagem de albergar o Dark Sky® Alqueva, o primeiro destino do mundo certificado para astroturismo, e várias outras zonas com céus praticamente livres de poluição luminosa. Estas são as opções mais fiáveis:
Reserva Dark Sky® Alqueva – território com 10.000 km² à volta da barragem, entre concelhos como Reguengos de Monsaraz, Portel e Mourão. O Observatório do Lago Alqueva organiza um evento guiado pago nas noites de 11 e 12 de agosto, combinando observação das Perseidas com o eclipse solar parcial (95% de obscuração) visível ao final da tarde de dia 12 em Reguengos de Monsaraz. Preço: 110€/pessoa (50€ para crianças dos 5 aos 9 anos).
Aldeias do Xisto (Centro de Portugal) – Pampilhosa da Serra, Góis e Arganil oferecem um dos céus mais transparentes do país, protegido pelas serras da Lousã e do Açor.
Parque Nacional da Peneda-Gerês, na Porta do Mezio – Starlight Stellar Park com miradouros preparados para observação noturna e caminhadas guiadas.
Parque Natural de Montesinho (Trás-os-Montes) – aldeias como Rio de Onor ou Guadramil, longe de qualquer grande centro urbano.
Parque Natural do Vale do Tua, entre Alijó, Murça e Vila Flor – primeira área protegida portuguesa certificada para astroturismo, com miradouros como o do Ujo.
Cabo Espichel, perto de Sesimbra – boa opção para quem está na zona de Lisboa e quer evitar viagens longas, embora seja preciso cuidado com o vento na costa.
Como preparar a noite de observação
Não é preciso telescópio nem binóculos, servem apenas para reduzir o campo de visão. As Perseidas veem-se a olho nu, com o céu inteiro à frente.
Chegue ao local com 20 a 30 minutos de antecedência para que os olhos se adaptem à escuridão. Evite olhar para o telemóvel durante a sessão: cada consulta ao ecrã obriga a repetir esse processo de adaptação.
Leve manta ou cadeira reclinável, roupa quente mesmo em agosto (as madrugadas de interior arrefecem depressa) e, se possível, escolha um local com horizonte desimpedido a Norte-Nordeste, direção de onde os meteoros parecem surgir.
Confirme sempre a previsão meteorológica antes de sair de casa, pois o céu nublado anula qualquer vantagem da Lua nova.
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